Um time de bananas? Perder faz parte do jogo, não lutar é uma opção

Ficou fácil escrever a coluna; tempos difíceis colunas fáceis, sim é mais fácil, porém mais dolorido falar de tragédias. Originalmente eu tinha preparado a coluna para comentar a respeito de jogadores caros que são pouco aproveitados pelo técnico. Essa coluna iria comentar a respeito da necessidade de, mesmo por valores inferiores, vender esses atletas. Ou seja, assumir a perda, ou estancar as perdas se olharmos por um lado mais positivo.

Me vi obrigado a mudar a coluna para falarmos sobre alma e bananas. Eu poderia discorrer a respeito das culpas, do planejamento, do técnico, da marca de gel do Diego, do Rodnei… mas vou falar de almas e frutas.

Sobre a alma, leia-se mística. Passar em uma peneira do Flamengo era simplesmente mudar o seu estado metafísico. Daquele momento em diante, treinar sobre as cores rubro-negras era carregar a certeza que sob os ombros seria carregado uma história que, como dizia Zico, vence-se na técnica ou vence-se na raça. Não importa para qual time o menino torcia, admita-se, que a vasta maioria era mesmo flamenguista, mas mesmo ou que não eram passavam por lavagem cerebral – VOCÊ NUNCA VAI SER JOGADOR DO FLAMENGO SE DOMINAR A BOLA ASSIM!!!! VOCÊ NUNCA VAI SER JOGADOR DO FLAMENGO SE PERDER UMA DISPUTA DE BOLA ASSIM. Repetia-se o mantra em cada treino, cada disputa de bola, cada conversa no vestiário, antes, durante e depois de cada treino ou jogo. Claro, nem todos eram convertidos, mas a maioria o era. Mas na realidade, havia o time de cima. Nele Zico, Andrade, Adílio e tantos outros que já tinham passado por onde os meninos estavam passando mostravam em campo a aplicação pragmática do que se ouvia na base. O Flamengo foi assim um dia…. E assim fez-se a história do Flamengo e é nela que acreditamos! Talvez o segundo melhor time da história do futebol brasileiro (atrás apenas do Santos de Pelé) nos ensinou que tínhamos que deixar parte do coração no campo, TODOS OS JOGOS. Perder faz parte do jogo, não lutar é uma escolha. Entrou em campo, deixa o sangue relação que foi sagrada por mais de 15 anos no Flamengo, de 1974 até 1992, pelo menos, era assim que acreditávamos. Ganhamos muitos títulos na técnica, mas alguns foram a fórceps, na marra, na raça, deixou chegar ganhávamos.

Temos jogadores caros demais no nosso time que não sabem da existência desse mantra rubro-negro. Para alguns deles se paga um caminhão de dinheiro, muito mais do que deveria, incham a folha de pagamento, atrasam a utilização da base e/ou a contratação de outro jogador. Há um conceito financeiro de assumir a perda, interrompê-la e melhorar o resultado no próximo termo. É certo, que por exemplo, se gastou demais pelo Henrique Dourado. Hoje, nosso terceiro jogador para a posição e por um certo período foi o quarto. Há uma decisão contábil a ser feita: Vende-se por menos do que comprou e perde-se algum dinheiro, ou perde-se mais dinheiro incluindo os salários pelo tempo que mantivermos o jogador, mas não o utilizarmos. É matemática pura. Para alguns talvez valha mais a pena esperar, seja pela possível venda, ou pela melhorar técnica do jogador.


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Mas essa coluna defende uma limpeza imediata de alguns jogadores, que sirva como um recado claro que não há mais tempo, ou paciência. Precisamos que todos os jogadores que entrem em campo sejam cientes do nosso mantra, nosso DNA. Se nação somos, como qualquer nação que se preze, temos uma cultura própria. A nossa é baseada na raça, na vontade de vencermos não por apenas sermos melhores, mas por querermos mais. Com bravas exceções, no jogo contra o cruzeiro, vi um time que não sabia do mantra, DNA ou nada, e quando não se sabe desse mantra e ainda tem-se qualidade duvidosa, desastre…mais um quase desastre para a nossa recente coleção. Não perdemos ainda, temos 20 dias para incutir o mantra nesses atletas. Não culpemos apenas a falta de atletas em certas posições, o que mais precisamos nessa hora é alma.

PS: mantenho o que eu falei na minha coluna passada. Disponível aqui

Fabricio Chicca – Twitter @fafochicca

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