Soberba? Eu!? Tinha tudo para dar certo… E acreditem em mim, o Flamengo é a chave para a sobrevivência do Futebol Brasileiro.

 

“Sempre eu hei de ser” um peladeiro… Campo de terra, camisa contra sem camisa, final dramática, 1 x 1, próxima bola para fora acaba, terminou empatado saem os dois times… cruzamento na área, bate-estaca, o zagueiro polaco faz o corte em um carrinho monumental, a bola vem quicando para você, mansa e devagar, goleiro mal posicionado, a redonda vem quase que magneticamente atraída para a sua canhotinha dourada, você, sem marcação, sem vento, sem sol na cara, sem ter tomado o pé na bunda da morena, mente tão limpa quanto a de um monge tibetano, a chuteira amaciada, seria gol na certa… naquele segundo, o feio-da-porra, zagueiro do seu time que foi dar uma força no último ataque, avança sobre a bola que já tinha o seu nome, estava te dando mole, você, em vão, grita no alto dos seus pulmões, DEIXA!!!!!! Mas, feio-da-porra prefere ignorar o seu grito retubante, e enfia uma injeção no olho da bola, mandando-a para depois da pqp.

Tenho certeza que o EBM era zagueiro nas peladas do terrão e não o meia habilidoso, canhoto, que passava a bola para aqueles que faziam melhor outras funções, como driblar o goleiro, por exemplo…. EBM era o zagueiro fominha, que pegava a bola na saída do goleiro e, sempre, tentava driblar o time inteiro… quando perdia a bola ele reclamava de alguém! As coisas pioraram sensivelmente quando o EBM ganhou uma bola e virou o dono da pelada. Além de zagueiro, ele também era o técnico, o roupeiro, o presidente, meia direita e esquerda ao mesmo tempo e, eventualmente, goleiro linha na pelada de terra! Um assombro….

No Flamengo se a parte financeira da diretoria for corrompida pela ineficiência no departamento de futebol, ou seja, gastos desajustados, acabam as minhas esperanças de que haja alguma melhora no futebol do país. Se times pequenos acertarem a parte financeira e começarem a ter sucesso, nada vai mudar… a melhoria tem que ser no TIME DA MASSA, O MAIOR TIME DO PAÍS!

Aqui, eu começo a ser apedrejado!  O Brasil é o maior país (em população) onde o futebol é o esporte preferido. Soma-se isto a uma escola tradicional e vencedora e tem-se um resultado ainda mais favorável. Não tanto quanto deveria, mas, ainda assim, incontestavelmente, o país do futebol! Brasileiros têem a tendência de desconsiderar o tamanho do celeiro e a atribuir a qualidade do futebol local, exclusivamente, à escola nacional. De fato, não há como negar. Mas, se a escola nacional não melhorar, e rápido, logo seremos ultrapassados por escolas tradicionais e com um celeiro muito menor.

Quando olhamos para o campeonato nacional entramos em depressão!

A draga do futebol doméstico é inegável. Embora não seja preciso, volto longe: em 1958, no supercampeonato, havia 7 titulares da seleção campeã do mundo nos times que disputavam o triangular final – Orlando, Bellini e Vavá (vasco); Nilton Santos, Didi e Garrincha (botafogo); e Zagallo (Flamengo). O mengão ainda tinha Dida e Joel.

Depois de assistir Botafogo (0) e Fluminense(3), quando o time de meninos do Fluminense engoliu o time de meninos, e desconhecidos, do Botafogo, paira a questão: onde vamos parar? Há como o nível baixar ainda mais? Esse mesmo time que foi engolido, nos engoliu. A chance de uma tragédia e de uma potencial chuva de devaneios e ações irresponsáveis como tínhamos no passado, aumentam exponecialmente.

Vamos ao Flamengo e  ao seu profissionalismo, na gestão e estrutura organizacional. No começo, de forma silenciosa, e agora de forma  aberta e reconhecida, o Flamengo está promovendo uma revolução no futebol nacional. Com contas em dia, arrecadação organizada, excelentes vendas de jogadores jovens, centro de treinamento de primeira linha, e melhorias e vitórias nas categorias de base, o Flamengo está diante da possibilidade real de ser a chave da mudança no cenário nacional. Mas e o futebol? e aí?!

Penso que não verei o Flamengo, ou nenhum outro time da América do Sul, rivalizando com os grandes da Europa, como fazíamos no passado. Não acho que seja possível! Porém, vejo sim a possibilidade de os times grandes do Brasil se estruturarem de modo a atingir o mesmo nível dos times médios e/ou grandes de segunda linha da Europa. Algo como top 20, se tudo der certo!  Para tal, além de infraestrutura, é preciso planejamento tático de longo prazo cujo alicerce tem que começar nas categorias de base… (minha próxima coluna será sobre a base).

Parando de enrolar, imagino que: se tudo der certo, se a responsabilidade fiscal se espalhar pelos clubes (espero mesmo que todos se profissionalizem), se a CBF deixar de ser esse antro de retrocesso e zagueiros ruins, pode ser que tenhamos um campeonato nacional forte e interessante. No que se refere a times, ainda se tudo der certo, imagino: times formados por muitos garotos da base, e com dois ou três jogadores mais rodados, possivelmente voltando da Europa, enquanto os jogadores mais jovens ficariam por aqui mais alguns anos e só então seriam vendidos para fora (pelo menos iriam embora um pouco mais tarde do que atualmente). A diferença para o que vem acontencedo agora seria que no futuro a base proveria muito mais jogadores de qualidade do que hoje e, ainda, que os jogadores – desde a sub-17, já deveriam estar preparados para saber como vão jogar quando subirem. É preciso que tenhamos mais jogadores, mas muito mais jogadores, do quilate de Vinícius Júnior e Paquetá, subindo, quase todos os anos…

Agora, cenário negro e possível à frente (possível quer, simplesmente, dizer que pode acontecer e não que vai acontecer com certeza): o Flamengo enterra essa gestão financeira, volta a ser a feira da fruta que foi no passado, ganha títulos isolados, e voltamos a 10 anos atrás. Naquele passado longe havia menos chacota no campo, porque não tínhamos expectativa nenhuma… Não havia a história de cheirinho. Se o futebol fracassar, todo o projeto financeiro vai fracassar, o estatuto será rasgado…

Por favor, feio-da-porra, deixa aquela bola para quem sabe! Gol na certa!  Por anos, o nosso zagueirinho se intrometeu onde não sabia nada, acreditou que o dinheiro iria resolver tudo e que planejamento de verdade iria ser resolvido com o tilintar das moedas… não trouxe quem de fato sabia, demorou muito para fazer mudanças, foi complacente com incompetentes e, apesar do sucesso econômico, o nosso zagueiro baixinho, feio-da-porra, deu uma injeção no olho da bola no ano de 2018 e, possivelmente, perdemos, ou perderemos, mais uma oportunidade.

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