Um mistério chamado Ronaldo

Ronaldo é o jogador da base dos campeões de 2016 que mais destaque técnico teve naquela copinha. Felipe Vizeu esteve atrás deste, mesmo tendo sido artilheiro da competição. Todos pensavam que o menino faria uma transição rápida para os profissionais e seria um alento técnico numa volância maltratada pelo titular absoluto Baidu. A surpresa de toda a torcida foi exatamente porque isso não ocorreu.

Para bem contextualizar, em 2016 vínhamos de duas temporadas de Mito da volância e já estávamos cansados de suas limitações. Foi o ano da virada no Flamengo. Contratamos três estrangeiros, um deles, exclusivo para a posição. Mais uma surpresa! Depois de um bom início com Muricy Ramalho, uma contusão afastara o colombiano Cuellar do time titular, o treinador teve que se afastar e o novo treinador amou Massaraújo. Era um técnico que havia sido da base, não a aproveitou, principalmente Ronaldo.

Enquanto Zé Ricardo aqui permaneceu, a subutilização, para não dizer inutilização, de Ronaldo ficou escondida sob o aspecto de o treinador amar Baidu. Afinal de contas, o “treinador não entendia nada de futebol”. Entrou o atual campeão da libertadores, com a bagagem de gerir bem um grupo e fazer rotação no elenco e, pasmem, Ronaldo também seria descartado.

Isto colocou uma dúvida na cabeça do torcedor, será que o menino desaprendeu a jogar? Algum mistério existia para sua não utilização. Neste desenrolar veio a fatídica declaração de Bandeira. Ele gosta de alguns protegidos. Entre eles, Baidu antivírus.

Não. Não vou culpabilizar o presidente pelo não aproveitamento do garoto. Ainda assim o que se viu foi oportunidade para Cuellar, Arão, Rômulo, Baidu… A vez do menino nunca chegou.

Como podemos ver, Ronaldo, emprestado ao Atlético goianiense, tem jogado bem. Fez seu primeiro gol nos profissionais longe da torcida. Inclusive longe do gol, do meio da rua. Isso suscitou em boa parte da torcida um desespero por estar perdendo uma jóia. É. É bom jogador. Calma! Há ainda outros aspectos que devemos considerar.

Atualmente o Flamengo possui 60% do garoto que encerra seu vínculo conosco em 2020. Este, segundo informações, é o entrave que deteve a ascensão do garoto. Quantas vezes escutamos sobre jogadas de empresários que destroem carreiras de jogadores? Luiz Antônio é o exemplo mais recente, mas se voltarmos pouco no tempo lembraremos outros como Athirson, para ilustrar.

Mais do que isso, quantas críticas ouvimos quando não ficamos com a venda toda de Renato Augusto, Hernane? De novo, os exemplos são infinitos.

Eu sei que o torcedor não quer saber isso. Quer é comemorar o crescimento da categoria de base, quer comemorar títulos, mas precisamos parar de olhar para o futebol de forma romântica. Amor a camisa está em falta! E nem estou dizendo que é o caso. Mas na queda de braço entre qualquer jogador, ou empresário e o Flamengo, serei sempre Flamengo.

Anderson Alves, O otimista.

 

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