Não sou bandido

Eu não sou bandido, e 99% dos que vão ler isso também não são…

Eu estava lá. Acordei mais cedo que de costume, já que não conseguia dormir direito esperando aquele momento, fui trabalhar e as horas demoraram a passar, finalmente quando chegou a hora de sair, vesti o manto sagrado e parti para o Maracanã, para aquela que deveria ter sido a noite mais mágica dos últimos anos. Não foi bem assim…

Entrei cedo no estádio, encontrei alguns amigos, todos na mesma vibe, no mesmo sentimento, era para ser especial. Dentro do estádio, a atmosfera foi mágica, fazia tempo que não via a torcida daquele jeito, os sinalizadores acesos, bandeirão descendo, mosaico, cantos…

Lembrei um pouco da torcida de antigamente, naquele momento éramos mais um em campo, aquela sim era a magnética, a torcida que sempre se notabilizou pelos shows na arquibancada, a torcida que virou patrimônio cultural do Rio de Janeiro, a Nação Rubro-negra, que cantava, se emocionava, dava show.

Ali dentro, naquele momento, não tinha separação de cor, credo, classe e nem de caráter. Eram todos rubro-negros, em um só objetivo. Talvez aí esteja o grande segredo. Ali dentro eram todos “Rubro-negros”. Desde o mais honesto, trabalhador, humilde, pacífico, ao mais marginal, baderneiro, vândalo.

A camisa que se veste não identifica se você é vítima ou bandido. Não ali. Não naquele momento.

Ao final do jogo, triste com o resultado, sai rapidamente já antevendo a barbárie que aconteceria. E ali começa a história mal contada que virou verdade. Não estou tentando tapar o sol com peneira ou questionar o que aconteceu, mas questionar a generalização da torcida do Flamengo como uma torcida de bandidos.

Eu não sou bandido. Paguei caro pelo meu ingresso. No meio do despreparo dos que deveriam me proteger, fui atingido por spray de pimenta e tive que correr em meio a tiros de bala de borracha para chegar ao meio de transporte que necessitava para sair daquela confusão.

E eu não era o único, em meio a mais de 70 mil pessoas, 2 ou 3% estavam ali para fazer daquele local uma praça de guerra, já a gigantesca maioria, que estava com sua família só queria torcer. Me deparei com pais protegendo seus filhos de bombas jogadas para o alto e do spray de pimenta que era lançado indiscriminadamente para todos os lados.

Vi marginais jogando garrafas de vidro para o alto, quando tentava me abrigar em um lugar seguro. Assim como aquelas cenas lamentáveis que depois vimos pela televisão me fizeram sentir vergonha e repulsa daqueles que vestiam a camisa rubro-negra fazendo aquela selvageria.

Existem ônus e bônus de ser uma torcida tão gigantesca. A pluralidade de seus integrantes é obviamente uma delas. Para ser rubro-negro não existem restrições à cor, à religião, à classe social e infelizmente também ao caráter. O bandido vai continuar sendo bandido, mesmo que torça para o Flamengo.

Mas eles não são maioria. E nem podem representar uma torcida tão gigantesca como a do Flamengo.

Eu não sou bandido. Todos os rubro-negros que conheço também não são. Aqueles não nos representam. E nós, os rubro-negros de bem sentimos vergonha daqueles que “barbarizaram” naquela noite.

E não vou ficar calado enquanto todos nos rotulam. Vou soltar a voz ao vento. Torcendo para que alguém ouça e faça coro. Torcendo para que as autoridades identifiquem e punam os marginais responsáveis por cada ato de violência ou vandalismo.

É isso que espero. Como cidadão, como vítima, como rubro-negro e como um pai que quer ter a coragem de voltar a levar seu filho ao Maracanã.

#SomosTodosMenosAlguns

SRN!

Jerônimo Simeão Júnior

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