Um mês treinando pra isso?

Pois é, companheiros e companheiras do Coluna do Flamengo, acordamos nesta quinta-feira com a cabeça inchada. A derrota de ontem, diante de um Maracanã cheio, jogou um banho de água fria nas nossas expectativas, depois de um longo e tenebroso inverno sem jogos oficiais em terras tupiniquins.

O que mais assustou a este que vos fala, foi a repetição de velhos e conhecidos erros, que trazem à tona a pergunta: um mês treinando pra isso? Como disse nas expectativas antes do confronto contra o São Paulo, esperava um time que mostrasse evolução, apresentando um futebol melhor do que aquele que tínhamos, e que nos colocou como líderes absolutos do Campeonato Brasileiro e classificados nos mata-matas da Liberta e Copa do Brasil.

Todavia, dentro de campo, um horror! Pra não ser completamente pessimista, vou elogiar os primeiros vinte minutos de jogo, onde vimos uma intensa troca de passes e tentativas de envolver a marcação do adversário. O problema é que quando o tricolor acertou a marcação, nosso time literalmente morreu. E aí, voltamos a apresentar nossos velhos e conhecidos erros, que nos permite fazer boas reflexões do que precisamos pra esse segundo semestre.

Os mais sábios dirão que os Deuses estão nos dando à opção de ver os erros e tentar mudá-los o mais rápido possível, antes que a vaca vá pro brejo. Espero que a diretoria consiga, neste caso, enxergar esse presente divino. O confronto contra os paulistas foi sintomático e expôs nossos principais erros e fraquezas.

  • Não tem jeito, PRECISAMOS CONTRATAR! E rápido! Não dá pra aguentar o Marlos Moreno como substituto do Vinícius Júnior. Para aqueles que sentem saudades do ex, vale a ressalva que o Éverton “Motorzinho”, cairia bem neste atual time, no lugar do colombiano. O camisa 17 acertou apenas uma jogada individual. Todos os outros lances, quando a bola caia no pé dele, não tinham sequência. O comparativo dos mapas de calor mostra que até na parte defensiva, o colombiano foi mal. Praticamente não ajudou Renê na marcação. Os números também não são nada bons. Contra o Palmeiras, Vinícius acertou 90% dos passes, chutou quatro vezes ao gol, driblou seis vezes, desarmou em duas oportunidades e foi desarmado em três lances. Contra o São Paulo, Marlos acertou apenas 72% dos passes, não finalizou a gol, deu quatro dribles, desarmou uma vez e foi desarmado em quatro oportunidades.

 

Marlos concentrou o jogo no campo de ataque, não ajudando na recomposição (Reprodução: Footstats)

 

Contra o Palmeiras, Vinícius Júnior atuou em toda a faixa esquerda do campo, inclusive voltando na marcação (Reprodução: Footstats)

 

Outro ponto fora da curva ontem foi o Rômulo. Neste caso, é normal criticar o camisa 27, que desde sua chegada, não mostrou ao que veio. No entanto, fica claro, na análise do jogo, que o Mais Querido perdeu na transição defesa-ataque, e também na recomposição defensiva. Fácil explicar. Rômulo não conseguiu manter uma saída de bola de qualidade, como Cuéllar. Logo, Diego e Paquetá tiveram que voltar pra fazer a bola girar desde a intermediária defensiva. Com o recuo dos meias, um buraco se abria no campo de ataque, deixando o time descompactado. Mesmo assim, conseguimos criar. Foram 24 chutes a gol. Olhando assim, parece que “amassamos” o SP. Mas, se dissecarmos os números, apenas nove finalizações foram à meta de Sidão, e o goleiro não precisou fazer nenhuma grande defesa.

Outro ponto é a presença no campo ofensivo. Cuéllar, por ser muito forte fisicamente, consegue estar em “todos os espaços do campo”, principalmente auxiliando na segunda bola. Ontem, não tínhamos isso. Perdíamos quase todos os rebotes. Um dos exemplos, podemos ver nas imagens abaixo.

Romulo não aparece na construção ofensiva da equipe

 

Ao contrário de Cuéllar

Rômulo guardou posição, enquanto o colombiano se aventura pra ajudar o time no ataque. Essa situação gera mais um problema: recomposição. Aguirre conseguiu explorar o ponto fraco flamenguista, o contra-ataque. Colocou Éverton pra puxar todos os contra-golpes. Deu certo! Sem uma cobertura (que seria do camisa 8), deixamos os laterais e zagueiros no mano a mano. Em um desses lances, o adversário fez o gol.

Pelo mapa de calor, vemos como o camisa 27 guarda muito a posição a frente da zaga, sem ajudar os laterais nas coberturas, e sem sair pro jogo (Reprodução: WhoScored)

 

Cuéllar já é mais onipresente dentro de campo (Reprodução: WhoScored)

De qualquer forma, vale a ressalva ao Renê. Muito elogiado antes da parada da Copa, falha no segundo jogo seguido. O gol do Palmeiras foi nas costas do lateral esquerdo.

Sabemos que o Barbieri fez uma série de treinamentos ao longo do mês, como bem trouxe nossa setorista Carla Araújo. Mas, na hora do vamo vê, não funcionou, e é preciso uma reflexão sobre o que aconteceu. O treinador também erra ao tentar “dar moral” a jogadores que estão em baixa e sem confiança, como Matheus Sávio e Trauco. Isso evidencia a demora do nosso departamento de futebol de fazer contratações pro restante da temporada.

Como disse nosso colega Anderson Alves, agosto é o mês em que “a coisa fica séria”. Nossas pretensões este ano estão totalmente ligadas aos resultados que teremos nos próximos 45 dias. Não podemos bobear agora! A vitória no clássico diante do Botafogo é ainda mais importante pra trazer a confiança da torcida de volta.

Não podemos mais nos ater ao velho mantra que remonta desde os tempos de Zé Ricardo: “criamos como nunca, perdemos gols como sempre”. Algo precisa ser mudado nesta oração, e temos material humano, capacidade técnica e um bom treinador pra fazer isso.

Que os bons ventos retornem à Gávea!

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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