Lucas Paquetá: o ídolo que a torcida do Flamengo precisa ter

Há algumas semanas, eu estava passando por um campo de futebol – daqueles de areia batida -, quando escutei duas crianças debatendo para saber qual delas “seria o Paquetá” na brincadeira. Quem é apaixonado por futebol desde criança sabe o quão importante é, para a formação de novos torcedores, ter alguém em quem se espelhar. Quantas crianças, espalhadas por todo Brasil, no início dos anos 80, não viraram flamenguistas por causa do Zico? É claro que o ídolo está longe de ser o único fator de adesão a um time. Porém, não devemos fazer pouco caso da sua importância neste processo. A meu ver, Paquetá tem potencial para se tornar o maior ídolo do Flamengo após a “era Zico”. Só que, para isso, ele precisa ficar no clube por um tempo considerável, o que não será tarefa fácil.

O jovem meia rubro-negro tem todos os pré-requisitos necessários para tornar-se símbolo de uma nova geração vitoriosa do Flamengo: talento, disposição, amor ao clube e, principalmente, identificação com a torcida. Paquetá é um jogador muito acima da média e demonstra muita vontade de desenvolver-se e evoluir como futebolista. Seria leviano de minha parte precisar qual é o patamar que o meia, de apenas 20 anos, pode alcançar em sua carreira, mas a sensação que tenho é que ele pode figurar entre os principais nomes do futebol mundial. E não sou só eu que o vejo dessa forma. Recentemente, Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho, dois dos mais vitoriosos técnicos do Brasil, demonstraram, em programas esportivos, verdadeira admiração pelo futebol do “menino da ilha”. Se Vanderlei, Muricy e tantos outros especialistas no Brasil percebem isso, é claro que os clubes europeus já estão monitorando a nossa revelação. Creio que o assédio ao jogador será alto. Por isso, convencer o jogador a ficar no Flamengo é o item mais importante do nosso planejamento de elenco dos próximos anos.

Pode parecer uma tarefa quase impossível convencer um jogador com mercado na Europa a optar por permanecer no Brasil. É assim que muitos pensam e querem fazer você pensar. No entanto, eu enxergo a questão de outra forma. Acho que é, sim, um objetivo acessível para o Flamengo – desde que o clube saiba como proceder nas tratativas. É claro que não me refiro a fazê-lo jogar para sempre no Flamengo, mas prolongar a sua estada no clube, pelo menos por dois ou três anos, dando tempo para que Paquetá se torne o ídolo que ele parece destinado a ser. Por incrível que pareça, a meu ver, não é a questão financeira que será o grande impeditivo para a manutenção do jogador em nosso elenco. Sabendo estruturar um plano de carreira – que envolva ações de marketing, bonificações por metas, etc. -,  são poucos os clubes europeus que são capazes de oferecer valores totalmente fora da realidade do Flamengo, ainda mais em um caso tão crucial para nós.

A Juventus renovou com Paulo Dybala, a maior revelação argentina dos últimos anos, segundo o jornal italiano ‘Gazzetta dello Sport’, freando as investidas de outros grandes clubes europeus, por 7 milhões de euros, por temporada. Na nossa moeda, com a cotação do dia do Euro, o jovem meia argentino recebe, aproximadamente, um salário mensal de 2,3 milhões de reais (este cálculo inclui o 13o salário). Faça o seguinte exercício: pegue um ou dois jogadores, do nosso elenco atual, que dizem ganhar salários acima dos 500 mil e me diga se esse valor não seria melhor investido, se fosse destinado à construção de um ídolo. Pois é, sem grandes sacrifícios, podemos oferecer, num caso especial como este, salários compatíveis ao que paga a nata do futebol europeu por um jovem jogador de ponta.

A maior dificuldade é, sem dúvidas, convencer o jogador de que ficar no Brasil é bom para o desenvolvimento técnico de sua carreira. As crianças de hoje crescem escutando que o bom futebol só é praticado na Europa e que só fica no Brasil quem não teve espaço nos grandes centros europeus. Essa mentalidade está entranhada de tal forma na nossa sociedade que muitos acreditam que times recém-nascidos e sem história, como o Paris Saint-Germain, são maiores que o Flamengo. Cabe a cada um de nós, verdadeiros flamenguistas, lembrar o que é o Flamengo e combater esse tipo de mentalidade. Temos que parar de alimentar a ideia de que a “Champions League” é a Meca do futebol e que somente lá é que um jogador pode ser grande de verdade. Não é algo que será feito da noite para o dia e necessita de uma análise muito mais profunda do que essa coluna se propõe a fazer. Hoje, infelizmente, creio que, mesmo com um grande projeto financeiro, temos apenas dois pontos de apoio: o amor pueril de Paquetá pelo Flamengo e a capacidade que o Flamengo tem de deixá-lo mais preparado para jogar na Europa. É preciso convencer o jogador e o seu staff  de que, ficando por mais dois ou três anos, Paquetá se tornará um grande ídolo da Nação e que, após este tempo de maturação, chegará com status de realidade no futebol europeu, sendo mais fácil a sua afirmação no velho continente.

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Pedro Sampaio

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