Política de preços baixos: uma questão desportiva

Domingo, 6 de maio de 2018. O Flamengo entra em campo em sua casa – o Maracanã – para defender a liderança do Campeonato Brasileiro. Nas arquibancadas, a torcida comparece e promove o maior público do Brasileirão (55.283 pagantes), que até então era liderado por outros dois jogos do Mais Querido (Ceará 0x3 Flamengo, com 51.952 pagantes, e Flamengo 2×0 América-MG, com 47.175). Com apoio incondicional, o Flamengo vence mais essa batalha e mantém os 100% de aproveitamento jogando em seus domínios.

Logo, entrou em discussão a temática do preço dos ingressos adotado para os certames. Se, por um lado, Bandeira defendia que ingresso barato não era sinônimo de casa cheia, a Nação vai provando, por outro, que essa máxima não tem se confirmado. Em meio as dúvidas e as contas sobre a viabilidade financeira de tal política, a casa lota e o Flamengo vence.

É sobre este fato, ainda além, que me atento. Recordo-me de uma entrevista do Bap, há alguns anos, onde o mesmo afirmava que o Maracanã era disposto em tais condições de custo e segurança que seria preferível jogar para um público menor pagando ingresso mais caro do que jogar para um público maior com preços mais acessíveis, ainda que o arrecadamento final fosse o mesmo. Apesar de não negar a relação proposta e realmente acreditar que isto seja mesmo possível na realidade das modernas arenas padrão Fifa, aponto que falta nesses cálculos o peso desportivo que um estádio cheio tem para o desempenho em campo.

Analisando friamente os maiores públicos do Flamengo em 2017 e neste começo de 2018, verifica-se um aproveitamento alto quando estes superaram a faixa dos 50 mil espectadores. Nos 8 casos em que isso aconteceu em 2017, foram 5 vitórias e 3 empates. Em 2018, foram duas vitórias – se considerarmos o público presente da partida entre Flamengo e América-MG, e um empate, na partida de ontem contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Para um clube da grandeza do Flamengo, é possível explorar lotações em todas as partidas como mandante a grosso modo, aliando preços flutuantes dos ingressos e, em alguns casos, mandos de campo em outros estados. Respeitando eventuais situações de desinteresse e/ou momentos ruins da equipe, acredito que o principal seja entender que o público rubro-negro é essencialmente diferente do público palmeirense e corinthiano, que conseguem suportar valores de ticket médio bastante elevados em relação aos nossos. Nessa questão entram o poder aquisitivo, a facilidade de acesso aos estádios, sensação geral de segurança, mobilidade urbana e outros aspectos numerosos por demais para serem debatidos nesta coluna. O ponto é que, na atual realidade, eles não são referência para nós quando o assunto é arrecadação com estádio e que devemos repensar qual a importância desta fonte de receita em nosso orçamento.

Preços baixos no sensível limite de proporcionar um estádio cheio são importantes, acima de tudo, para recuperar a identidade rubro-negra deixada de lado desde o princípio da gourmetização do Maracanã. Que o alívio financeiro logrado em outras esferas administrativas possam permitir que ao menos neste quesito o Flamengo se dê ao luxo de ser novamente abraçado por sua torcida ao ponto de se criar a dúvida existente lá atrás, nos tempos áureos do Maraca: é a torcida que deve pagar para ver o time atuando em campo ou é o time que deve pagar para ver a atuação da torcida nas arquibancadas?

SRN!

Rodrigo Coli

Twitter: @_rodrigocoli

  • Andre Pacheco

    E a flamendigo continua

    • Allan Abrantes

      Respeite os compatriotas! Não é porque o torcedor de baixa renda não pode pagar 200,00 reais em um ingresso que ele deixa ser flamenguista. Talvez este seja até mais apaixonado do que você. Por causa de pessoas com o pensamento assim igual ao teu o campeonato Carioca perdeu a graça, media de 4 mil torcedores por jogo enquanto o paulista leva mais de 20mil com ingressos a partir de 20 reais.

      • Andre Pacheco

        Outro flamendigo

    • Silva Fla

      Sai daí seu lixo, torcedor de mídia, de rede sociais, vai ao estádio pra tirar selfie e ficar sentadinho na cadeira, nunca será Flamengo o time do povão.

      • Andre Pacheco

        Flamendigo sendo flamendigo, ignorância pura.

        • Allan Abrantes

          separe os setores e coloque o dos ricos igual a tu com ingressos a 1 barão.
          ingresso de 40 reais para assistir partidas sem apelo é mais que justo.

  • Zico

    Tenho lido diversos artigos e comentários francamente favoráveis aos ingressos baixos e alegando ganhos esportivos por conta disso. Sou carioca, tenho mais de 50 anos, torço pro Flamengo desde meus 5 anos, frequento o Maracanã desde da década de 70. Estava presente ou assisti pela na TV o Fla ganhar 6 Brasileiros, 3 Copas BR, uma Mercosul, uma Liberta, um Mundial e muitos de Cariocas, ou seja, os títulos mais significativos da nossa história. MUITAS vezes foi ao Maraca ver nossa máquina de Zico&Cia trucidar nossos adversários, sei o que é torcer para time imbatível, muito de vocês nunca presenciaram isso, só de ouvir falar ou youtube. Óbvio que sei, vi, torci junto e reconheço a importância da torcida, até hoje me emociono com seus cantos e vibração. MAS HOJE tenho a convicção que mais importante do que torcida, tradição e conquistas passadas, é ter recursos para investir na formação de atletas, contratações, centro de treinamento, ter um estádio (próprio ou arrendado e administrado pelo clube), isso culminará num time forte e competitivo. Por que hoje se vê mais meninos no MUNDO inteiro com as camisas do Barça, Real, Bayer, Manchester e PSG do que dos nossos clubes, esses meninos nunca foram a um estádio ver esses times??????? Essa conclusão não é baseada em achômetro, está baseada na realidade MUNDIAL, o que ganha jogos e títulos é ter recursos, para ter estrutura e MONTAR UM TIME FORTE. A realidade do futebol MUNDIAL mudou, sou um cinquentão, saudosista do time do Flamengo de 80, mas nem um pouco do antigo Maraca, não teremos mais a geral levando mijadas na cabeça, arquibancada de cimento abarrotadas que ao levantar não se conseguia mais sentar, cadeiras de ferro, estacionar debaixo a viadutos, 160 mil torcedores comprimidos onde caberia 100 mil no máximo, essa época é passado, precisamos olhar para frente e não apara trás. Futebol virou negócio queiram ou não, abrir mão de recursos, por menos significantes que outros (TV e patrocínio), em prol de um discurso demagogo e sem comprovação de ganho esportivo, identidade rubro negra, formação de novos torcedores, resgate das tradições e entusiasmo da torcida de raiz pressiona mais o time é BALELA. Infelizmente já fui algumas POUCAS vezes ao Maraca ver o Fla ser humilhado, mesmo com a torcida majoritariamente e lotada RN. Resumindo meu longo discurso. Um meio termo é necessário, não tanto ao mar e nem a terra, esse oba-oba de R$ 10 está sendo repetido e festejado enquanto estamos tendo resultados razoáveis contra times da série B, basta um tropeço, que nego vai detonar jogadores, treinadores, dirigentes, querer agredir, pichar muro, vandalizar o estádio, esquecendo para termos um time melhor, precisamos de dinheiro. SE Palmeiras e Corinthians ganharem mais dinheiro e aplicarem melhor seus recursos, vão ganhar da gente como tem sido nos últimos anos, teremos que nos contentar em morrer na praia, maior publico do campeonato, ficar chupando o dedo e culpando o imponderável. A busca por otimização dos ganhos é incessante e ininterrupta, não se pode ser negligente, pois só assim seremos novamente o melhor time do Brasil, Américas e MUNDO.

  • rubro negro

    Com esses preços tão baixos, pra que se tornar um ST? hoje o ST só está diminuindo, e olha que somos lideres do brasileirão…o ST já chegou a 60 mil, 58 mil e hoje está em 56 mil, isso é vergonhoso para uma torcida de 40 milhões.

    Desse jeito, não vai demorar e o SPORT vai nos passar no programa ST, TNC

  • rubro negro

    E segue 55 mil ST, e tem torcedor que quer ingresso a 10 reais, não vai demorar muito a torcidinha do Sport vai nos passar pqp