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Coluna do Torcedor: “Um problema além dos gramados”

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De certa maneira, as críticas de torcedores comuns são fáceis: exaltam, comemoram e tiram sarro dos rivais em caso de vitórias. Na derrota, porém, passam a reclamar de técnico,jogadores,diretoria…no fim das contas não sobra
nenhum ileso na história. As análises, na grande maioria dos casos, pesam mais pros resultados do que pelo desempenho da equipe como um todo ao longo da temporada.

Dados os problemas corriqueiros deste Flamengo atual, uma coisa me chamou atenção: em um dos Resenhas ao Vivo, o comentarista Marcão Beton deu exemplos de refugos do Flamengo que hoje estão no Grêmio, e questionou se realmente o grande problema do nosso rubro-negro estaria ligado somente a presença de jogadores limitados. De fato é um questionamento pertinente. Não perdemos no domingo somente pra um time finalista de Libertadores, perdemos pra quem tinha em campo jogadores como Fernandinho e Jael Cruel (jogadores que já atuaram no Mais Querido), atletas que no quesito qualidade técnica não são muito diferentes dos velhos conhecidos e perseguidos pela torcida.

Pra botar mais lenha nessa discussão, na Libertadores vimos equipes como Lanús(ARG) e Barcelona de Guayaquil(EQU). Mesmo com orçamentos um pouco mais modestos e com elencos menos valiosos, compensaram ao apresentar um futebol taticamente disciplinado, com grande disposição física e um psicológico quase inabalável. Se até estes, apesar de suas limitações, conseguiram ir tão longe na competição mais importante da América do Sul (o primeiro chegou às semifinais batendo equipes fortes do Brasil, enquanto o outro é finalista após vencer o tradicionalíssimo River Plate), o que realmente
falta ao Flamengo?

As respostas para as soluções dos problemas são inúmeras: mandar o técnico embora, montar uma barca enorme, contratar meio time… talvez tudo isso não baste pra resolver certas questões, infelizmente. Entretanto, os grandes questionamentos devem se direcionar para quem compõe a cúpula hierárquica do Flamengo.

Nossa atual diretoria, por mais que faça um trabalho homérico por ter tirado o clube da lama e por promover um verdadeiro milagre econômico nas finanças, parece não conseguir ajustar os eixos no que tange o futebol. Tem-se a impressão de que não importam vitórias, títulos importantes…é como se só competir bastasse e nada mais importasse. Entrevistas como as de Mozer nos faz parecer que a gestão atual vive numa realidade alternativa mais surreal que propagandas de governo. Se a meta era realmente vencer um carioca após investimentos pesados, isso mostra que a competência e a seriedade da administração não está sendo bem aplicada no esporte que todos nós amamos.

O comum acordo do grupo de Eduardo Bandeira foi de arrumar a casa no primeiro mandato e só depois qualificar o elenco para a conquista de títulos que realmente valem a pena ser comemorados, e não um campeonato estadual que há décadas perdeu prestígio. Em meio as nomenclaturas chulas como “falsos
rubro-negros”, “amantes das diretorias passadas” e “plantadores de crise”, seria a torcida a errada da história em cobrar o que foi prometido? Estariam errados os torcedores em questionarem altos investimentos para poucos resultados em campo?

Nosso elenco hoje em dia não é ruim, mas foi mal montado. Não temos um goleiro à altura pra ser o imediato de Diego Alves. Nossos laterais estão abaixo do nível técnico ideal se compararmos com os das quatro melhores equipes do Brasileirão. Há tempos nos falta um atacante de beirada incisivo, habilidoso, que não tenha apenas vigor físico, velocidade e boa recomposição. E falta aquilo que é um consenso de todos: um centroavante com faro de gol. Entretanto, nada disso adiantará se o planejamento de metas e cobranças por maus resultados não forem levados a sério. É preciso de uma mudança urgente
de mentalidade, de uma autocrítica minuciosa, pois o presidente do Flamengo merece um título importante após resgatar a credibilidade do Maior do Mundo. Com isso, aquela ideia inversamente proporcional de sucesso nas finanças ou no futebol cairia por terra.

Futebol sempre será o carro chefe do Flamengo. Como nem tudo são flores, caso não ganhemos um título de peso até o final de 2018, Bandeira de Mello correrá um risco seríssimo de não conseguir eleger um sucessor para a cadeira mais importante da Gávea nas eleições do mesmo ano. Caso isso ocorra, os motivo pra uma possível derrota poderão ser vários, mas não serão
por falta de aviso.

Por Vinícius Quintanilha

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