Rômulo Moreira: “O avesso da mesma história”

FOTO: CARLA ARAÚJO/COLUNA DO FLAMENGO

A história que a história não conta tem como personagem o primeiro protagonista para o Flamengo sair da inércia e ir de encontro à modernidade. O nome deste ator é Vanderlei Luxemburgo. Em 2010, voltou à sua casa, enquanto técnico do rubro-negro, ele tomou a decisão que o futebol não teria mais a Gávea como sede. A exposição dos atletas à vida social do clube, a impossibilidade de realizar treinos fechados e os carros luxuosos dos jogadores influenciaram para diminuir as distâncias.

“A Gávea acabou para o Flamengo. Só treinaremos lá por absoluta necessidade. Retorno com muita vontade ao clube. Essa coisa de ser longe não existe mais. Os jogadores têm BMW, Mercedes… Aqui é a minha casa. Precisamos construir o CT, o hotel, e fiz questão de colocar isso em meu contrato. Se não fosse assim, não teria aceitado o convite. Acho que posso ajudar o clube nessa questão com a minha experiência e por tudo o que já passei na carreira. Hoje, estamos neste local, mas daqui um tempo, esperamos ter um CT em boas condições de trabalho”, ressaltou na época. Apesar deste discurso inicial, ele sabia que a profissionalização exige um Centro de Treinamento.

“A ideia é que os jogadores cheguem aqui de manhã e só saiam à noite. Para isso precisamos de um hotel, mesmo que seja provisório, como no caso da Fórmula 1”, disse o então treinador.

Ainda na gestão de Patrícia Amorim, Vanderlei usou seu prestígio como comandante e colocou a estruturação do Ninho do Urubu como cláusula contratual para assinar contrato e, consequentemente, pressionar a então presidente a investir no projeto. Deu certo. Até o meio de 2009 só havia duas bicicletas ergométricas enferrujadas na sala de musculação. A primeira entrevista coletiva no seu retorno foi debaixo de uma árvore num espaço improvisado. Após sua intervenção, ele acordou com o ex-vice de finanças Michel Levy a compra imediata de acomodações provisórias. Aos poucos, chegaram os containers, depois a eletricidade, a reforma nos campos, e o projeto foi crescendo.

O final da história todos conhecem. Só em 2016, o presidente Eduardo Bandeira de Mello propôs um dos melhores CTs do mundo. E, finalmente, o Flamengo apresenta sua nova estrutura completa com investimento total de R$ 23 milhões e custo mensal que ultrapassa o valor de R$ 1,6 milhão. A área total é de 5.000m² em dois pavimentos, com um acesso independente para os jogadores e comissão técnica, e outro para os profissionais da imprensa que acompanham o dia a dia do clube. Ao todo são 42 suítes, sendo 36 individuais e seis duplas. O ambiente ainda conta com salas de preparação física e 14 banheiras de hidroterapia, piscina, nutrição, fisiologia, departamento médico, varandas de observação, dois auditórios com capacidade para 50 pessoas cada, praça de convívio, refeitório para 70 pessoas, vestiário e rouparia.

Num clube como o Flamengo, onde a história sempre possui muito valor, é essencial contar mais essa que, ao que parece, pode ser um ponto de inflexão num futuro próximo do clube.

Por: Rômulo Diego Moreira

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