Matheus Brum: “Arrascaeta e dificuldade de inovação no Flamengo de Abel”

Os dois bons jogos de Arrascaeta

Olá, companheiros e companheiras do Coluna do Fla. Ainda estamos em êxtase pela excelente vitória contra o Vasco no último final de semana, que nos deixa com uma mão e meia na taça do Carioca. No entanto, um jogador tem centrado todos os debates sobre o Flamengo: Arrascaeta.

O uruguaio, maior contratação da história do Mais Querido, vem de duas boas atuações com o manto sagrado. Depois de vários jogos sendo pedido pela torcida, Abel resolveu bancar Diego e colocá-lo como titular no último final de semana. Não decepcionou e foi fundamental para a vitória.

Entretanto, a partir de agora a pergunta é: Arrascaeta será titular ou não? Bom, a resposta pra mim, até obvia pelo o que Abel coloca em campo, é não!!! Como analista e torcedor, o desejo era que houvesse uma inovação tática, para que o melhor dos nossos atletas fosse colocado em campo.

Como podemos ver nos mapas de calor abaixo, o camisa 14 cai sempre pela esquerda. Não é bem um armador ou até mesmo um ponta de lança (que avança pelo meio, tabelando com o centroavante). Com a camisa do Cruzeiro, brilhou pelo flanco canhoto do campo. A princípio, é assim que se sente mais confortável. Tanto é que nos dois últimos jogos foi o jogador que mais cruzou bolas na área (14 contra o Vasco e nove contra o San José). Em contrapartida, foi o que mais errou passes na última partida (11).

Na esquerda, movimentação de Arrascaeta contra o Vasco. Na direita, contra o San José. Faixa de campo ocupada pelo uruguaio é muito parecida, mostrando a tendência de cair sempre para esquerda. (Mapas: Footstats)

Ou seja, Diego não é o reserva imediato do uruguaio. Tanto que para colocá-lo como titular, precisou haver uma mudança completa no sistema ofensivo, com Éverton Ribeiro sendo deslocado para o meio e Bruno Henrique e Gabigol revezando entre a direita e o comando de ataque. No primeiro tempo, não funcionou. No segundo, o time abafou o Vasco e conseguiu os dois gols.

Mas, desde o início do ano, o Flamengo peca na coletividade. Nossas vitórias vêm, na maioria das vezes, com base no talento individual. E quando isso não funciona, perdemos. Foi assim contra o Peñarol. Fica claro que, deste modo, teremos muitas dificuldades quando enfrentarmos as melhores equipes do país e das Américas.

Dificuldades de inovação

Qualquer comentarista esportivo utiliza o velho bordão “todo treinador quer ter a dor de cabeça boa”. A expressão é usada para dizer que quando há boas opções de elenco, o trabalho do técnico fica “mais fácil”. Só que o comandante precisa também se adequar ao material humano que tem.

Cada dia fica mais claro que não é o caso de Abel. Arrascaeta foi contratado, de forma milionária, vale lembrar, mas parece que não foi feito um planejamento para utilizá-lo. A sequência dos acontecimentos mostra que a diretoria e a comissão técnica esperavam a negociação de Diego com o futebol estadunidense.

Isso não aconteceu. E, por isso, era necessário que Abel se planejasse pra usar os melhores jogadores em campo. Os argumentos de que Arão é imprescindível para o time são cada vez mais difíceis de engolir. Está claro que o ideal é recuar Diego para jogar junto de Cuéllar e manter o trio de meias que entrou em campo no jogo de ida da final do Carioca.

E por quê? O camisa 10 tem total capacidade de fazer o mesmo trabalho que Arão. Ditar a saída de bola, com mais qualidade, subir para o ataque, finalizar e aparecer como homem surpresa. Infelizmente, Diego não consegue ser objetivo em muitos momentos do jogo, travando a transição ofensiva do time. ER7 e Arrascaeta tem mais capacidade de se livrar da marcação e fazer a bola chegar aos atacantes.

Para isso, basta segurar mais os laterais, para que sofrermos com as “avenidas” o tempo todo. A dupla de zaga está cada vez mais entrosada. Como são zagueiros rápidos e com qualidade quando estão com a bola, podem ajudar na cobertura.

Para que isso aconteça é preciso apenas boa vontade de Abel. Graças aos Deuses, com o tempo, algumas coisas têm mudado. Depois da derrota horrenda pro Fluminense, a equipe parou de ser retranqueira e assumiu a postura de controlar o jogo. Não podemos fugir das nossas características. Mas, é preciso que o treinador ajude e inove.

De futebol burocrático estamos cheios. Desde 2016 praticamos e não ganhamos nada!!

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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