Sim, fomos iludidos!

Fala Nação Rubro-Negra, beleza? A partir de hoje, todos os sábados vou estar usando este espaço do site Coluna do Flamengo para falar, elogiar, criticar e opinar sobre o Mais Querido, o clube mais invejado do Brasil!! Sejam todos bem-vindos!

Para começar esta nova empreitada, nada melhor do que falar de algo que há tempos tenho pensado bastante: a ilusão criada com o time do Flamengo. Se puxarmos na memória, no início do ano, diversos jornalistas e comentaristas esportivos cravavam que o nosso elenco era um dos melhores do país. Infelizmente, muitos de nós caímos neste “conto do vigário”. Na época, tinha minhas dúvidas sobre isso, algo que foi se confirmando com o passar da temporada.

Em termos de nomes, era inegável que éramos os mais fortes. Mas, como diriam os mais antigos, “o papel aceita tudo”. O que vale no futebol é o campo e bola. Nisso, muitas das contratações deixaram a desejar. Rômulo, Conca, Rhodolfo, Geuvânio, Renê, Berrío, etc. Em quase todos os anúncios de novos jogadores, membros da crônica esportiva saudavam o atleta como uma baita contratação.

O tempo passou e a verdade foi aparecendo…. o “mito” do melhor elenco do Brasil foi deixado para trás. Tanto que precisamos trazer jogadores no meio da temporada, que também não deram certo (com exceção de Diego Alves e, fazendo muita força, Éverton Ribeiro). Algumas fragilidades do nosso elenco só começaram a ser percebidas ao longo dos jogos. Por exemplo, se olharmos para o nosso banco hoje, veremos poucas opções que de fato podem entrar e desequilibrar a partida. A prova cabal disso é a utilização dos garotos formados na base nas pelejas. Para quem tinha um elenco tão estrelado, terminar o ano dependendo de jogadores com menos de 20 anos é, no mínimo, estranho.

Na esteira deste processo, vem outro problema, a falta de planejamento do departamento de futebol na montagem do elenco. Na metade do ano, escrevi sobre isso e fui duramente criticado e xingado por muitos. Mas, na ocasião, já começava a demonstrar preocupação na forma como estava sendo feita a análise do grupo. Muitos jogadores para uma posição, poucos para outra. Até hoje, somos refém de Willian Arão, por exemplo. Não temos um único volante que saiba fazer a função “box-to-box”. O que tínhamos, está emprestado ao Atlético-GO, e quando estava no Mais Querido nem era relacionado.

É inconcebível contratar Conca e Rômulo e não saber da capacidade física de cada um deles. O argentino não entrou em campo, sendo que a previsão era começar atuar em maio. Nos treinos, vira e mexe aparece fazendo gols de falta, dando lançamentos, etc. Mas, jogar que é bom, nada! Rômulo, a mesma coisa. Pesado, sem ritmo, sem vontade. A única explicação para este fenômeno é uma entrevista do Zé Ricardo dizendo que o volante foi utilizado cedo demais. Cadê as explicações do Departamento Médico e de Futebol sobre os dois? Em alguns momentos da temporada o camisa 27 fez trabalho de fortalecimento muscular sem ao menos ter entrado em campo!

Todo este contexto nos leva a perceber que fomos iludidos com o ano mágico. Só que acreditamos tanto na diretoria quanto nos meios de comunicação, que muitos de nós deixamos de pesquisar sobre a real situação de cada atleta. No nosso imaginário, eles estavam vindo para o Flamengo no auge da forma técnica, prontos para vestir o manto e nos dar alegrias. Contudo, não foi isso que aconteceu, e sofremos derrotas importantes ao longo da temporada.

É inconcebível ter que decidir uma Copa do Brasil com o Muralha no gol. Desde o final do ano passado, ele já apresentava sinais de que não estava bem. A diretoria resolveu apostar no atleta – o que é legítimo. Mas, que se precavesse e tivesse pelo menos um reserva para entrar e garantir nossa paz. Eles fizeram isso em 2016. Não confiavam no Paulo Victor e trouxeram o atual camisa 38. Qual a diferença entre um ano e outro?

Mais lamentável ainda é corrermos risco de irmos para outra final sem goleiro! Alguns diriam que é falta de sorte. Particularmente, não acredito nisso. Acredito em planejamento e competência. Algo que passou longe da Gávea neste ano. Todos os problemas que vivemos não são por falta de cobrança ou de raça, e sim de planejamento. Esbanjamos dinheiro, mas compramos mal. Torramos dinheiro com atletas que não entregam o que era esperado. Mesmo assim, a diretoria vendeu o discurso do “ano mágico”, onde ganharíamos tudo. Pois é, não passou de uma grande ilusão. Infelizmente, caímos nela.

Que a força esteja conosco! SRN

Matheus Brum
Jornalista

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