Rodrigo Coli: “Um jogo, uma temporada…”

Nação,
É com grande pesar que terminamos mais um ano da mesma forma que acabamos tantos outros: com esperança esgotada. Mais terrível do que reconhecer suas limitações e ter pés no chão em seus anseios é saber da qualidade do seu time e, assim, esperar grandes voos. No final, os flamenguistas acabam se cansando de sua grandeza. É mais fácil caminhar sempre rente ao solo, e nossas decolagens tem sofrido turbulências por demais pra só se findarem no chão outra vez.
Nossa temporada foi quase completa: teve quem foi contratado pra ser staff, virou treinador e foi demitido sem nunca ter sido staff; estagiário ganhando coro da torcida, assumindo o primeiro time e decepcionando no fim (a mesma torcida que se dizia vacinada com Zé Ricardo); teve liderança, bom futebol e expectativa de tríplice coroa; teve eliminação vergonhosa e título escapando com gosto amargo.
O curioso foi que a nossa última partida do ano terminou da mesma forma. Contra um Atlético Paranaense reserva, começamos em cima, assim como começamos nossa temporada. Nem sempre perfeitos, mas reconhecidamente superiores. Por mais que os deslizes desagradassem – e irão sempre desagradar – saímos triunfantes, e o resultado foi positivo. Afinal, quem vai reclamar de quem está por cima e ganhando? Se ainda tínhamos o que melhorar, ao menos os ajustes dos outros eram mais complexos que os nossos.
Pra gente parecia fácil. Era lógico que perder o Carioca da forma que perdemos não foi agradável, pois a verdade é que o futebol carioca está disposto de uma certa forma que qualquer coisa diferente de 100% de vitórias é ruim. E nós saímos derrotados. Mas a reerguida foi boa, uma classificação meia-boca na Libertadores e a liderança do Brasileiro davam a sensação de que o primeiro semestre, no fim das contas, tinha atendido a seus propósitos.
Mas veio o segundo tempo. Inexplicavelmente, o time parou e o CAP virou em jogadas pontuais. Foram aqueles golpes sucintos e certeiros, que ninguém sabe de onde veio mas que acabaram por nocautear. O pós Copa bateu igual, começando pelo então vice-líder São Paulo. Há quem diga que aquela derrota mudou todo o resto do ano. Ali começou nossa descendente, em breve perderíamos toda a liderança. Os rubro-negros, atônitos, viam a diferença cair rodada a rodada. São Paulo, Internacional, Palmeiras… os rivais só cresciam de produção, e nosso time não sabia o que fazer pra melhorar.
Cruzeiro, Corinthians… Libertadores, Copa do Brasil… e o ano seguia ladeira abaixo. Rapidamente trocamos a luta pela tríplice coroa pela luta por algo que pudesse “salvar o ano”. Humilhante demais! Era o que eu achava… até ver que nem isso veio. E quem não se conformava em lutar pela “salvação do ano” acabou ainda mais apunhalado ao perceber que nem trinca, nem una, nem taça, nem faixa viriam pra nossa casa nesse ano. E o Maracanã anuncia: “obrigado, Nação!”. Obrigado mesmo, a todos vocês que fizeram tanta festa nesse ano, levantaram mais uma liderança no ranking de média de público e terminaram com toda essa empolgação no lixo. Pois se não há pedido de desculpas que cure tal dor, é melhor nem pedir, não é mesmo!?
E seguimos assim, Nação. Enquanto esperamos uma nova diretoria pra depositar nossas esperanças, já levamos um pé na bunda de Renato Gaúcho pra não nos esquecermos tanto da realidade. E dá-lhe 2019! Sem mudança de postura, não seremos nada. Se a casa está arrumada, que entrem, então, as taças. Seu lugar já está reservado.
SRN!
Rodrigo Coli
Twitter: @_rodrigocoli
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