Vamos planejar, de verdade, Flamengo?

Salve, Salve, Nação Mais Linda do Mundo!

Acredito que todos nós, da Nação Rubro-Negra espalhada pelo mundo, estejamos sofrendo com a falta de notícias sobre (mais uma!) troca de técnico no futebol do Flamengo. A coisa é congênita, parece que o Mengão não consegue se livrar dessa mania recorrente de tomar decisões precipitadas, sem um planejamento decente, o que nos faz refém dessa prática, digamos, pouco saudável.

Antes de iniciar minha análise peço a vocês, leitores, um pouco de paciência em relação à extensão desta coluna devido às várias facetas a serem abordadas no tocante ao planejamento, que considero fundamental, a ser implementado no Clube de Regatas do Flamengo. Ainda, em tempo, peço encarecidamente que leiam as minhas colunas mais antigas – clicando aqui – para que eu não soe oportunista, haja vista já vir criticando de forma contundente nosso planejamento e o futebol apresentado pelo nosso time. Vamos às ponderações!

Somos sabedores de que a tomada de decisões não é o forte do departamento mais importante do clube. Além morosa ela também é realizada a fórceps, muito se devendo à pressão da Fla-Twitter e demais redes sociais, o que é deveras temerário. Está difícil observarmos um planejamento realmente pertinente no maior clube do Brasil. Para ocorrência de tal fato, há uma demanda reprimida por mudanças urgentes, no tocante à estratégia e, mais especificamente, ao nosso planejamento.

Há algum tempo tenho absoluta convicção de que um planejamento sério e pautado em princípios básicos de organização deve ser implementado no clube. E, após continuar observando esse “modus operandi” ineficiente da diretoria, tenho cada vez mais certeza de que este é realmente o melhor (e único) caminho a seguirmos.

Se traçarmos um comparativo entre o departamento de futebol do Mengão e as outras áreas do clube verificaremos que somos quase amadores futebolisticamente, e damos os primeiros passos no tocante a planejamento estratégico esportivo. Ressaltemos, porém, que as finanças dentro do mesmo departamento não entram nessa análise, quer concordemos ou não com a destinação dos recursos da pasta.

Tenho plena convicção de que existe um atributo essencial, que inclusive serve de mola-mestra, nesse intrínseco mecanismo: resiliência. Sim, meus caros amigos, devemos ser, primordialmente, resilientes. A estratégia e o futebol do Flamengo necessitam de um planejamento adequado e alinhado às tradições rubro-negras. Temos pecado de forma contundente nesse quesito deveras importante.

É passada a hora de acabarmos com esse pseudo-profissionalismo e desconhecimento das tradições flamengas e começarmos a colocar em pauta um planejamento minuciosamente pensado para que efetivamente o apliquemos o mais breve. Isso se faz peremptório. Estamos perdendo tempo e, como diz o sábio jargão popular: “tempo é dinheiro”, literalmente.

Há tempos venho debatendo, internamente, com os confrades deste site, meu entendimento sobre o planejamento adequado às aspirações esportivas do Mengão. Na minha opinião, a diretoria deve estar em sintonia e alinhada quanto à nossa filosofia de jogo. Isso deve abranger toda a base (o que vem acontecendo) e deve estender-se ao time profissional (o que não ocorre). É uma coisa relativamente fácil de se fazer, mas a implantação de um sistema único gera resistência e congruência de pensamentos visando uma concretização satisfatória.

Sei que isso não se faz da noite pro dia, mas também estou ciente de que estamos perdendo tempo ao protelarmos algumas decisões que, ao parecerem secundárias, abalam e sabotam nossos objetivos no longo prazo, o famoso “empurrar com a barriga”. Por essa razão enfatizo e sempre cito alguns princípios da boa administração, pois devemos ser eficientes (utilizar bem os recursos disponíveis) e eficazes (realizar os objetivos traçados) para sermos efetivos. Isso demanda, acima de tudo, proatividade.

Exporei minha ideia para a mudança no futebol rubro-negro de forma simplificada. Comecemos propondo uma definição da forma de jogo, traçando o perfil da comissão técnica e do elenco para que obtenhamos sucesso. Ressalto que o sucesso não pode ser atrelado às conquistas. Essa ligação mascara muitas questões que devem ser contextualizadas para uma análise o mais sensata e honesta possível para mensuração correta e posterior tomada de decisões.

Definidas essa primeiras necessidades, devemos traçar estratégias e estabelecer metas a serem alcançadas pois, embora o futebol não seja ciência exata, o planejamento deve ser encarado como em empresas de vanguarda, com estabelecimento de metas e objetivos futuros, para não gerar acomodação e falta de competitividade, fazendo com que não logremos êxito nos objetivos almejados previamente.

Tomemos então como base este ano de 2018. Voltando ao início da temporada, verificamos que foram cometidos vários erros estratégicos que mostraram-se essenciais à nossa derrocada nesse primeiro trimestre, embora observe que o futebol praticado por nossa esquipe já se apresenta claudicante deste muito antes. Desculpe-me soar meio ufanista ou utópico mas, na minha visão estratégica, deveríamos tentar recuperar esse tempo perdido nos programando para a próxima temporada.

Podemos considerar que os erros vem se arrastando desde o final da temporada passada onde nosso treinador, após começar sua adaptação ao futebol brasileiro e a conhecer mais detalhadamente o elenco, desligou-se para treinar a seleção chilena. Os ferrenhos defensores da diretoria atribuiriam essa situação ao azar, mas prefiro continuar adotando um discurso mais firme e contundente afirmando que fomos amadores, novamente!

A não observância de um contrato com cláusula contratual mais vinculante, que dava margem a desligamento facilitado por qualquer das partes é um dos fatores que evidencia nosso amadorismo. Para que isso não se torne recorrente optaria por sacrificar o restante do ano, mesmo sabendo que nem começamos a disputar os campeonatos mais importantes. Obviamente lançaria mão de opção paliativa para que nos apresentássemos de forma honrada durante toda essa temporada.

Devemos ser mais racionais e menos passionais, embora saiba que muitas vezes isso seja quase inviável. Efetivaria o Mauricio Barbieri neste primeiro momento, como um torniquete para estancar a sangria, deixando para planejar calma e adequadamente o futuro do futebol do Mengão. Em paralelo a esta ação, iniciaria as tratativas para a contratação um técnico de ponta (diria Top 20 mundial), seja ele brasileiro ou estrangeiro, que se adequasse à filosofia a ser implantada no futebol a partir do início de 2019.

O técnico deve ser escolhido com base no esquema tático e deve segui-lo à risca para criar identidade à forma de jogar do time. Isso ficará estabelecido “a priori”, mas a médio prazo seria altamente benéfico para futuras escolhas. Outra coisa importante é a continuidade. O tempo de contrato deve ser de, no mínimo, dois anos para que haja tempo hábil dos objetivos serem alcançados e onde uma correta avaliação seja feita ao final do período, quando, neste exato momento, seria tomada a decisão da continuidade ou não do trabalho.

Sei que posso soar utópico, mas essa contratação mostra-se urgentíssima. Nosso futuro “profe” deve começar a ser procurado imediatamente e, uma vez contratado, orientado quanto ao padrão tático que o clube decidiu seguir. Isso servirá para que haja avaliação do elenco atual, onde as características do jogadores seriam mapeadas detalhadamente e o novo comandante, juntamente com todo o departamento de futebol, identificasse os pontos positivos e negativos do elenco para definirmos contratações ou dispensas de atletas, antes do início da pré-temporada, no intuito de equilibrarmos e qualificarmos nossas peças e já iniciarmos o trabalho com um grupo fechado.

Muitos serão contra esse planejamento e basear-se-ão na máxima de que a torcida já perdeu a paciência. Mas nego, veementemente, este fato! Nossa torcida é extremamente inteligente e está mudando seu perfil. Esse imediatismo está em vias de cair por terra. Na minha ótica, a paciência perdida pela torcida foi com a qualidade do futebol apresentado por nós ao longo dessa gestão, pesem-se aí, inclusive, a falta de identidade flamenga nos jogadores do elenco. Nem um monge tibetano teria paciência para assistir aos jogos desse Flamengo atual.

Em relação a nosso dinheiro, verifico que estamos utilizando muito mal a grana que entra em nossos caixas. Resumindo, nosso custo-benefício é péssimo. A maioria da torcida acha, erroneamente, que temos muito dinheiro para gastar mas devo ressaltar que não o temos. Nosso planejamento é cumprido à risca. Ainda devemos muito e para que sejamos efetivamente superavitários a austeridade deve continuar por mais alguns anos.

Nossas contratações, em sua esmagadora maioria, foram realizadas por oportunidades de mercado, com desembolso módico. Paralelamente a isso, nosso poder de fogo é muito grande em relação ao fluxo de caixa. Para arcar com os salários dos atletas nós temos uma saúde financeira adequada, é neste ínterim que somos fortes. Aí é que entramos no cerne da questão: oportunidades de mercado não podem ser consideradas contratações pautadas em planejamento, salvo em raríssimas exceções.

Por isso reafirmo que devemos iniciar, o quanto antes, nosso planejamento de forma séria e concisa. Podemos aproveitar essa vanguarda administrativa financeira e sermos estratégicos quanto ao planejamento adotado pelo clube. Isso fará com que sejamos protagonistas a médio prazo, firmando nossa posição hegemônica no âmbito esportivo.

Mas para que isso ocorra é necessário que o clube contrate profissionais competentes, alinhados à filosofia do clube e adequados às suas respectivas funções. A diretoria deve ainda respaldar integralmente as decisões desses executivos, evitando opinar em área distinta à sua jurisdição. Ao presidente e demais VP’s são resguardados os devidos direitos sobre delegação e, nunca, co-gestão! Que isso fique bem definido e seja fielmente respeitado. Para o bem do futebol do Mengão! Definitivamente! Chega de amadorismo! Vai pra cima dele Mengo!!!

O Flamengo simplesmente é!
Saudações Rubro-Negras a todos!
Fabio Monken

Follow – @fabio_monken

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