Mengão cheio da grana, bora contratar!!!! Ou não…

Sempre eu hei de ser… precavido. Há um espectro que ronda a Gávea, o espectro da falta de contratações. Aos mais atentos, leitores antigos e fãs das colunas, eu sou um crítico da gestão de futebol do flamengo e um apoiador da gestão em todas as outras áreas. Nas infinitas resenhas da Tv Coluna do Flamengo que tenho participado há uma enxurrada de perguntas e dúvidas – Se temos a maior arrecadação, se estamos diminuindo a dívida, se vendemos o Jonas, vamos receber as parcelas restantes do Vini, recebemos a grana do brocador, porque não vamos as compras e não trazemos essa galera toda que está no mercado dando bobeira. Os nomes mais ventilados são: Adriano e Ryan Babel do futebol turco, Vitinho, Love; mas a lista é longa: Rafinha, Gignac, Bruno Perez, Diego Tardelli, Ricardo Goulart etc.

O pior não é a falta de contratações, que até o momento só conta com o desconhecido Uribe, o pior mesmo são os nossos concorrentes ao título se movimentando mais fortemente e rápido para completar o elenco. Apesar de, como já devem saber, estarmos muito carente em algumas posições como as laterais (o Renê não me engana, é um jogador limitado passando por um momento mágico, é um reserva excelente), um centro avante para ser titular absoluto (O Dourado e o Uribe para mim ainda não são “os caras” e o Peruano deve sair) e um substituto do Vini, qual o porquê de não estarmos bombando no mercado? A verdade é que não está feira da fruta toda na Gávea, não há esse excesso de dinheiro como pode parecer a primeira vista. É isso aí moçada, para aqueles que só me chamam de corneteiro, hoje vim aqui para, pasmem, defender a gestão do EBM.

Alguns torcedores têm feito a conta simplória: R$21 milhões pela venda do Brocador, R$ 9 milhões da venda do Jonas, R$ 8 milhões da venda do Everton Cardoso, mais as duas parcelas do Vinícius Junior R$ 108 milhões, só nessa brincadeira haveria quase R$150 milhões para reforços. Mais a conta não é essa. Eu não vou entrar nos detalhes contábeis do clube, mas boa parte dessa grana ainda vai para pagar a dívida monstruosa que o Flamengo ainda tem. Ter caído de primeiro para décimo no ranking da dívida não nos faz bons, mas sim menos ruins. A dívida de R$334 milhões é capaz de quebrar (quebrar de verdade, de ter de fechar as portas e ter ativos penhorados) qualquer empresa no Brasil. No ano fiscal passado o Flamengo conseguiu reduzir a dívida em 27%. Apesar de uma melhora, para que o clube tenha a capacidade de investimento, possa pensar em ter um estádio próprio (esse novo contrato com o Maracanã vai nos dar fôlego para esse projeto), e para que possamos atrair estrelas internacionais para jogar no Flamengo, vamos precisar elevar o patamar financeiro do clube. Para isso, ainda precisamos reduzir a dívida para um valor que seja menos do que 20% da arrecadação, idealmente inferior a 10% (só uma explicação rápida e muito simplificada, a galera do mundo financeiro e contadores que me perdoem pelas explicações: financeiramente algumas dívidas são aceitáveis; acontece quando o clube não precisa reduzir investimentos para conseguir capital, ou seja, tirar dinheiro de algum investimento financeiro para aquisição de um ativo). O que eu quero dizer é que o flamengo não vai disputar nos próximos 50 anos um jogador com o Barcelona ou Real Madrid, mas nos próximos anos podemos nos tornar uma opção para jogadores de times médios Europeus, ou mesmo países como Estados Unidos, Coréia, Japão e mesmo a China quando o investimento por lá diminuir. Ou ainda, não perdermos jovens jogadores para Turquia, Ucrânia ou Rússia, segunda linha do futebol internacional.

Resumindo a ópera: a recuperação financeira do flamengo é extraordinária. Não pelos valores, mas por ser um clube onde todos os processos são mais complicados do que em uma empresa (só para lembrar: conselho deliberativo, torcedores, muito pouco ágil, horrível). A quantidade de dinheiro para o futebol tem sido excelente considerando a situação financeira na qual a gestão EBM teve que enfrentar. Por outro lado, como foi dito em inúmeras colunas, a gestão dentro do futebol é contestável (contratações, não demissões, falta de cobrança etc.). Claro, EBM poderia ter sido menos generoso com o futebol e pagar a dívida o mais rápido possível, mas se não conquistarmos títulos haverá uma redução de arrecadação e o problema não resolve. No fim, vamos acreditar que o centro de inteligência, que ao meu ver tem um desempenho apenas satisfatório, comece a acertar e que Uribe e qualquer outro jogador fora do radar que apareça por aí, venha para resolver.

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