Coluna do Torcedor: “A maior torcida do mundo faz a diferença”

Infelizmente, a tal frase sempre propagada por nós rubro negros, dessa vez tem uma verdade às avessas. Como assim? Eu explico.

O Flamengo em 2017 tropeçou nas próprias pernas e na ansiedade da torcida que se refletiu no time. É visível como os jogadores facilmente se abalam psicologicamente dentro de campo. Um gol é suficiente pra desmoronar tudo que se construiu em todos os minutos anteriores. E foi justamente isso que aconteceu naquela fatídica final (nos dois jogos). Bem como é isso que justifica o frango histórico de Thiago na final da Copa do Brasil.

Ninguém, absolutamente ninguém rende em nada na vida se não estiver bem psicologicamente. Os jogadores retratam a afobação e o nervosismo que, infelizmente, vem da arquibancada.

O Flamengo, naquela noite de 13 de dezembro, perdeu mais que o título. Perdeu a enorme chance de reconciliar torcida e time e chegarem a um ponto de apoio mútuo, de paz.

E não, isso não dependia da vitória em campo, e sim fora dele. Tínhamos que ter cantado mais forte e mais alto durante todo o jogo, cantado palavras de amor ao clube e cantar ainda mais forte após o apito final, mesmo com a derrota, e entrar pra história como a torcida mais apaixonada do mundo e que realmente “faz a diferença.” Imagina permanecer com as arquibancadas cheias vibrando e cantando mesmo após perder o troféu, só por ser Flamengo. Utopia, eu sei. Mas era isso que se esperava de uma torcida.

Ao contrário disso, chamamos os jogadores de sem vergonha, e deixamos o Maracanã vazio pra festa Argentina ecoar ainda mais forte e melancolicamente protagonizamos um show de horrores do lado de fora do estádio. Atropelamos, roubamos, agredimos e ferimos ainda mais o coração já doído com a derrota, que podia ser acalentado simplesmente ficando no Maracanã e cantando. Simples né Devia ser simples.

E por mais que eu saiba que os criminosos que lá estavam não representam o caráter de 40 milhões de pessoas, e por mais que eu saiba que gente desse tipo tem em todas as organizadas. A minha reclamação é porque os outros torcedores comuns não ficaram no estádio após o jogo pra realmente fazer a diferença?

O que fica de conclusão pra mim que esse ano o problema não foi o dopping do Guerrero, as contusões de Berrio e Diego Alves, nem a péssima fase de Muralha, Rafael Vaz, Gabriel, Rômulo, Everton Ribeiro e Diego ou do sempre odiado Márcio Araújo. O problema, dói admitir, mas foi a torcida, que não sabe perder, não sabe apoiar e agora também não sabe torcer.

SRN.

Thiago Mota, rubro negro de Natividade – RJ

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