Flamengo, te abandono!

Olá, companheiros e companheiras de Coluna do Flamengo. Dia difícil, trágico no nosso ano e nas nossas pretensões. Hoje, peço licença pra abrir mão do lado “jornalista” e escrever como torcedor. A derrota acachapante pro Cruzeiro significou a minha gota d’água com este time. Ou melhor, esse bando, que enverga o Manto mais Sagrado do futebol brasileiro.

Abandonei o Flamengo! Algo impensável nestes 23 anos dedicados a torcer pra esse vermelho e preto. Já lutei contra rebaixamento, já torci pra times horrorosos tecnicamente, já sonhei, já vibrei, mas jamais senti tamanha vergonha como hoje.

Não que perder pro Cruzeiro seja vergonhoso, pelo contrário, é uma grande equipe. No entanto, a forma da derrota não é aceitável. Aliás, é a sequência de uma série de reveses que machuca o coração, que faz nossa cabeça doer, que nos deixa numa sensação de impotência inimaginável.

Desde 2016 subimos de patamar. Temos o luxo de ter o jogador com maior salário da América Latina; investir R$40 milhões em um promissor atleta; ter a maior receita do futebol nacional; reduzir as dívidas ativas de forma exponencial. Tudo isso sem dever um dia de salários.

Contudo, ao mesmo tempo em que alcançamos este Olimpo no futebol nacional, dentro de campo, vivemos o caminho inverso. Colecionamos vexames e fracassos. Viramos fregueses dos nossos rivais cariocas e somos chacotas nacional e internacional. Hoje, só batemos no peito orgulhosos do trabalho administrativo feito pela diretoria. Fora isso, só dor de cabeça e vergonha.

Eliminação pro Fortaleza, Palestino, Paraná, luta pra ficar entre os seis melhores do Brasileirão…. tudo isso pesa na cabeça e no coração. Uma hora, não dá mais.

Confesso que escrevo este desabafo minutos depois da derrota pro Cruzeiro. Mas já é algo que penso há tempos…. chega! Não dá mais! Esse time não merece meus gritos, minha rouquidão, minha paixão, meu respeito.

Não sou a favor de agressões físicas, intimidações, ou alguma violência. Não resolve e não faz bem pro nosso país, tão devastado de ódio por causa de uma polarização besta. A verdade é que a grande maioria destes atletas que tem a honra de pisar na Gávea não merece estar ali.

O meu amor vai continuar. Intacto! Mas vou deixar de lado! Vai doer? Com toda a certeza! É tipo aquele relacionamento que não dá mais certo, com sucessivas brigas, discussões e decepções. O sentimento ainda tá ali, mas simplesmente não há nenhuma garantia de que as coisas vão melhorar e caminhar pra frente. Nestes casos, é melhor dar um tempo… esfriar a cabeça, pra que o respeito não acabe, assim como o amor.

Esses ditos jogadores que estão no Clube de Regatas do Flamengo não me representam! Não aceito ver atletas profissionais, vestindo uma camisa como essa, sendo tão desleixados em campo. Atuam como eu, num domingo à tarde, depois de um churrasco, com o bucho cheio de cerveja. Só que a diferença é que eles recebem milhões…. e a gente que sofre!

Chega! Não dá mais! Dói os olhos e o coração! Dói a alma, de ser zoado e não ter como defender, de virar chacota e ter aceitar. Ou esses atletas entendem o que é o Flamengo e cada um dos mais de quarenta milhões de apaixonados, ou mais pessoas também abandonarão este clube.

Continuarei acompanhando os jogos, pelo compromisso que tenho com este canal tão importante de comunicação. Pra poder analisar taticamente o time e o que é preciso ser feito pra alcançar os objetivos da temporada. Mas passarei a fazer isso sem paixão, sem sofrer, sem ficar rouco, sem ficar triste.

Não vale a pena. Sabe por quê? Enquanto a gente sofre, os atletas vão todos pra casa, com a conta bancária cheia e estão nem aí. Amanhã ou depois arrumam uma transferência e vão fazer o mesmo em outras equipes.

Triste fim do nosso Flamengo, triste fim da nossa paixão! Espero, no mais breve possível, encontrar jogadores que me façam de novo me encantar e apaixonar pelo futebol! Por enquanto, fico com as lembranças boas… o gol de Pet no Maraca; as caneladas de Obina na Copa do Brasil de 2006; o Imperador em 2009; a raça de 2013; o amor de Andrade, Adílio e Zico; o arrepio do Maracanã lotado; a paixão saindo pela boca em cada canto; as idas ao estádio com meu pai…

Desculpem o desabafo!

Um grande abraço!

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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