Rodrigo Coli: “Um artilheiro para chamar de nosso”

FOTO: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

Começo esse texto com uma pequena mas profunda indagação a todos os amantes da nostalgia rubro-negra: existe coisa mais sem sal do que um Flamengo sem artilheiro?

A negativa resposta todos já conhecem.


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Através de meus poucos e belos anos de vida, aprendi a relacionar alguns pontos-chave, algumas necessidades que se encaixam perfeitamente com o modo Flamengo de ser, pois se engana aquele que não acredita que somos  mais que uma burocrática instituição, como os recentes anos fizeram parecer. Dentre estes, acuso a dizer que o verdadeiro Flamengo precisa: I – de um goleiro com histórico de defesa de pênaltis; II – de um zagueiro com histórico de gols de cabeça; III – de um volante raçudo e com muita roubada de bola; IV – de moleques da base postulados como “novo Zico” ou salvador de alguma partida; V – de um centroavante artilheiro.

Muitos de vocês vão sentir falta de vários representantes de cada um dos tópicos listados, mas nada me decepciona mais no futebol moderno do que a ausência de um grande e matador camisa 9. Uma bola ciscando dentro da área ou um atacante que não ganha duelos de corpo com os zagueiros estão entre as maiores decepções da atual mecânica desportiva.

Em nossa história, temos prova de que esse artilheiro pode assumir várias facetas. Desde Nunes, atrapalhado mas completo, a Brocador, com a menor habilidade mas que se resumia a apenas um ou dois toques na bola, mostramos que não escolhemos característica para ídolos, apenas que estufem as redes. Se pudermos ter um Adriano ou um Romário envergando o manto é ainda melhor, mas o que realmente importa é o resultado no fim do jogo.

Hoje, entretanto, carecemos até de um titular de fato para a posição. Alternados em um rodízio infinito, Dourado, Uribe e Lincoln infelizmente já mostraram muito mais limitações do que qualidades e cumprem apenas a lacuna de bons suplentes, por ainda terem muito o que provar. Chegamos ao ponto de sentir a falta de Guerrero, o centroavante tático, cujos gols ficavam em segundo plano.

Aí é que me vem aquela saudade traiçoeira dos tempos de irresponsabilidade. Se hoje temos uma posição financeira mais confortável, por que ainda não investimos pesado em um atacante de classe mundial? Apesar de não resolver todos os nossos problemas, questiono quantos títulos não teríamos conquistado com um gol ou outro a mais naquelas tantas partidas decisivas que tivemos pra trás. Que peso faria um Imperador naqueles dois jogos da final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro? Ou um Romário nas oitavas da Libertadores… e que tal um selecionável no lugar de Vizeu nas finais da Copa Sul-Americana? Talvez estivéssemos lutando pelo título brasileiro com um atacante de calibre em nosso elenco…

O “se“, quando utilizado para levantar hipóteses sobre situações passadas é apenas um choro por um leite derramado. Mas ele tem o seu valor, pra quem realmente quer aprender com seus erros e olhar para o futuro. Em tempo: o artilheiro do time no Brasileiro deste ano é Paquetá, com 10 gols. Quem sabe 2019 não represente o ano em que as crianças pararão de envergar a camisa 10 por pura numerologia futebolística e voltarão à assiná-la com a famosa 9. 9 de gol!

Rodrigo Coli
Twitter: @_rodrigocoli

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