Que saudades de você… #3 – Hernane Brocador

Salve, Nação Rubro-Negra!

Hoje nosso quadro retorna relembrando um dos maiores centroavantes artilheiros a vestir a camisa do Flamengo nos últimos tempos: Hernane, o Brocador.

Hernane chegou ao Flamengo em maio de 2012 vindo do modesto Mogi Mirim, onde fora vice-artilheiro do Campeonato Paulista do mesmo ano com 16 tentos – até então o momento mais alto de sua carreira, no auge de seus 26 anos. Antes, havia rodado por diversos clubes pequenos do Brasil sem grande destaque. Sem impressionar, sua vinda fez parte de uma filosofia de contratação de destaques de campeonatos estaduais, aos moldes das chegadas de jogadores como Val, Paulinho, Bruninho e Marcelo, dentre outros, todas a baixo custo e via empréstimos com opção de compra.

O que seria mais um jogador caricato na história recente do Flamengo começou a mudar sua sina em sua estreia, contra o Coritiba, pelo Brasileiro de 2012, quando Hernane substituiu Diego Maurício ao fim da partida e selou a vitória em 3×1. Estreia com gol já é praxe para os grandes jogadores que contratamos, mas isso não fez de 2012 o seu ano – foram apenas 14 aparições e 3 gols até o fim da temporada.

Mas sua hora, ou melhor, seu ano, ainda chegaria. Já no princípio de 2013 fomos golpeados com a saída de Vágner Love do Flamengo, o principal jogador da equipe. Com poucas opções e sem dinheiro para contratações, Hernane ganhou oportunidades e já no Campeonato Carioca teve parte de seus direitos adquiridos pelo Flamengo após marcar 7 gols e demonstrar sua qualidade. Nossa torcida, hilária e empolgada com a boa fase do atacante, logo começou a chamá-lo de “Chicharito Hernane”. Poucos esperavam, entretanto, sua réplica. Ao tomar conhecimento do novo apelido, Hernane disse, em entrevista:

“Não sabia desse apelido que colocaram em mim. Fico feliz, mas não quero ser chamado assim. Prefiro ficar conhecido como ‘Brocador'”

Nascia ali a figura de Hernane, o Brocador.

Mas nem tudo eram flores na vida do Broca: ainda desconfiados de sua capacidade e cientes da falta de qualidade técnica do centroavante, o Flamengo foi ao mercado e trouxe Marcelo Moreno por empréstimo junto ao Grêmio em busca de maior competitividade na ponta de ataque. O boliviano chegava com status de titular.

De fato, Moreno assumiu a titularidade do Flamengo. Quem não se lembra da partida entre Flamengo e Grêmio, em Brasília, que nos fez pagar R$ 300 mil aos gaúchos para ter Marcelo Moreno em campo? Quem não se lembra do fatídico comercial da FlaTV que encenava o Flamengo campeão do mundo, com aquele “faz, Moreno!”, no fim? Ele, porém, não dava o resultado esperado em campo. E Brocador teve uma brecha: com uma lesão contraída pelo concorrente, em setembro daquele ano, Hernane agarrou novamente a titularide e não soltou mais. Com atuações de gala em clássicos e principalmente na reta final da Copa do Brasil, da qual saímos campeões, o Brocador fechou aquele ano com 36 gols marcados, reconhecidamente o maior artilheiro do país.

No ano seguinte, após uma série de propostas dos mundos árabe e chinês e com problemas com lesões, Hernane foi finalmente vendido para o Al-Nassr, da Arábia Saudita, por 4,5 milhões de euros – valora até hoje não recebido pelo Rubro-Negro.

Relembrar a passagem do Brocador pelo Flamengo nos traz a saudade de seus gols, das glórias vividas e também de seu estilo de jogo aguerrido. Hernane conhecia perfeitamente suas limitações e qualidades e se especializou como um centroavante de poucos e decisivos toques. Pressionava muito bem a saída de bola adversária e sabia se posicionar como poucos, em cruzamentos e em rebotes. Marcou 30 dos 36 gols de 2013 com apenas um toque na bola, em um time cujo estilo de jogo se assemelha bastante ao praticado hoje, com pontas e laterais apoiadores.

Brocador foi mais um exemplo de um Flamengo tão democrático para com seus ícones e ídolos. Sem grife, sem nome de peso, sem cifras milionárias, de estilo de vida simples e de peito aberto para entregar sua vida em campo em forma de agradecimento pela oportunidade de jogar em um clube com a nossa grandeza. Que saudades de você, Hernane!

E você, torcedor, que bons momentos tem do Brocador em sua memória?! Como seria tê-lo no elenco de hoje? Indique aqui novos personagens que você gostaria de ver relembrados neste quadro!

No “Que saudades de você…” relembrarei bons nomes de nosso passado – não necessariamente ídolos nem primores técnicos, mas jogadores que, de alguma forma, tiveram uma passagem especial pelo Flamengo. Passando por folclóricos, raçudos, engraçados, exemplares e até por aqueles que paradoxalmente não sentimos nenhuma saudade, em alguns casos, esses nomes terão aqui seu espaço semanal às sextas-feiras. E seremos democráticos! Você pode contribuir através dos comentários sugerindo novos nomes e até citando histórias e fatos que você gostaria de ver compartilhados por aqui.

 

SRN!

Rodrigo Coli

Twitter: @_rodrigocoli

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