Que time você quer para o Flamengo?

Fala companheiros (as) de Coluna. Tudo bão? Pois é, iniciamos uma semana que promete ser de grandes emoções, principalmente pelo anúncio de quem comandará o Mais Querido nos próximos jogos. Como não tenho técnico favorito (por não ver pessoas qualificadas para o desafio que vai ser comandar o Flamengo), resolvi apontar que time acho ideal. Talvez, a partir daí, possamos chegar a um treinador. Até porque, é preciso pensar nas características do elenco na hora da contratação do novo comandante.

Acredito que Carpegiani deixou uma base de como deve ser o time do Flamengo: com toques rápidos, curtos e muita movimentação. Qualquer um que chegar precisa ter a humildade de olhar para esse ponto e daí desenvolver um modelo de jogo. No entanto, faria algumas modificações no 4-1-4-1 de Carpa.

O primeiro ponto, sem sombra de dúvidas, é o posicionamento de Diego. Desde a época de Zé Ricardo, o camisa 10 tem tido dificuldades de ser o nosso armador. Mas, por quê? Se observarmos a movimentação do meia, vemos que há um problema (como visto no mapa de calor abaixo): ele volta demais para pegar a bola. E, não tem jeito. Isso se dá pela falta de um segundo volante de qualidade (não vou entrar na questão de usar o Ronaldo, porque NENHUM treinador colocou o garoto para jogar, então não dá pra saber como ele poderia vir a render). Ao introduzir um meio com quatro jogadores, Carpegiani tentou modificar esse problema. Já que os jogadores teriam trocas constantes de movimentação, qualquer um (Paquetá, Éverton Ribeiro, Diego ou Éverton Cardoso) teria condições de chegar ao ataque com qualidade.

Mapa de calor de Diego contra o Emelec, na vitória de 2 a 1 pela Libertadores. Observe que ele ficou a maior parte do tempo no círculo central, às vezes, até mesmo no campo de defesa. (Reprodução: Footstats)

Mas, a estratégia não deu certo. O time engessou (como ocorrido com Zé Ricardo e Rueda) e não conseguiu ter um ataque efetivo. Prova disso foi que no último jogo à frente do Mengão, o ex-treinador modificou o esquema tático e deu no que deu.

Quais as minhas considerações? Manteria o esquema. Mas… deixaria Diego mais fixo para fazer a saída de bola e ver o jogo de frente. Há tempos a mídia especializada fala que o camisa 10 tem dificuldade no toque rápido, gira demais, perde tempo, etc. De fato é algo que acontece. Contudo, vejo que essa situação se torna rotineira por ele não ter com quem tabelar. O fato é que desde o ano passado o time é espaçado.

Acredito que Diego deveria jogar na função que Tite pensa nele para a Seleção: um ritmista, que vem de trás, observando o jogo todo, sabendo a hora de acelerar e cadenciar a partida. Então, deixaria Cuéllar como único volante, Diego, ER7, Paquetá e E22 na linha de quatro. Infelizmente, não há hoje no elenco alguém que possa bancar o “Motorzinho”. Vinícius Júnior não aguenta o jogo todo, Geuvânio ficou na China e Marlos ainda não mostrou ao que veio.

Feitas essas colocações, dá pra perceber que o esquema iria variar de um 4-1-4-1 com um 4-2-3-1. Diego seria o responsável pela transição defesa-ataque. Com ela feita, iria para frente para tabelar com os outros meias, chegando ao ataque, já que tem um bom chute de meia-distância. Na hora de cadenciar o jogo, ou enfrentar uma equipe mais fechada, ficaria atrás, observando a movimentação dos três meias e centroavante para poder iniciar o ataque. Assim, o papel de ficar mais próximo ao centroavante caberia, principalmente, a Paqueta e ER7. O primeiro tem o drible e o passe curto como boas qualidades. O segundo tem a finalização de média distância e o drible como boas características. Isso ajudaria na hora de deixar o centroavante em posição de finalização.

Para mim, acertar o posicionamento do Diego é a chave para fazer o time funcionar. Tecnicamente é o nosso principal jogador. E, qualquer um que queira tirar ele do time está ficando maluco, com todo o respeito. O melhor momento dele com o Manto foi quando o Zé Ricardo achou o posicionamento dele: perto do gol, jogando próximo ao Guerrero. Mas, por não ter um jogador que faça bem essa ligação, creio que o camisa 10 tenha as características necessárias para poder recuar e ser o nosso ritmista (palavra da moda, no Titês).

E na recomposição? Bom, Diego tem um bom preparo físico para poder retornar e fechar a marcação. Uma das grandes falhas de Carpegiani foi não conseguir montar um bom sistema defensivo. E isso não tem só a ver com o posicionamento dos defensores e sim com o meio-campo. Jonas ou Cuéllar ficavam sozinhos para marcar os meias adversários, enquanto os nossos meio-campistas não ofereciam resistência. Para que o 4-1-4-1 dê certo, as linhas precisam estar compactas e os meias ajudarem na marcação.

Paquetá também tem bom preparo físico para fazer o combate. Os Évertons fecham os flancos, ajudando nossos fracos laterais. Na hora do contra-ataque, eles precisam dar opções de velocidade (principalmente o camisa 22).

Óbvio que tudo no campo teórico é fácil, mas é preciso de treino, muito treino para que um modelo de jogo dê certo. Por isso, precisamos de alguém que estude e consiga colocar as ideias em práticas. Carpegiani nos deixou o caminho, precisa de alguém para evoluir.

Em relação à defesa….. ah, isso aí não tem jeito. Vamos sofrer! E não adianta falar de contratação, porque não temos laterais bons no mercado e nem zagueiros de velocidade. Por isso, acertar o sistema defensivo desde o posicionamento do centroavante é essencial. Todo grande time da história tinha um ponto fraco, ou um jogador menos confiável, não é no Flamengo que isso vai ser diferente.

Por isso, meu time ideal é: Diego Alves; Rodinei, Juan, Réver e Renê; Cuéllar, Diego, Paquetá, Éverton Ribeiro e Éverton; Dourado (depois Guerrero). E o seu? Vamos usar este espaço democrático para discutir: que time você quer para o Flamengo?

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

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