Vamos colocar os pingos nos is

Fala companheiros (as), de Coluna do Flamengo? Tudo beleza? Depois da vitória de ontem, acredito que sim. Incrível como esse negócio de bola na rede a nosso favor muda completamente nosso humor e nossa perspectiva. Se no sábado a preocupação para alguns era não cair…. hoje já tem gente pensando na viagem à Tóquio. Bom…. não gosto de ser estraga prazer, mas devemos ir com calma em qualquer análise. Não é oito nem oitenta.

1 – As agressões fizeram os jogadores ganharem?

Absolutamente não. Mau caráter é quem acha que violência leva a algum lugar. Pra isso, faço a pergunta…. no seu trabalho, se seu chefe te batesse, você ia render mais? Acredito que não.

2 – Time foi raçudo ontem?

Não, nem um pouco. Até porque, o conceito de raça é subjetivo. E outra, raça não ganha jogo. O que ganha é futebol. E futebol bem jogado, diga-se de passagem.

Não sei se acompanharam o jogo do Inter. Mas os caras correram os noventa minutos, deram carrinho, fizeram mil e uma coisas. Resultado? Empate sem gols contra o Cruzeiro B.

Se fosse para montar um time raçudo no Flamengo, o Pará seria camisa 10 e faixa. Tá bom pra você? Pra mim, não!!!

3 – Tá faltando o que pro Flamengo ir pra frente?

Futebol! Futebol! Futebol! Mil vezes futebol!!!! Precisamos entender que apenas se ganha o jogo, jogando. E pra isso precisamos da coletividade. Linhas de marcação bem postas, boas transições ofensivas e defensivas, jogadas ensaiadas, ultrapassagem, tabelas, triangulações, etc. E isso só se consegue com treinamentos e uma boa comissão técnica.

Um bom técnico é aquele que consegue olhar pros jogadores e extrair de cada um deles o melhor, em um sistema de jogo que alcance os resultados propostos. Infelizmente, não temos esse profissional. E o mercado também não nos dá grandes opções.

Barbieri se mostra voluntarioso, grita, gesticula, tenta jogar junto com o time. Mas é pouco. Tem errado em substituições e na forma que pensa em modificar o panorama da partida ao longo dos noventa minutos. Ontem, fez o arroz com feijão e deu certo. Manteve o esquema que tem sido treinado desde o início do ano, recuou o Paquetá, deixou o Diego mais próximo do Ceifador e conseguiu vencer bem a partida.

4 – Jogo contra o Ceará é parâmetro?

É sim. Mas um parâmetro pequeno. Time do Ceará, com todo respeito, é fraco, mas melhor que o Santa Fe, por exemplo. Algumas coisas de positivo podemos tirar.

Como disse no tópico anterior, manteve o esquema com a linha de quatro meias. Mas mudou o posicionamento dos jogadores. Paquetá ficou mais recuado, ajudando na transição ofensiva. Se nos lembrarmos da patética partida de quarta-feira passada, Cuéllar, em muitos momentos, ficava isolado, sem ter opções de passe, abusando de lançamentos. Na partida de ontem, isso foi corrigido. Um detalhe, bem interessante. Paquetá fez SEIS desarmes. Ele é o líder do time no Brasileirão neste quesito.

Outra mudança ocorreu com Diego. O super contestado camisa 10 ficou mais próximo da área, onde ele precisa ficar. Não tem como passar noventa minutos indo e voltando, como um “box-to-box”. Não tem preparo físico pra exercer essa função. Mais próximo da área ele consegue render melhor. Ontem, chamou a responsabilidade, pediu a bola, tentou finalizações e passes. Ainda falta muito pra ser o Diego que todos nós esperamos. Mas, desde o ano passado defendo que ele não tem sido usado de maneira correta (você pode ler os textos aqui e aqui).

Movimentação de Diego contra o Santa Fé. Com Arão em péssima fase e escondido do jogo, o camisa 10 teve que recuar para ajudar Cuéllar na saída de bola. No segundo tempo, visivelmente, estava desgastado (Reprodução: Footstats)

 

A mudança pra partida contra o Ceará é gigantesca. Diego já fica a maior parte do tempo no campo ofensivo, caindo pela esquerda, buscando jogadas com Vinícius Jr. (Reprodução: Footstats)

Pelas pontas, não tem mistério. É Vinícius Júnior de um lado e Éverton Ribeiro do outro. Não sei de onde o Barbieri tirou que o Geuvânio merecia mais oportunidade que o camisa 7 na fatídica partida na Colômbia. Ambos precisam melhorar, principalmente ER. Ontem, na minha concepção, fez uma partida fraca. Teve dificuldade no domínio de bola. Quando chegou à frente, não conseguiu ser decisivo.

5 – O que esperar daqui pra frente?

Se o time manter esse nível de atuação, não passaremos sustos nos próximos desafios que temos, contra Emelec (Libertadores), Internacional (Brasileirão) e Ponte Preta (Copa do Brasil). Mas, pra conseguirmos algo grande neste ano, precisamos de mais. Por isso, vou parafrasear algo que o Mauro Cezar Pereira, comentarista dos canais ESPN disse ontem, em uma das milhares de edições de Bate Bola. Até a pausa pra Copa do Mundo, o Flamengo precisa se manter entre os primeiros colocados no Brasileirão, classificar na Libertadores e se manter vivo no mata-mata da Copa do Brasil. Assim, durante a Copa o time vai ter tempo de treinar e tentar, quem sabe, arrumar um treinador, dando a ele tempo para começar um trabalho.

Entretanto, uma coisa é certa: nenhum treinador vai querer vim se a torcida continuar praticando agressão aos jogadores, comissão técnica e membros da diretoria.

Aliás, a imagem dos meliantes estão aí, cadê a denúncia? Uma nota oficial redigida pelo clube é muito pouco diante de todo o tumulto que causaram! Vale lembrar que por causa de bandidos, como eles, ficamos dois jogos sem torcida na Libertadores e as imagens horrendas do Maracanã espalharam-se pelo mundo.

Torcedor, no Brasil, é tratado como Deus. Acima das leis e dos clubes. Isso precisa mudar!! Urgentemente!!

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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