Os malefícios de juntar esporte com política

Salve, salve, companheiros (as) de Coluna do Flamengo! Tudo bão? Pois é, estamos a horas de encarar a equipe do chororô pelas semis do Euricão 2018. Meus colegas colunistas já dissertaram sobre esse jogo e os problemas do time de Carpegiani (até porque, é de conhecimento geral nossas fraquezas). Por causa disso, prefiro trazer hoje um tema diferente: o quão complicado pode ser a união entre esporte e política.

Acredito que todos (as) aqui viram que o nosso presidente, Eduardo Bandeira de Mello, filiou-se ao Rede (partido da presidenciável Marina Silva) no final da semana passada. Em nota divulgada no site da legenda, o mandatário rubro-negro disse que não sabe “o que vai acontecer nas eleições”, mas que está “à disposição para o que for melhor para a Rede e o que for melhor para Marina”.

Não é de hoje que o tema “Bandeira 2018” vem à tona. Desde o ano passado é noticiado que o flamenguista pode se candidatar ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Agora, mais recentemente, as especulações dão conta que ele possa vir como Deputado (Federal ou Estadual).

Caso confirme a candidatura, Bandeira não será o primeiro, nem o último a usar a presidência de um clube brasileiro como trampolim político. Temos, na história, Eurico Miranda (ex-deputado federal), Zezé Perrella (atual senador por Minas), Andrés Sanchez (ex-deputado federal), Alexandre Kalil (atual prefeito de Belo Horizonte-MG), entre outros.

Considero uma mistura complexa entre política e esporte. Imagina uma eventual campanha…. Bandeira vai aparecer nas rádios, nas TVs e na internet batendo no peito e levando os belos números que conseguiu na administração do Flamengo. Teremos nossas finanças expostas, os planos que levaram a gente a ter o maior faturamento do futebol brasileiro, além de algumas inverdades, na onda das “fake news” que dominam as eleições.

Consegue imaginar o quanto a instituição vai ser explorada? Bandeira já foi diretor do BNDES, mas se tornou figura pública e conhecida em todo o país quando assumiu a presidência do Mais Querido, em 2013. O sucesso administrativo à frente de um clube tão endividado o faz ser colocado no hall dos melhores dirigentes do nosso futebol. Mais uma vez, consegue imaginar o quanto o Flamengo vai estar envolvido nas eleições?

Isso é perigoso para a imagem do clube…. e se a moda pegar? Vale lembrar que em 2010, Patrícia Amorim assumiu sendo vereadora do Rio de Janeiro. Na época, foi noticiado, e muito, que ela desejava dar um salto na carreira política, se transformando em Deputada Federal. A história, todos nós conhecemos… gastou demais, afundou o clube em dívidas, não nos deu títulos e quase fomos rebaixados.

Bandeira não vai fazer isso, porque jogaria fora toda a política de austeridade e sucesso administrativo/financeiro. No entanto, exergo que toma algumas atitudes pensando numa melhora da imagem perante à torcida (escrevi sobre isso. Você confere aqui). Um dos fatores para essas tomadas de decisão pode ser o pleito de outubro.

Caso vá para Brasília, deve se juntar ao que é conhecido como “Bancada da Bola”, grupo de Deputados ligados ao esporte. Estes parlamentares, na verdade, nada fazem de bom para melhorar nosso futebol. Conseguindo, inclusive, ajudar na articulação que reduziu o Profut a uma mera lembrança de uma noite de verão. O que era pra ser o início de um processo de reformulação administrativa do nosso futebol (e que contou com intensa participação de Bandeira, que se reuniu inclusive com a presidenta Dilma Rousseff) foi reduzido às cinzas.

Não que Eduardo vá ser igual aos que lá estão…. mas, será que será um Deputado progressista, no sentido de pensar e pautar melhorias para o esporte bretão? Acredito que não, principalmente se olharmos pro histórico conciliador que adotou à frente do Mengão. Deixou de lado as críticas à CBF, não chiou com o fim do Profut, abriu mão de “revolucionar” quando participou da criação da Primeira Liga, entre outros problemas.

Caso seja eleito, qualquer decisão que tome como parlamentar respingará no Flamengo. Afinal de contas, a torcida foi sua base eleitoral. Consegue entender como pode ser perigoso para um clube que está no processo de melhorar a sua imagem?

Defendo, de forma mais radical, que nenhum presidente possa se candidatar a cargo público enquanto estiver à frente de um clube. O uso do espaço institucional para uma campanha é gigantesca!! O Rio de Janeiro é um reduto rubro-negro (só na capital, mais da metade da população é flamenguista). A onda de influência do Bandeira é muito grande, principalmente se levarmos em consideração que os eleitores brasileiros são passionais, ou sejam, votam por motivos muito mais subjetivos do que racionais.

Não é nada contra ao Rede. Minha crítica seria a mesma caso ele se filiasse a qualquer sigla. Mas, Bandeira tem uma vantagem… se o Flamengo for bem até outubro (o que é difícil, mas pode acontecer)… tem condições de ser eleito Presidente da República. Afinal…. mais de trinta e cinco milhões de pessoas ficariam divididas na hora que estivessem frente-a-frente com urna eletrônica.

Matheus Brum
Jornalista
Twitter: @MatheusTBrum

Gostou? Comente! Não gostou? Comente mais ainda! Mas, por favor, vamos manter o diálogo sem xingamentos ou palavras de baixo calão. O bom diálogo engrandece o homem e nos faz aprender, diariamente!

55 Comentários
Carregando comentários...