Um desabafo do futebol

Até que ponto o amor por um clube é capaz de fazer você passar por cima de seus conceitos, valores, regras e de tudo o que você aprendeu durante toda a sua vida? Será que a paixão e a emoção, despertadas pelo futebol, suprimem a razão de tal forma, que se perde a noção do que é o certo e o errado?

Resolvi utilizar esse espaço hoje para tentar fazer você refletir. Não sei se conseguirei, mas não serei omisso, não vou ficar inerte, não vou ficar calado.

Vivemos em uma sociedade que a cada dia que passa se torna mais doente. A violência passou a ser comum no dia-a-dia do brasileiro, em especial das grandes cidades como o Rio de Janeiro, e o que deveria ser o alento, tem se tornado um perigoso caminho para essa triste realidade: o futebol.

Ultimamente temos visto cenas de racismo, preconceito, violência e intolerância no futebol de forma corriqueira. E o que mais impressiona é a grande quantidade de pessoas que acham isso normal. “Isso é futebol!” dizem eles, mas até que ponto a rivalidade deve ser entendida como normal?

Mais uma vez vimos um torcedor ser morto por uma torcida rival, e a pergunta que faço é: A rivalidade do futebol é tão grande a ponto de se tirar a vida de um torcedor do time rival? A rivalidade justifica o racismo? O preconceito? A violência?

O futebol adoece com a sociedade. Na verdade, ele é um dos maiores retratos desse momento triste pelo qual passamos, onde as ações quase sempre geram reações completamente desproporcionais e o ódio é cultivado e alimentado por diversos canais de comunicação.

Uma comemoração mal interpretada ou mal colocada é motivo de agressões, ameaças de morte e de outros diversos crimes, sim CRIMES! E para justificar tal ato, usa-se a desculpa da rivalidade no futebol. E não falo isso só pelo que aconteceu com Vinicius Júnior, que fez algo que há muito já vivenciamos no futebol com Romário, Viola, Edmundo, Túlio e outros, mas também com o acontecido no Ba-Vi, que teve 8 expulsões por causa de uma comemoração.

Vinicius Júnior é apenas mais um, que já enfrenta o ódio (!?) das torcidas rivais, muito pelo seu sucesso, afinal, com 17 anos já é a segunda maior venda do futebol brasileiro, mas também por questões que fogem ao entendimento de um ser humano com a mente sã.

Atualmente vivemos uma época de extremismos, de polarizações. Se você diverge de mim, você é meu inimigo. Se você não compartilha da mesma opinião que eu, você é meu inimigo. Se você torce para um time diferente do meu, você é meu inimigo. E o futebol, que deveria representar a integração do rico, do pobre, do branco, do negro, hoje sofre com a intolerância e virou alimento voraz para vândalos, marginais e até de pessoas “de bem” que se transformam em nome da paixão.

O resultado? Mortes, agressões, racismo, intolerância, estádios com uma torcida apenas, estádios depredados e as famílias cada vez mais longe dessa paixão.

O futebol é um grande espetáculo, mas não é feito por atores. As torcidas são adversárias, mas não inimigas. O que acontece dentro de campo não é motivo para que você esqueça tudo o que você defendeu ou aprendeu durante a sua vida e passe a ser um criminoso. Sim, criminoso, pois racismo, agressão e intolerância são crimes!

Uma derrota não é a morte e nem pode gerá-la. Lembre-se que após os jogos, os jogadores vão para suas casas, com suas famílias, e muitas das vezes confraternizam entre si. E você?

O futebol é paixão, emoção, mas… não se esqueça da razão, da educação e do respeito. A si e ao próximo. Para o bem do futebol, da sociedade e para o futuro de nossos filhos.

Pensem nisso. As camisas são diferentes, mas quem as enverga é gente de carne e sangue, assim como eu e você!

Deixem o futebol continuar sendo nosso maior patrimônio, meio de alegria, de lindas festas, e tendo o respeito de poder brincar com o vizinho ou amigo que torça para outro time, afinal, isso sim representa o verdadeiro sentido do futebol.

E hoje eu vou contradizer uma coisa que sempre costumo dizer, mas dessa vez por um bom motivo: É sim, apenas futebol!

SRN!

Jerônimo Simeão Júnior

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  • Watson Luiz Pereira

    Perfeita reflexão..bato na mesma tecla…” Imagine se fosse a torcida do Flamengo a fazer isso?”teríamos dias e dias de debates acalorados querendo punições exemplares e etc etc etc…mimimi de sempre..

  • ?GHOC?

    Rapaz, eu nem dormi de medo daquela velha fazendo sinal de cortar o pescoço, deviam contrata-la pra estrelar filme de terror.

  • Sérgio

    É impressionante o que esse garoto tem causado de raiva em todo torcedor brasileiro que não é rubro negro, é um ódio gratuito, e sem razão, pois não passa de um mulecão sorridente, E NÃO TEM NADA A VER COM O TAL CHORORÔ DAQUELE JOGO, isso já vem desde sua venda ao Real Madri. Eles não aceitam a ideia de um jogador formado na base do Flamengo chegar a um patamar que muitos dizem que o VJr pode chegar. Isso mostra o quanto o Flamengo é grande e incomoda no Brasil, se o Flamengo deslanchar e começar a ganhar título atrás de título, tem muita gente infartando nesse país.

  • Fernandel Walker

    Jerônimo Jr., seu texto é de tirar o chapéu! Poucas vezes vi por aqui uma visão tão clara e uma abordagem tão objetiva, incisiva, precisa e – porque não? – sensível, a respeito de alguma notícia ou evento. Seu comentário merece ser lido não só por rubronegros que aqui vem, mas por todos os torcedores do mundo, traduzido para cada idioma, já que esse problema não é só nosso. O futebol não pode virar pretexto para catarse psicopatológica, com o consequente cometimento de crimes de toda a espécie. E vc disse bem: com uma sociedade doente, tudo o que a rodeia tbm adoece. Os jogadores são amigos uns dos outros, mesmo jogando em clubes rivais. Os torcedores desses clubes se matam entre si.
    O que separa o ser humano do restante dos animais não é a inteligência, que todos os animais possuem, mas sim a Consciência, só presente no Homem. A consciência nos faz distinguir o certo do errado, e preferimos não fazer uso dela, preferindo agir como energúmenos. Talvez nem como tal, pois os energúmenos não matam, ou maltratam, por simples prazer, como fazemos. Seria uma ofensa ao restante dos bichos. Não se pode aceitar passivamente que numa sociedade dita “evoluída”, ainda persistam conceitos e pré-conceitos dos tempos das Cruzadas, ou da Inquisição Espanhola. A cabeça está no Século XXI, mas os pés ainda estão na Idade Média. Lamentável…
    Parabéns, Jerônimo, pela postura, pela consciência e pelo respeito aos valores fundamentais que deveriam nortear as vidas das pessoas. Obrigado pelo ótimo texto. Prova que, na Terra, ainda existe vida inteligente.
    SRN

    • Jerônimo Simeão Júnior

      Obrigado Fernandel. Parabéns pelo brilhante comentário .

  • Luiz Carlos

    Concordo com tudo Jerônimo, mas só um adendo, Vinícius não sofreu racismo como andam publicando, ultimamente qualquer tipo de menção ao negro é chamado de racismo, talvez as pessoas que publicam acham que apenas chamar um indivíduo de negro ou algo do gênero, é ser racista, ficam alimentando uma coisa séria mas que poucos sabem realmente o que quer dizer o preconceito contra o negro!

    • Sei que existem meios e ONGs que adoram aproveitar momentos como esse para aparecer e dizer que houve ato de racismo. Mas discordo da sua afirmação de não ter sido racismo, pois ao menos que você estava lá, nenhum meio de comunicação divulgou algo a respeito.
      O que realmente vem acontecendo com O Vinicius é uma perseguição adversária. Comentaristas que não conseguem esconder seu ódio pelo Flamengo(Jr Pernambucano, PC Vasconsellos e outros). Jogadores que o agridem em campo como os socos nas costas que ele levou e o adversário sequer foi advertido com cartão.
      PC Vasconsellos sempre acha que os dribles vindos de jogadores do Flamengo é desnecessário. Será que ele achava isso quando Garrincha do seu Botafogo deita e rolava contra o Flamengo?
      Vejam que ele hoje de manhã num jornal, disse que o lance mais lamentável do jogo foi a entrada violentíssima do Vinicius no Igor e sequer comentou o penalti no Paquetá!
      Ao expulsar o Vinicius que nem cartão amarelo tinha, o juiz se livrou do problema que tinha com ele em campo driblando e apanhando.
      E voltando ao lance da sua saída, vejam que cena lamentável de idosos xingando o garoto e fazendo gestos escrotos frente às câmeras. Retrato de uma sociedade atrasada.
      Claro que se fossem argentinos estaríamos aqui com raiva!
      A real verdade é que esses 3 inferiores do Rio andam fazendo qualquer polêmica quando o assunto é Flamengo, pois não ganham títulos e veem no Flamengo um trampolim midiático.

      • Luiz Carlos

        Barros, foi publicado que por palavras como “neguinho safado”, partida de torcedores do Botafogo, culminavam ou ao menos que tomariam investigação por um ato racista, por essa informação que eu descordo absolutamente que tenha havido qualquer ato racista, e fui além porque acho que poucos sabem o que é um ato racista na sociedade e imaginam que tudo passa apenas por chamar um negro de negro. Repito xingamentos e ofensas jamais deixarão de existir no futebol, e principalmente em uma sociedade tão pobre de respeito como a nossa, as imagens, querido Barros, apenas evidenciam o caos que vivenciamos a cada dia que se passa. Quanto ao “antis”, sabemos que existem e que tudo, por mais que não concordemos, também fazem parte do futebol, comentários tendenciosos não cessaram, pode acreditar, não apenas contra nós mas assim no geral. A minha opinião é que escorregando ou não Vinicius foi imprudente, assumiu o risco da jogada e por isso deveria ser expulso, assim como deixaram de expulsar um jogador do Botafogo por uma entrada tão acintosa, ou melhor, mais acintosa, visto que consideramos a possibilidade do VN ter realmente escorregado, que nosso jogador sofreu, não tenha dúvida que Flamengo é a
        “cobiça” de muitos, alguns preferem “perder sorrindo do que ganhar chorando”. SRN!

  • excelente texto Jerônimo
    como sempre, parabéns ,concordo plenamente

    • Jerônimo Simeão Júnior

      Obrigado Iram! SRN!