O Anjo-Negro imortal do Flamengo

Nesta quarta-feira (21), Obina anunciou a sua aposentadoria. Agora, o folclórico centroavante se mitifica no tempo, e merece um capítulo à parte na história do Clube de Regatas do Flamengo.

Muito, mas muito longe de ser um craque. Afinal, não precisava ser um estudioso do esporte bretão para perceber as claras deficiências técnicas do nosso anjo-negro. Mas por outro lado, não foi apenas pelo folclore que o Obina se tornou imortal.

Jogar no Flamengo em pleno 2018 é mole. Hoje somos o carro-chefe do futebol nacional, voando no campo e exemplo fora dele. Precisamos voltar 13 anos no tempo para entender como inicia o processo que torna o Obina idolatrado.

O ano era o de 2005, o Flamengo já vinha flertando com a segunda divisão do Brasileiro nos anos anteriores, e nem a classificação, aos trancos e barrancos, para as finais da Copa do Brasil de 03 e 04 (Perdendo feio pro Cruzeiro, e passando vexame contra o Santo André) eram capazes de disfarçar o péssimo futuro que se desenhava pro Flamengo.

Obina chegou com pompa sim, desejado pelo Palmeiras e cia após ótima passagem pelo Vitória e curta passagem pelo mundo árabe. O sucesso não foi instantâneo, Obina sentiu o peso do manto-sagrado e acumulou péssimas atuações naquele ano, a receita certa para iniciar o clássico processo de fritura que da torcida.

Parecia claro que Obina seria mais uma contratação frustrada, assim como o rebaixamento do Flamengo naquela temporada. Mas como uma fênix, o baiano renasceu das cinzas, entrou na partida contra o Paraná fora de casa, e inexplicavelmente, marcou o gol que livrou o Flamengo matematicamente da degola.

Pronto, humilde e raçudo> Obina caía nas graças da galera, e um folclore começou a cercá-lo. Se hoje em dia você, rubro-negro, ainda pode ostentar a frase ‘Time grande não cai’, uma boa parcela se deve a ele. Era meio que um deboche, ele era mais um caneleiro passando pelo Flamengo.

Mas Obina foi além. Poucos imaginavam que 2006 seria o ano que colocaria o Flamengo em outro patamar do futebol nacional (ainda que tenha passado um sufoquinho aqui e outro ali, depois). A conquista da Copa do Brasil, contra o Vasco na final, era inimaginável, e classificou o Flamengo para uma Libertadores depois de vários anos.

Obina marcou um golaçoépico na primeira partida, gol que abriu a porteira para o título. Ainda assim, Obina jamais foi unanimidade no Flamengo. Souza foi contratado no ano seguinte, mas a torcida já tinha criado identificação com o Obina. O Caveirão, artilheiro do Brasileirão do ano anterior, não teve paz.

Obina rompeu os ligamentos do Joelho no inicio de 2007 (em um lance que ele faz um gol no Vasco), voltou no fim da temporada, e seria uma referencia do Flamengo para a temporada seguinte. Ainda que em 2008 ele tenha feito uma boa temporada, e arrebentado na final do Carioca, o ano não foi bacana pro Mengão.

A partir daí, talvez, o Obina tenha terminado o seu tempo no Flamengo. Não foi mais aproveitado, rodou, voltou, mas não se firmou. Terminava aí a história de Obina com a camisa do Flamengo. Em um dos períodos mais negros da história do clube, ele representou e ajudou a fazer do Flamengo o gigante que é.

Houveram reencontros, Obina jamais comemorou um gol marcado contra o Flamengo. Certa feita, em 2013, quando ele era reserva no Bahia (e do Souza), ele reencontrou o Mais Querido no Maracanã. A torcida ovacionou o ídolo com o seu clássico canto, e Obina fez questão de retribuir o carinho.

Não sei se realmente Obina era melhor que o Eto’o, mas levanto uma polêmica aqui: O auge do Obina no Flamengo foi muito melhor do que a passagem do badalado artilheiro do caô Paolo Guerrero pelo maior clube do Brasil. Em 10 anos, o peruano será uma ligeira lembrança. Obina entrou pra história.

Para todo o sempre nos lembraremos do Obina, valeu Anjo-Negro!

‘Que os deuses do futebol estejam com o Flamengo.’

Vinny Dunga

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