João Luis Jr.: “O Flamengo é um time que te faz dormir, mas não te deixa sonhar”

Um Maracanã lotado, com uma linda festa que envolveu luzes, faixas, fumaça e tudo mais que se tem direito. Um adversário tecnicamente inferior e que veio para o Rio de Janeiro com uma proposta de jogo tão defensiva que diante da possibilidade do contra-ataque reagia da mesma maneira que a sua tia ao ser abordada por um vendedor de loja (“obrigada, mas estou só olhando”). Um domínio das ações tão grande que resultou em 70% da posse de bola, 7 vezes mais finalizações e 5 vezes mais passes que o adversário. Mais ainda assim, com o placar de 0x0 contra o Corinthians, mais uma vez o Flamengo passou vergonha dentro de casa e se complicou em um mata-mata.


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E isso aconteceu primeiramente porque o Flamengo de hoje é possivelmente um dos times de futebol mais previsíveis do mundo. Domina as ações? Claro. Tem mais posse? Com certeza. Mas sem capacidade de transformar isso em jogadas agudas o que se vê é um Flamengo que roda exaustivamente a bola de um lado para o outro, voltando para a zaga, recuando para o Diego Alves, de novo para zaga, então para os volantes, os meias, até chegar na ponta e aí novamente para o meio, num ciclo que costuma só terminar quando alguém finalmente perde a paciência, tenta um cruzamento e erra. Ou seja, a única coisa surpreendente no atual estilo de jogo do Flamengo é o quão previsível ele consegue ser.

Léo Duarte correndo para reiniciar o ciclo sem fim de troca de passes do Flamengo (Foto: Gazeta Press)

Depois porque o Flamengo não consegue aceitar que talvez seja hora de terminar seu namoro com o atual esquema tático. No começo era lindo, claro. Tudo era romance e gols, o 4-3-3 levava a equipe pra jantar, tinha as conversas mais interessantes, falava sobre como ele já funcionou na Europa, nós achávamos que tínhamos encontrado aquele esquema especial pra vida toda. Mas hoje estão cada vez mais claras as incompatibilidades e possivelmente é hora do Flamengo conhecer outros esquemas, viver outras experiências, aceitar que uma forma de jogar que depende de atacantes de lado funciona melhor quando, por exemplo, você tem atacantes que realmente jogam pelos lados do campo.

E por fim, mais uma vez fomos lembrados que um time é tão forte quanto suas peças mais fracas e no Flamengo existe um desnível imenso entre os diversos setores do campo e isso inevitavelmente vai pesar nas horas mais decisivas. Éverton Ribeiro é um grande jogador? Claro. Mas fica muito mais complicado demonstrar isso quando a pessoa que ele tem pra tabelar é o Rodinei. Vitinho já vem em fase complicada? Com certeza, e não vai ser Renê que vai conseguir compensar isso ali pelo lado esquerdo.

Em suma, tivemos mais uma noite para esquecer. Mais uma noite em que passaram pelo campo dois centroavantes mas você não lembra de nenhuma jogada de nenhum, mais uma noite em que o Flamengo parecia ter como intenção rodar a bola até amassar o que restou do já lamentável gramado do Maracanã, mais uma noite em que o Flamengo fez sua torcida passar por situações impensáveis como o momento em que um amigo ao meu lado na arquibancada disse “o Arão entrou melhor do que o Paquetá” e ele tinha razão.

O Flamengo mais uma vez foi previsível, mais uma vez não soube aproveitar suas chances, mais uma vez deixou escapar um resultado positivo e se enroolou sem a menor necessidade. E a pior parte disso tudo é que, também mais uma vez, é complicado acreditar que no próximo jogo o cenário será melhor.

Reprodução: João Luis Jr. | Blog Isso Aqui é Flamengo

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