Torcida organizada do Flamengo se manifesta contra proibições da Conmebol: “Resistiremos à opressão”

FOTO: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

A Conmebol divulgou na última quarta-feira (11) o Regulamento de Segurança de 2019 para as edições da Libertadores e Sul-Americana, competições promovidas pela entidade. Dentre as novas regras, destaca-se a proibição de bandeiras e bandeirões com mais de 1,5m de comprimento e 1m de largura. A torcida organizada do Flamengo Raça Rubro-Negra se manifestou e soltou uma nota de repúdio sobre os vetos apresentados no regulamento.

Os rubros-negros prometeram lutar contra as proibições apresentadas pela Conmebol e também discutiram a exigência de torcedores sentados, imposição sinalizada pela entidade e que deve entrar em vigor a partir de 2021. Confira abaixo a nota:

A recente manifestação da CONMEBOL, acerca das novas medidas a serem implementadas em suas competições oficiais, motivou a criação desse manifesto. Não se trata, é importante mencionar, de um posicionamento de cunho político, apenas um desabafo diante da crescente onda de cerceamento dos direitos do torcedor e, principalmente, do desprezo pela cultura fomentada ao longo de décadas nas arquibancadas latino-americanas.

Nós, torcedores e torcedoras, sempre tivemos como motivo de maior orgulho as festas vindas das arquibancadas e que tantas vezes assumiram papel de protagonismo em jogos e campeonatos. Apesar dos inúmeros problemas, empecilhos e quais fossem as dificuldades presentes no cotidiano de um continente forjado sob a dominação cultural e econômica da Europa, sempre tratamos de forma sagrada um dos traços culturais mais genuínos da América: A arquibancada. Nutrimos um carinho especial que de tão grande tornara-se amor. Sim, amor. Amor pela possibilidade de assumir o papel de destaque que por tantos anos nos foi negado. Agora não mais precisávamos importar costumes, decidimos adotar o papel de pioneirismo e criar nossas próprias regras, entre elas, a de torcer em pé. E, mais uma vez, sim. Sim, nós fomos os primeiros torcedores no mundo a assistir aos jogos em pé, a primeira, RAÇA RUBRO-NEGRA. Deixamos de ser produto e nos tornamos referência global quando o assunto era festa na arquibancada e apoio incondicional. A América, a partir desse momento, se libertou e libertou seu povo das amarras eurocêntricas.

O torcedor, hincha ou como for, agora era dono do seu próprio espetáculo. A desigualdade social, as mazelas da vida não faziam mais diferença, agora aquele povo podia sorrir, havia encontrado seu lugar no mundo, a arquibancada. A casa do torcedor e lugar de onde surgiam as cenas mais lindas de uma partida de futebol. Lugar esse que, com o tempo, fora tornando-se alvo de interesse dos poderosos que viram naquilo a perfeita forma de lucrar. O cimento cedeu espaço para a cadeira. O torcedor fora substituído por espectador. A festa, pela frieza de um lugar sem vida. Enfim, o torcedor que havia encontrado o meio de expor seu amor pelo clube, estaria na iminência de, outra vez, não ter nada que lhe fizesse sorrir.

Diante de todo exposto e da atual conjuntura, o G. R. M. C. RAÇA RUBRO-NEGRA expõe, representado por sua atual diretoria, profunda insatisfação com as medidas expostas pela CONMEBOL. Não obstante, ratifica o compromisso com seus ideais e se põe à disposição para lutar contra qualquer tipo de mecanismo que subtraía do torcedor seu direito máximo: ser o protagonista do espetáculo nas arquibancadas. Nós, o primeiro movimento de torcidas a assistir em pé aos jogos, seremos leais ao nosso legado e resistiremos à opressão“.

Os ajustes nas regras de segurança implementados pela Conmebol surgem após os atos de violência na final da Libertadores de 2018, entre River Plate e Boca Juniors, além do episódio da decisão da Sul-Americana de 2017, entre Flamengo e Independiente, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o Rubro-Negro chegou a ser punido com duas partidas de portões fechados pela fase de grupos da última edição da Libertadores. Assim como a Raça Rubro-Negra, a torcida organizada do Corinthians também se manifestou de forma contrária às imposições da entidade sul-americana.

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