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Deixem o homem trabalhar!

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Certamente muitos já se esqueceram, mas há alguns meses éramos terrivelmente confrontados com os maus resultados e burocrático futebol da equipe comandada por Zé Ricardo. Por falta de ímpeto masoquista, não me prolongarei aqui sobre os detalhes fatídicos do comando zé ricardiano, mas vos recordo que, tão terrível quanto ver em ação a trupe de Márcio Araújo, Vaz, Gabriel e ZR era olhar pro mercado de treinadores disponíveis à época.

Entre nomes desconhecidos e medalhões, emergiu o clamor por Reinaldo Rueda. A verdade é que ninguém o conhecia, de fato, mas o impressionismo brasileiro com estrangeiros-salvadores-da-pátria-alheia e seu currículo recente o tornavam uma excelente opção. Afinal, se o cara ganhou uma Libertadores com um elenco de baixo investimento, o que ele não poderia fazer com o milionário Flamengo? Na época não sabíamos, mas, como bons praticantes da pouca inteligência, nos demos por satisfeito com a velha prática do “nivelar por baixo”. Dessa forma, todas as dúvidas e ponderações quanto ao pouco conhecido Rueda eram sanadas com um ríspido “pior que Zé Ricardo ele não pode ser!”. Para muitos, uma dedução de superioridade de algo sobre outro algo já considerado ruim é motivo suficiente para uma decisão tão importante. De que lado está a passionalidade, nesse caso?

De um modo ou de outro, Rueda chegou. Felizmente, o colombiano se mostrou um bom treinador, apesar de nosso método breve e falho de segregar bons e ruins. De cara já ajeitou um de nossos maiores problemas, que era a fragilidade defensiva. Com uma simples alteração no modelo de jogo dos laterais, diminuiu consideravelmente a média de gols sofridos – ao passo que declinou a média de gols marcados. Se o time não tomava mais tantos gols, por um lado, por outro também não marcávamos como antes.

Analisando de maneira mais ampla, entretanto, o futebol de hoje é melhor jogado do que o da época de Zé Ricardo. Mas, verdade seja dita, grande parte dessa mudança partiu pelas alterações técnicas compreendidas. Cuéllar, Diego Alves e Éverton Ribeiro, que outrora não tiveram oportunidades ou condições legais, técnicas e físicas ideias para atuar, entraram em ação praticamente sob o comando de Rueda. A qualidade cresceu, mas o futebol burocrático permanece.

Reinaldo tem elementos de muito mérito, mas carece de muitas correções a serem trabalhadas. Com um elenco como o nosso, ainda somos reféns da falta de variação ofensiva. Ainda dependemos dos pontas burros (lembremo-nos que a assiduidade de Ribeiro se deve à lesão de Berrío), ainda jogamos no vício de sempre rolar a bola para as limitadas laterais do campo. Ainda deixamos um centroavante isolado e incomunicável no ataque, e ainda dependemos religiosamente dos cruzamentos à área.

Rueda ainda merece tempo e crédito, principalmente por se tratar de um treinador estrangeiro com pouco conhecimento sobre o futebol brasileiro. Ele já mostra resultados de seu trabalho, apesar de ainda ter muito para produzir. Mas, e quanto a nós? Estamos atribuindo a Rueda a mesma impaciência que tivemos para com Zé Ricardo, ao final de seu trabalho? A mudança foi feita, agora devemos dar tempo ao tempo. E quanto ao colombiano, “deixem o homem trabalhar”…

SRN!

Rodrigo Coli

Twitter: @_rodrigocoli   

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