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Títulos honoríficos do Fla não seguem estatuto do clube

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Foto: Gilvan de Souza

O Flamengo tem dez categorias em seu quadro associativo. Entre eles há a categoria de Sócio Emérito. É um título honorífico, você não compra. Segundo o artigo 6º, parágrafo 3º do estatuto do clube, o Sócio Emérito “é o associado que, por período igual ou superior a cinco anos, prestar relevantes serviços ao FLAMENGO, a juízo do Poder competente”.

Para ganhar o título, o sócio tem que se candidatar para a vaga. Ele deve criar um currículo para comprovar os cinco anos de relevantes serviços prestados ao clube. A inscrição da candidatura é feita na secretaria dos conselhos. O nome segue para uma comissão nomeada e indicada pelo presidente do Conselho dos Grandes Beneméritos. Cumprindo os requisitos, a inscrição é aceita para concorrer.

Segundo o dicionário, a palavra “honorífico” tem o significado de “merecedor de honra”, mas não é o que acontece na escolha do Flamengo. Tanto a secretaria dos conselhos como a comissão indicada pelos Grandes Beneméritos, aceitou a inscrição de nomes que não preenchem os requisitos para concorrer a emerência. Nomes como , Pedro Iotti, presidente da Assembleia Geral; Mário Esteves, presidente do Conselho Fiscal; Edmilson Varejão, vice-presidente de secretaria ; Wallim Vasconcellos, ex vice-presdidente de futebol e patrimônio e Bruno Barki. Todos começaram a prestar serviços ao clube a partir de 2013, exceto Bruno Barki, que nunca assumiu um cargo e sua candidatura é considerada como controversa nos bastidores.

Rodrigo Dunshee, Presidente do Conselho Deliberativo

Wallim Vasconcellos prestou serviços ao Flamengo até 2015, quando virou oposição de Bandeira de Mello e foi concorrer à eleição daquele ano. Só poderia se condidatar a emerência em 2018. Isso, se continuasse a prestar atividades relevantes, mas como interrompeu, tem somente dois anos de serviços prestados ao clube. Mário Esteves foi eleito no primeiro mandato do Conselho Fiscal em março de 2013. Entra na mesma situação de Wallim. Os demais começaram em 2013 e completariam 5 anos no final deste ano, fora do prazo para concorrer. Bruno Barki participou de algumas comissões somente.

As comissões do Conselho Deliberativo são uma maneira muito utilizada para contar tempo. Em sua maioria, os membros não são indicados por serem especialistas por exemplo em obras, uniforme, jurídico, mas por algum acordo ou apadrinhamento político. Ali o membro permanece se reunindo poucas vezes por ano, mas “esquentando o currículo” para lá na frente concorrer a títulos honoríficos. Tal manobra é muito conhecida nos bastidores. Há hoje nas comissões nomes completamente desconhecidos dos próprios sócios do clube, mas que amanhã ou depois vão se inscrever para uma honraria ganha por serviços que deveriam ser relevantes, mas não são.

Se a escolha fosse por merecimento, somente a relevância dos serviços prestados seriam analisados, mas não é o que ocorre. A escolha é política, geralmente por apadrinhamento, assim como acontece por exemplo com o presidente do Conselho Deliberativo Rodrigo Dunshee, que tem 52 anos e foi agraciado com o título de Grande Benemérito em 2016. Para ser Grande Benemérito, o sócio tem que ter 25 anos de serviços prestados ao Flamengo. Rodrigo Dunshee não tem, assim como Bandeira de Mello, que virou Emérito ano passado. O atual presidente entra na mesma situação de alguns dos seus vice-presidentes.

O evento de solenidade para entrega dos títulos ano passado contou com a presença de Rodrigo Maia (DEM), torcedor declarado do Botafogo, presidente da Câmara dos Deputados, acusado de corrupção pela Lava Jato e Leonardo Picciani (PMDB), Ministro dos Esportes. Eles foram ao evento a convite do vice-presidente geral do clube, Mauricio Gomes de Mattos.

Para este ano houve 20 inscrições, mas somente 14 nomes serão votados. Para não desagradar nenhuma corrente política, o presidente do Conselho dos Grandes Beneméritos pode chegar a entregar 7 títulos de Eméritos. A articulação política nos bastidores entre os sócios concorrentes e membros do Conselho é constante nos últimos dias. O telefone de Walter Oaquim não para. São muitos pedidos para que ele possa ajudar.

Walter Oaquim de paletó preto no evento solene de 2016

Quando o sócio se torna Emérito, ele pode por exemplo, passar o título de proprietário a algum dependente. É como se o Flamengo desse um título no valor de R$ 15 mil reais, quantia de um título de sócio proprietário. Ou seja, o único beneficiado é o sócio a receber a honraria, com o agravante de muitos nem sequer cumprirem os requisitos mínimos. O mesmo ocorre quando da concessão para Beneméritos e Grandes Beneméritos. Os títulos honoríficos do Flamengo são uma honra de poucos apaniguados políticos que ficam bem distante da tão conhecida e popular nação rubro-negra.

A reportagem entrou em contato com o presidente do Conselho dos Grandes Beneméritos, Walter Oaquim questionando a situação dos nomes que não preenchem os requisitos. Segundo ele, os nomes preenchem ao requisitos: “É fundamental que sejam sócios a mais de 5 anos e tenham serviços relevantes. A Comissão do Conselho examina e preenchidas as condições necessárias ps nomes serão levadas para votação no Conselho. Para ser eleito é necessário ter metade mais um dos votos presentes. A informação de que os nomes citados não possuem condições estatutárias é falsa“. Outro questionamento foi com relação ao número de título honoríficos que serão dados este ano. Oaquim negou que o número de títulos é escolhido para agradar politicamente alguma corrente: “é mentirosa a informação. A eleição é livre e secreta e o conselheiro pode votar em 5 nomes. O número dos eleitos só poderá ser definido após a contagem dos votos“, concluiu.

A votação vai ocorrer no dia 07 de novembro.

Comentarios

comentário

  • Vamos Flamengooooo em 2018

    Zzzzzzzzzz….

    • marcelo

      É verdade viu porque esse timeco é horroroso.

  • Mahatma

    Rapaz, estou cansando de tanta notícia política nesse site…. PQP

    • Carlos Henrique Caetano

      Enquanto não chegar o pleito, essa coluninha trabalhará contra a excelente administração EBM.

    • Edson Leal

      Você faz mal. Tem que se interessar, porque tudo que já aconteceu de ruim(e de bom) começa no âmbito político.

  • Carlos Henrique Caetano

    Nessa coluninha um colunista pregou que o FLAMENGO tinha que pedir desculpas ao torcedor por ter VENCIDO a Chape em Chapecó com merecimento. Hoje a Chape derrotou o Galo no independência por 3×2. Será que vão pedir o fuzilamento dos jogadores do Galo? Coluninha anti-FLA.

  • Eddy Murphy

    Preocupante… assim como eh preocupante a situação do patrocínio da Carabao. Amanha essa notícia da Carabao vai pipocar. Venho falando ha qse um ano que ia dar ruim esse patrocínio. Carabao divulgou sua marca e não está pagando direito e não vai conseguir cumprir as metas. Parabéns aos envolvidos.