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O Flamengo e as retrancas

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Salve, Salve, Nação Mais Linda do Mundo!

Como não teremos jogos pelo brasileiro nesta semana e meia (maldita data FIFA!!!), falaremos genericamente sobre o Mais Querido. Aproveitando esta pausa, abordaremos um assunto muito debatido no último ano, que começou a ser mais firmemente discutido a partir da formação de um time mais forte pelo Flamengo, onde a tática deixou de ser reativa, característica de times pequenos ou em reconstrução. Nosso Mengão começou a propor mais o jogo, dando a indicação de querer tornar-se o protagonista do espetáculo, característica que nunca deveria ter sido abandonada, pelo menos em minha humilde opinião.

Mas esse tipo de postura em campo (com mais posse de bola) acarreta várias dificuldades: poucas oportunidades na transição ofensiva, incapacidade na cobertura defensiva, e a principal delas, tema desta coluna de hoje, a dificuldade em furar as retrancas adversárias. Podemos perceber, inclusive, que não são apenas os times considerados pequenos que jogam com a proposta reativa quando enfrentam o Flamengo.

Pudemos observar isso na final da Copa do Brasil, onde o Cruzeiro “deu” a bola pro Mengão e ficou fechadinho lá atrás. Isso pode ser uma tática consciente dos adversários que podem ter percebido a dificuldade do time na criação de jogadas e na pouca capacidade de penetração do ataque do Flamengo, ou pelo medo que os nomes de nosso elenco provocam nas equipes que nos enfrentam. Além disso, temos a volta a dos cruzamentos a esmo, característica percebida em times com dificuldades crônicas de criação.

Discorrendo rapidamente sobre os dois primeiros obstáculos (transição e cobertura), não precisamos pensar muito para sabermos que as transições ofensivas, num time que opta primordialmente pela posse de bola, não são muito fartas. Então, por esse motivo, elas devem ser MORTAIS! Sim, o contra-ataque deve ser rápido e certeiro. Devemos ser efetivos e, precipuamente, eficazes nesse ínterim.

Outro ponto chave é a cobertura defensiva. Lógico, um time que protagoniza retém muito mais a pelota do que o que se defende, normalíssimo. E é aí que mora o perigo. Atualmente, a maioria dos jogos vem sendo decidida através de transições ofensivas fortes e certeiras mas, para que isso não ocorra com um time que propõe o jogo, certos cuidados devem ser observados com cautela excessiva, onde treinamentos adequados são de extrema importância para que essa arma adversária possa ser anulada com efetividade.

Dito isso, ater-nos-emos ao tema em voga: as retrancas adversárias. Todos sabemos a dificuldade monstruosa e crônica que o time do Flamengo tem para furar defesas retrancadas. Não obstante a isso, podemos aliar a este fato uma outra característica que nos avilta compulsoriamente: nossa incapacidade de virar os jogos quando saímos atrás do placar.

Essa inaptidão, além de ser proveniente da microscópica força mental do time ao sair atrás no placar, também pode ser atribuída ao parco poder de penetração na defesa inimiga. Não temos tido a capacidade de romper as amarras adversárias; seja por falta de vontade, de técnica, de treinamento, ou por qualquer outra causa alheia a nossa percepção. Em português claro: não conseguimos fazer gols em adversários que jogam atrás.

Alguns desses jogos mostram-se até fáceis, onde a factualidade da fragilidade do adversário é indicada pela posição que ele ocupa na tábua de classificação. Não é possível que uma defesa (com 33 gols tomados) como a da Ponte Preta, que estava na 18ª posição, seja tão forte ao ponto de não conseguir ser vazada pelo ataque do Flamengo. Isso é inadmissível, uma lástima, um acinte ao torcedor rubro-negro.

Para isso, as jogadas devem ser trabalhadas à exaustão nos treinamentos no Ninho do Urubu. É peremptório um maior avanço dos laterais no apoio ofensivo, assim como são importantíssimas as triangulações nas proximidades da área adversária. Isso aliado à troca constante de posições entre os homens de frente, com a chegada fortuita dos meias e até dos volantes, faz com que a zaga seja confundida, onde seria criado um subterfúgio ofensivo para que as ameias das muralhas adversárias seriam transpostas. Mas para que isso aconteça, a TROCA DE PASSES com perfeição é fundamental!

Dependemos da comissão técnica e dos jogadores para que essa capacidade de transposição seja criada. Uma coisa é certa: temos material humano com qualidade e técnica necessárias para podermos montar um time capaz de penetrar defesas minimamente, mas Mestre Rueda deve atentar para os jogadores utilizados. É fato inconteste de que com Márcio Araújo, Rafael Vaz e Gabriel no time não ganharemos nada! Eles não têm condição técnica mínima para envergarem o Manto Sagrado. Simples assim.

Rueda já teve mais de uma oportunidade de perceber isso e, por mal assessoramento ou pouca percepção (que não acho ser o caso), escalou-os. Esperemos que nosso treinador seja mais firme e mantenha suas convicções sobre futebol e qualidade técnica mínima de atleta para que isso não torne a se repetir. E vou além: que ele seja capaz de vetar a renovação de contrato deste tipo de atleta para que iniciemos o ano seguinte com alguma esperança de melhora.

Enquanto isso, aguardemos o desenrolar de 2017 que já está se tornando mais um pseudo ano mágico. Realmente a mágica é realizada, mas contra, onde os títulos são abduzidos de forma categórica aos olhos da Magnética insaciável. Esperemos que isso mude a partir do ano que vem. Para o bem de Rueda, dos jogadores, da torcida, da diretoria. Enfim, para o bem do Flamengo! Vai pra cima deles Mengo!!!

O Flamengo simplesmente é!
Saudações rubro-negras a todos!

Fabio Monken
Twitter: @fabio_monken

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Comentarios

comentário

  • Fernando Menezes

    Agora sim! Sem política, esse é o verdadeiro problema do time: treinamento ofensivo
    A obrigação da diretoria é dar condiçoes de trabalho e isso tem sido muito bem feito.
    As cobranças têm que ser feitas em cima do técnico e sua equipe.

    • Mãe Dináh

      Isso aí

  • kingDavid

    Tática, tática, tática… Assunto favorito dos torcedores técnicos/comentaristas! Porque todo técnico começa bem, e com o tempo, conforme conseguem implantar sua tática o time cai de produção, ficando mais previsível? Alex Ferguson, um dos técnicos mais vitoriosos e reconhecidos da história disse certa feita que a contribuição do técnico não é isso tudo que é falado na midia. Um iluminado aqui na coluna chamou atenção também de como o futebol brasileiro está perdendo a magia e qualidade por causa de tanta tática! Retrancas sempre existiram, o que falta agora é jogador craque, que com um simples drible ou lançamento desmonta toda tática adversária.

  • Edson Leal

    Eu admiro muito quem ainda tem fôlego para falar do futebol do Flamengo dessa forma, fria, analisando as quatro linhas e essa coisa toda.

    Esse ano para mim já deu, não acompanho mais. Tá na cara que vamos perder tudo que ainda resta. Perdemos Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, e provavelmente vai acontecer o mesmo na Sulamericana.

    Se bobear o time ainda fica fora da Libertadores 2018.

    Reflexo de uma condução desastrosa do futebol. Esse time tem a alma da acomodação, da inércia, da apatia. Isso não vai mudar agora e nem 2018, caso não haja de fato uma mudança drástica no comando do futebol e na maneira como as coisas são tocadas.

    Eu não acredito nisso, porque o presidente é teimoso demais e gosta das coisas do jeito dele. Ele é incapaz de admitir que é totalmente inapto para gerir futebol, e colocar alguém que entenda, e que tenha autonomia para fazer o que tem que ser feito.

    A verdadeira mudança só vem em 2019 e que seja para melhor.

    Essa talvez seja minha última participação aqui esse ano. Boa sorte e paciência aos que ficam. Vocês tem a coragem e o estômago que eu não tenho. Saudações rubro-negras.

    • Jorge

      Sua última participação !!!! Sério cara RIP !!! Vpqp !!!! Chato bagarai !!! Vtnc !! Tá de bom tamanho !!!!

      • Edson Leal

        Zero necessidade pra falta de educação Jorge.

  • Vinícius Quintanilha

    Os laterais são fracos no apoio ou na marcação. Nossos pontas possuem uma nítida falta de habilidade e de poder de finalização. Os volantes não chutam mais de fora da área. Já os meias parecem enceradeiras, pois estão segurando muito a bola. Enquanto isso, nosso melhor centroavante é mais um pivô do que um goleador.

    Resultado: tudo isso condiciona a falta de poder ofensivo do Flamengo.

  • Emerson Santos

    O Rueda é um cara inteligente, já era pra ele ter percebido que o Flamengo não pode jogar no 4-3-3, para se jogar em uma formação assim, precisa de pontas velozes, dribladores e bons finalizadores, coisa que no Flamengo não existe, o que mais se aproxima dessas características é o Vinícius Júnior, mas ainda está longe do ideal, nossos jogadores que jogam na função de ponta hj é Berrío e Everton Cardoso, dois cone… Berrío único coisa que sabe fazer é correr até a linha de fundo, fechar os olhos, chutar pra área e torcer para bola encontrar com alguém do Flamengo, Everton é a mesma coisa, não dá pra jogar com pontas assim, é 2 a menos no time… Seria interessante Rueda fazer um esquema no estilo 4-2-3-1, daria pra jogar com Everton Ribeiro na meia direita no lugar do Berrío, ou ate mesmo um 3-5-2 … Esta faltando tantas coisas pro flamengo é uma dela é variação tatica, fica mais fácil pro adversário te vencer quando ele já sabe como seu time vai jogar

    • DefendaSeuDinheiro

      mas o flamengo só joga no 4231, costuma marcar no 4141.
      desde a época do zé ruela.
      zé burrueda só serviu para mandar o zr embora, nada melhorou o time.

  • DefendaSeuDinheiro

    No Brasil só jogam com a bola o Flamengo, Palmeiras e Grêmio, restante só recuado, ou quando o outro adversário joga fora de casa, o retranqueiro jogando em casa precisa sair pro jogo , ou quando um retranqueiro toma um gol, precisa virar o jogo, caso do curintias paulista.

  • Ednei P. de Melo

    “É fato inconteste de que com Márcio Araújo, Rafael Vaz e Gabriel no time não ganharemos nada! Eles não têm condição técnica mínima para envergarem o Manto Sagrado. Simples assim.” — Fico me perguntando como milagrosamente tivemos uma das defesas menos vazadas do campeonato do ano passado e ainda em 3o. lugar. Vou mais além: “melhoraram” a qualidade geral do plantel, mas os resultados têm sido inferiores, se comparado ao ano passado! Aprenda uma coisinha, caro Monken: FUTEBOL É CONJUNTO! Não adianta nada ter um seleto grupo de craques se eles não se entendem dentro de campo! Prefiro mil vezes contar com um elenco mesclado de jogadores de diferentes categorias e vencer! Afinal de contas, conquistamos os Brasileiros de 1992 e 2009 com times que sequer esperávamos bons resultados! &;-D

    • Mãe Dináh

      Perfeito amigo, concordo. E o que mais me chama a atenção é a questão de o Rueda por ser estrangeiro ser tratado como um bebê recém-nascido. O técnico também tem culpa pelo mal futebol apresentado, mas vivem dando desculpa dizendo que estão assessorando mal o “Mestre”. Piada

    • Paulo Vinícius Siviero

      Respondo a sua pergunta: Motivação e Vontade. É com excesso de motivação e vontade que um time, como o botachoro foi enfileirando times tradicionais e foi às quartas da Libertadores com um time que saiu da zona de rebaixamento no ano anterior.

      Tanto márcio araújo quanto gabriel estavam nas campanhas de 2014 e 2015. Qual o argumento pra elas?

      SRN

      • Ednei P. de Melo

        O Botafogo conquistou algum título este ano? &;-D

        • Paulo Vinícius Siviero

          Ah, entendi… As melhores contratações só existem pra times que ganharam alguma coisa né? Correto…

          Então, por essa lógica, ano passado os porcos tinham o melhor time do campeonato e esse ano eles tem o pior.

          Muito construtivo nosso diálogo

          • Ednei P. de Melo

            Não é bem isso. Você relacionou as contratações de jogadores contestados ao desempenho do time em relação aos títulos (já que em 2014 e 2015 não ganhamos nada, assim como tivemos desempenho ruim). Independente de termos jogadores de alto ou baixo nível, tivemos anos que ganhamos campeonatos com jogadores limitados (1992), assimo como não levamos nada com jogadores excelentes (1995). Talvez não tenha me expressado bem, mas é basicamente isto o que queria dizer… &:-D

          • Paulo Vinícius Siviero

            Regras e exceções são antônimos, não sinônimos.

            Podemos aceitar que tanto 2009 e 1992 tenha sido abortos da natureza. Já 2011, 2008, 2002, 2000, 1997, 1995 são realmente argumentos jogados ao vento de quão horrível pode ser um bom time não conseguir títulos.
            Mas não é só a questão do conjunto. A menos que o treinador seja um cristóvão borges ou um celso roth, quem decide em campo são sempre os jogadores. E é incontestável o quão nocivo é pro time que esses perebas permaneçam no clube. Pois as jogadas decisivas sempre tem participação deles – seja diretamente, como perder um gol sem goleiro e dentro da pequena área na Arena da Baixada, ou indiretamente, como se esconder quando o time tem a bola ou voltar trotando quando dá um passe errado ou mesmo bote errado na maioria das jogadas de contra-ataque.

            Má fase de bom jogador e boa fase de jogadores ruins são sempre temporárias.

      • Ednei P. de Melo

        Em tempo: já tivemos um ataque formado por Sávio, Romário e Edmundo… &;-D

      • Ruan Pedro

        Qual? Qual seria o argumento para elas?

        Alguém por favor poderia dar o prazer da resposta, já que Ednei sempre pipoca.

  • Elielson

    O time tem q jogar assim mesmo nao oode s expor na defesa. Oq ta faltando eh treinar finalizaçao,principalmente cabeçada pq temos as chances e nao aproveitamos. Vizeu, arao, juan, rever entre outros perderam gols d cabeça incriveis. Bola parada decide jogo, mas tem q ter alguem q saiba bater na bola como o escarpa nenê, para q rever e juan façam gols d cabeça como faziam emboitros times.mas oq eu vjo quem pega a bola primeiro bate. Traz o escarpa

  • Elielson

    Traz o escarpa, prato, bruno henrique, cueva e pablo

    • Paulo Vinícius Siviero

      Deus nos livre! Seja mais criativo e pense em jogadores que não jogam com bolas de ferro nos pés. À excessão do Bruno Henrique, todos os outros tão sendo contestados em seus clubes.

  • Gustavo Leite

    O problema do flamengo é que a linha defensiva sempre está distante da linha de ataque, deixando um buraco no meio campo… a galera contra-ataca com facilidade.
    Outro problema é de movimentação, o time é muito preguiçoso nesse aspecto, falta mais energia pra enganar os adversários. Tem outros, mas esses são os principais ao meu ver.

  • Magno de Morais

    O Flamengo joga nesse maldito 433 / 451 desde de 2012, com uma mentalidade de que o ponta tem que voltar marcar por que o futebol moderno é assim e bla bla bla… Chega dessa bosta de 433… o time ta sem poder de criação bota no 442 com o meio em forma de quadrado com dois meias armadores, solta os dois laterais e bota a bola no chão e se for fazer jogada de fundo entra na area e toca pra tras rasteiro, chega de 433 chega de bola aerea isso é desperdiçar nosso material humano

  • Vamos Flamengooooo em 2018

    Para mudar o Flamengo tem que abandonar esse 4-3-3 e partir para outro esquema, por outro lado não adianta trocar o esquema se não consegue concluir jogada na rede pelo lado de dentro.