Barbieri, já uma realidade ou ainda uma aposta de alto risco?

 

Sempre eu hei de ser… perguntador. Podemos acreditar que o Barbieri será o condutor desse time aos títulos na temporada de 2018? No momento que escrevo essa coluna somos o líder isolado do Brasileiro, logo após a uma vitória segura sobre o Bahia e outra menos segura, mas também relevante, contra o galinha. Estamos classificados para a segunda fase da libertadores, e com o time titular em campo não tomamos gol faz tempo. Renê vem jogando bem, e quem quer que entre na zaga não compromete, o time acertou, pasmem, jogadas ensaiadas… negar uma melhora é brigar contra fatos.

Essas são as partes fáceis de se enxergar, mas há outras um pouco menos visíveis. No jogo contra o Bahia Diego e Paquetá se revezaram na distribuição de bola. Isso pode ter ocorrido porque ambos perceberam que Jonas, esse que saiu de campo com piriri, precisa de ajuda na saída de jogo. Deu certo, ambos jogaram bem e o time ainda se recompôs solidamente. A zaga mais participativa se aproximou mais da marcação do meio campo diminuindo os espaços entre as linhas. O resultado disso é a menor demanda para todos, em especial os laterais, de correr para fazerem coberturas.  Assim podem subir mais facilmente ao ataque; razão pela qual Renê vem atacando um pouco mais e exercendo aquela função que pedíamos a tempo: o apoio no lado esquerdo. Não vejo esse monstro na marcação como falam, mas também confesso não é essa aberração total no ataque, um jogador limitado que pode compor o elenco, mas ainda não é o meu titular para a posição (jogou bem contra o Bahia e nem tão bem contra o galo). Esses acertos são resultado do trabalho do técnico, times não se encaixam mais sem os dedos do treinador, as demandas táticas são imensas, e aquele período romântico do futebol não existe mais. Outro fato é a aproximação dos meias. Diego, Everton Ribeiro, Paquetá e Vini estão jogando mais próximos, o que gera triangulações. Vimos algumas (poucas) contra o galo, e outras contra o Bahia, inclusive gerando os gols.

Se eu terminasse o texto aqui, poderíamos dizer que o Barbieri pode levar o mengão aos títulos, mas acalmemo-nos, pois, o andor é de barro. O flamengo foi péssimo, apesar da vitória contra o Atlético, como também foi covarde em um jogo que só a vitória nos interessava contra o River, e anda empatamos melancolicamente contra o Vasco. Contra o medíocre mineiro (vale a explicação: medíocre não pelo time de agora que é razoável, mas pela choradeira histérica histórica), o time jogou em uma defesa covarde, o que não é ruim se houver algum contra-ataque desenhado, não era o caso. O gol nasceu de um milagre chamado Vini Junior, o próprio Barbieri reconheceu a falta de estratégia (por exemplo foram 14 escanteios contra apenas 1). Outra sequência de erros do Barbí que podem custar muito caro no futuro são as substituições. São demoradas, e com frequência são erradas. Em um jogo que precisarmos mudar alguma coisa, ou buscarmos resultados, enfrentaremos problemas. Há ainda a insistência no Dourado, que ao meu ver, não faz mas sentido. Se o Lincoln ainda é muito novo, joguemos sem uma referência no ataque, ou comecemos a preparar o menino para entrar com mais frequência… se o menino não é o “cara” precisamos de outro atacante.  O problema das substituições pode indicar um outro problema, a falta de capacidade de mudar a estratégia do time. Quando das substituições erradas, reclamei muito (especialmente contra o galo e river), o que havia sido feito pelo treinado não daria resultado.   Apesar dos meias estarem se aproximando, nos dando as tabelas como mencionei acima, ainda falta movimentação. No jogo contra o Bahia, nas duas tabelas houve falhas na marcação, contra uma defesa mais postada, aqueles gols não aconteceriam.

Então vamos as conclusões da coluna. O que vai determinar o sucesso do flamengo na temporada é a melhora na movimentação dos meias, e capacidade de se manter a marcação de forma eficiente o jogo inteiro. Nesse quesito, números podem esconder fatos. No jogo contra o galo saímos sem gols, mas se tivéssemos tomado 3 não teria sido um acaso. Outro ponto para conseguirmos títulos na temporada será conseguir mudanças táticas, por exemplo, marcação forte no campo de ataque, e manutenção de posse de bola para diminuir o ímpeto do adversário (muito importante em jogos fora de casa). No frigir dos ovos, o Barbieri ainda é uma aposta, mas de muito menos risco do que um mês atrás.  Espero que eu esteja errado, e que o Barbí seja um grande treinador, terei muito prazer em escrever em dezembro que o depois da minha coluna de Junho, o Barbieri acertou o time, foi genial… mas hoje, se alguém assim o fizer, poderá ser chamado de filho da mãe Diná.

Como futebol é opinião, e colunas estão aqui para expressar opiniões não verdades, gostaria muito de ouvir a sua… deixe ela aí abaixo, ou vá ao twitter e rasgue o verbo com a moderação necessária para o debate.

 

Twitter: @fafochicca

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