Bruno Guedes: “Paquetá não merece esse time do Flamengo”

Há cerca de um ano a torcida do Flamengo reclama, com razão, da falta de entrega da equipe nos jogos mais importantes. Concentração, intensidade e, principalmente, consciência da grandeza do clube. Os líderes técnicos – pelo menos supostamente – desse time não assumem tal responsabilidade e falham nas horas decisivas. Porém, um nome, um jovem, vem encarnando exatamente tudo isso que pede a exigente massa de apaixonados rubro-negros: Lucas Paquetá.

Paquetá sempre se destacou nas categorias de base por sua polivalência, podendo exercer diversas funções quando exigido. Dono de uma qualidade técnica que a cada temporada se desenvolve mais, o meia atacante se tornou peça chave na engrenagem de um time que não funciona e depende da sua força para levá-lo à frente. Bagunçado e sem nenhum repertório ofensivo, é o jovem de 20 anos que busca com seus lampejos algo a mais.

Já era assim em 2017, quando Reinaldo Rueda, ex-treinador e que hoje está no Chile, identificou esse problema. Mexeu na equipe quase toda, colocou intocáveis no banco e sacudiu o elenco com atletas da base que tentaram ganhar espaço. Destes, Paquetá foi quem mais se aproveitou. Sem as características de velocidade que outros, agarrou sua vaga jogando como atacante, falso 9, meia, ponta… fez e tentou de tudo. E sempre, como dizem os argentinos, “deixando a vida em campo”.

O ano virou. Sem nenhuma mudança tática relevante e a mesma falta de vontade de antes, continuou sendo Lucas o grande nome em meio a tantas estrelas. Continua ele, sozinho, sendo um torcedor dentro do jogo. Corre o tempo todo (às vezes até de forma exagerada e deixando espaços defensivos), tenta algo novo, foge do normal, acrescenta qualidade onde sobra obviedade.
Paquetá, hoje, é o melhor jogador do Flamengo. Não só por suas participações destacadas no fraquíssimo Campeonato Carioca, mas porque encarnou o espírito que está ausente. Como diz Guardiola: “Não basta só a parte tática”, que já é deficiente ao extremo nesse time. É necessário intensidade, atenção e participação sem a bola. E Lucas tem tudo isso.

Já começaram as especulações acerca do seu futuro e uma transferência internacional no meio do ano. É possível sim que isso aconteça. Mas por méritos do jogador, que já nessa pouca idade mostra a maturidade que muitos europeus buscam desenvolvê-la ao longo da carreira.

Uma coisa é fato: Paquetá não merece esse time do Flamengo.

Reprodução: Bruno Guedes | Goal 

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