Fabricio Chicca: “Títulos apagarão os retrocessos dessa diretoria?”

Por: Fabricio Chicca

Em 2019, algum título vai apagar os retrocessos da nova diretoria?
A última novidade foi uma publicação de um diretor amador de marketing, o que quer que seja isso, surreal para 2019 e para o tamanho do flamengo. Na chamada o diretor amador escreveu: Amigos, boa noite! Estamos buscando parceiros de negócios para captação de patrocínios esportivos para o Clube de Regatas do Flamengo. Interessados, me mandem mensagem. O que pode parecer um deslize isolado é na verdade mais um retrocesso da nova diretoria. A grande maioria dos torcedores, inflamados pelo fracasso no departamento de futebol, clamou por uma mudança estrutural e profunda. Infelizmente, o que vemos até agora não era esse o resultado que esperávamos. A desculpa que não houve tempo é aceitável em algumas circunstâncias, mas nunca será aceitável para a falta de profissionalismo. Profissionalismo não é questão de tempo, mas atitude coorporativa.

No reino do futebol…
Todas as apostas feitas até agora no futebol visam um retorno a um passado glorioso, que diga-se de passagem só aconteceu por sorte. Os últimos títulos de expressão do Flamengo não foram frutos de um projeto, foram acaso. O Brasileirão de 2009 foi um milagre, apesar da qualidade dos jogadores envolvidos, havia uma sombra de dúvida sobre a performance de Pet e da capacidade de Andrade conduzir o time até o título. Sem falar que esse foi jogado em uma fogueira imensa, apesar de alguns já confiarem no título no decorrer do campeonato, poucos (ou ninguém) podem atribuir o título a um planejamento. Inocentes são os que assim acreditam. O mesmo pode ser dito sobre a Copa do Brasil em 2013. Nesse caso o time era ainda menos talentoso, e o título é  considerado tão inesperado quanto o anterior.

A promessa de termos os melhores do mundo no nosso departamento de futebol parece uma ideia distante e até engraçada. Abel, um técnico limitado e ultrapassado, faz experiências desastrosas e ingênuas; Paulo Pelaipe, Marcos Braz, o que vemos é um deserto de inovações, um museu nostálgico, uma falta de evolução. A única coisa que pode ser relacionada com esses profissionais é mais cobrança, mas isso não é o suficiente, ou pelo menos não deveria. Fatos são os exemplos de falta de qualidade do departamento de futebol: time carente em posições chaves, renovações com jogadores com baixíssimo aproveitamento técnico. Não acho que um técnico que faça um escândalo e bata na mesa seja o suficiente. Não para o que eu acredito o que futebol seja apenas escândalo.

Vale lembrar que a capacidade financeira do Flamengo hoje permite ao clube que traga os melhores profissionais da área, de qualquer clube do mundo, em qualquer campeonato. O maior custo do futebol é jogador. O Flamengo não tem, e é possível que no meu tempo de vida não tenha, condição financeira de ter em seu plantel os melhores jogadores do mundo. Para se ter uma ideia, o peso da folha de pagamento dos jogadores da Premiere League é 95% da folha de pagamento do departamento de futebol. Se não cabe na conta o Hazard, Kane ou Salah, todos os profissionais (ou quase todos) cabem na conta.

Apesar do que mencionei resumidamente acima, acredito que o Flamengo possa ser campeão esse ano. O nível tático na América Latina está tão atrasado, que laterais cobrados na área. “Felipões” e “Abelões”, com um elenco recheado de jogadores melhores que a média, podem, ainda que com todos os retrocessos, ser campeões. É claro, carente que estou, quero ser campeão, mas não acredito em retrocessos para assim o ser. Ganhar um título não pode apagar a quantidade de erros que essa diretoria esta cometendo, as falhas graves em áreas chaves do clube e do departamento de futebol.

Um título para mim não será a confirmação de que o que feito por essa diretoria está correto. Isso só vai confirmar o atraso do futebol no continente. Não provará a força do nosso time, ou as qualidades táticas de nosso departamento de futebol. O que provará é que um técnico atrasado, com departamento de futebol desatualizado e longe das melhores práticas do mundo ainda pode ganhar um título, que será apenas fruto da quantidade maior de dinheiro que o clube tem, e não pelo o que clube consegue produzir com o planejamento. Um título qualquer esse ano irá para a nossa galeria de títulos pela sorte e não pelo planejamento, afinal, o melhor futebol jogado no mundo é um futebol de índio.

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