O projeto do Flamengo passa pelo Guardiola

Na semana passada, começamos a discutir a noção de projeto conceitual e do Flamengo. Recebemos uma enxurrada de críticas, porque a coluna ficou incompleta. E ficou mesmo e hoje veremos por quê.

Olá, coleguinhas de Coluna do Flamengo. Hoje voltaremos a falar de projeto. Já entendemos que projeto não é planejamento e que existe um grande objetivo, que no nosso caso pode ser “sagrar-se campeão mundial,” como era o título da chapa azul lá atrás e, também, objetivos menores, o que convencionamos chamar de save points, segundo a analogia com os jogos de vídeo game.

Para continuar, gostaríamos de perguntar: quais parecem ser o objetivo final e os save points do Flamengo? Claro que alguém pode dizer que, como estamos, caminhamos cada vez mais para mediocridade. Independente da diretoria precisamos ter um objetivo claro. O Flamengo merece estar no top 5 mundial. Ter os melhores jogadores. Ser campeão da libertadores corriqueiramente. Ser o líder do Brasil. Ter o melhor e maior estádio da América latina… Poderíamos continuar, mas penso que já compreendemos o ponto. O interessante é que, sendo o Flamengo, o céu é o limite.

O meu leitor regular já está acostumado à minha megalomania, então se eu disser aqui que o, ou um dos, objetivo(s) do Flamengo deve ser contratar o Cristiano Ronaldo ninguém vai estranhar. Mas temos que galgar passos. Vamos a eles.

Aparentemente, o projeto da atual gestão é de ser campeão do mundo. O objetivo final está traçado. Os save points também parecem ser definidos como o quadro da coluna anterior: ser campeão brasileiro em 80% dos campeonatos e da libertadores em 40%. Fantástico.

Aqui é que as coisas se confundem. Falta responder uma pergunta: como? “Para tudo, Anderson. Você falou que ‘como’ responde pelo planejamento”. Verdade. Por isso disse que confunde. Temos que entender que até o planejamento tem projetos. Claro. Para alcançar um determinado objetivo (o quê) temos que fazê-lo de alguma forma (como) e para fazê-lo temos que atingir determinado grupo de jogadores, proposta de jogo, engajamento de torcida,  estádio, treinador… Essas conclusões respondem à pergunta como ou o quê? As duas.

Vamos observar os save points atuais da gestão Bandeira e observar em que tipo de futebol quer chegar/propor e que treinador escolheu para tal. Em ordem: Dorival, Jorginho, Mano, Jayme, Ney Franco, Luxemburgo, Cristóvão, Osvaldo, Muricy, Zé Ricardo, Rueda, Carpegiani, Barbieri. Dá para ver que não bate, né? Vamos dar uma olhada no atual campeão da libertadores: Luxemburgo, Renato, Enderson, Felipão, Roger, Renato. Vê como o ponto fora da curva é o Felipão, mas depois voltam aos trilhos? Os modelos de jogo são semelhantes. A proposta de toque de bola e controle do jogo também. É possível traçar esse paralelo com os treinadores do Flamengo? Não dá.

 Não dá para criticar baseado em gostos pessoais, portanto vamos avaliar as propostas dos últimos quatro treinadores, pelo menos. São 11 excluindo Dorival e Barbieri. Alguém lembra como Muricy jogava?  O treinador tentou perverter a sua própria natureza para montar 433 mais ofensivo. Tinha boas ideias, mas como estava mais acostumado a montar times reativos não conseguia colocar para jogar. Zé Ricardo e Rueda parecem ter propostas mais semelhantes, já Carpegiani não tinha consistência defensiva e precisava de convicção para ajustar o time. Não teve. Para pensar na analogia com o vídeo game, podemos falar que é como o cara que começa uma missão e depois, no meio da outra, desiste e pega outra numa direção oposta. No Castlevania, quanto mais missões extras você pegar, mais longe do objetivo final ficará.

Quer a real? O Flamengo deveria pensar em ter um treinador top 10, talvez top 5 mundial. Mas, para isso, deveria trabalhar treinadores de degraus em escalada. Me desculpe o carpegiani, mas sair de Rueda para ele é uma involução grandiosa. Se você quer chegar no Guardiola, o time tem que ir evoluindo a a inteligência tática através do tempo. Voltar a treinadores de sistema de jogo diferentes muda muito o rumo. Não tem projeto, nem planejamento que dê conta. Agora fala-se até em Felipão. É dar uma volta de 180° graus.

Não vou fazer dessa coluna uma cruzada. Contudo já havia escrito sobre jogadores também. Numa próxima escreverei sobre eles aqui, mas entendo que já ficou entendido o que queremos dizer com projeto.

E, você? Onde acha que o Flamengo está patinando? Também acha que os save points* carecem de estudo? Não adianta só reclamar dos nomes usados, Guardiola e Cristiano Ronaldo podem dar lugar a Tite e William, muito embora eu ache justo.  Enfim, o projeto deve mirar alto, porque o clube merece. Vamos prosear.

Em tempo: que maravilha o treino aberto ontem. Uma torcida fabulosa que declarou seu amor de forma firme. Se conectar vai dar liga. Vai pra cima deles, Mengo!

Anderson Alves, O otimista.

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