Guerrero x Outros. Um raio-x do mito do não goleador

Olá, coleguinhas de coluna do Flamengo. De novo gostaria de convidá-los a fazer uma pequena reflexão acerca, dessa vez, do nosso atacante peruano em fim de contrato. Para isso, vou levantar números dele e de outros queridinhos por aí para melhor embasar o nosso entendimento.

Os atributos, números e estatísticas pertinentes são: gols, assistências e finalizações. Claro, cartões também serão avaliados, visto que é objeto de muita reclamação sobre Guerrero. A seleção de atacantes será a seguinte: Jô, Henrique e Fred, devido ao momento, e Pratto, devido aos pedidos no ano anterior. Potker e Hernane seriam avaliados, um pela campanha do ano passado na Ponte, outro porque habita o imaginário rubro-negro, mas ambos fizeram más campanhas em 2017 e foram excluídos.

Vamos aos números.

Como podemos ver, há dois jogadores à frente do Guerrero em número de gols. Lucas Pratto é o único que não o ultrapassa no quesito, enquanto Jô possui o mesmo número. O que podemos deduzir disto? Vamos ver as médias? Fred 0,55, Jô 0,38, Henrique 0,60, Pratto 0,3 e Guerrero 0,5. Henrique faz incrível campanha e Fred, mesmo que esteja menos brilhante que noutras épocas, ainda é o representante do antigo centroavante.

Ainda assim, as médias são semelhantes. Claro, friamente, é melhor fazer 3 gols a cada cinco partidas, do que 1 a cada duas. Mas vamos continuar a análise. Em número de assistência o que mais se destaca é Fred com dois a mais que Guerrero e Jô que têm 6. Henrique e Pratto com 5 fecham o quadro.

Aí voltamos nossas atenções às finalizações. O peruano é o que mais finaliza. São 150 vezes. O segundo que mais finaliza é Pratto com 109. Demonstra que Guerrero quer muito mudar a escrita de goleador. O problema reside no aproveitamento dessas finalizações. Só 47% dos chutes vão ao gol. Desses, apenas 28% transformaram-se em gols. Calma! Não é por conta disso que é o pior jogador do mundo. Fred, Henrique e Jô têm marcas semelhantes em 54 e 53%. De novo a diferença se dará pela porcentagem de chutes certos que se transformam em gol. Fred com 52%, Jô 37% e Henrique com 53% mostram como o peruano precisa melhorar nesse quesito.

Uma teoria que eu também defendo para essa discrepância, é a proposta de jogo dos times envolvidos. Já versei sobre isso em outras colunas, então vou apenas concluir que propostas reativas promovem atacantes que não possuem técnica, como o caso de Hernane em 2013, por exemplo. Times que propõem o jogo rondam os seus goleadores entre meias e atacantes, prototipicamente. “Ah, mas eu quero mesmo é ver gol, Anderson“. Mas também quer ver o Flamengo para frente. Seria um absurdo pensar um Flamengo com Diego, Berrío, Everton Ribeiro, Vinícius, Guerrero e cia jogando lá atrás, esperando um erro do adversário. A torcida canta “vai para cima deles, Mengo“, não é?

Para não alongar tanto o texto, vamos aos cartões. Guerrero ainda tem que melhorar no quesito, mas é possível observar que não é lá uma característica apenas do peruano. Fred tem 9 amarelos, mas dois vermelhos. Jô tem 7 amarelos e um vermelho, Henrique ultrapassa Guerrero com 13 amarelos e Pratto tem 5 e um. No fundo, não é um quesito em que fique atrás dos citados de forma flagrante.

Por fim, temos visto que ano após ano, observamos atacantes que aparecem no radar com algum destaque efêmero, a exceção de Fred, mas o peruano está sempre ali entre os melhores. Hoje, tem tudo para escrever seu nome na história do clube com título e gol. É o meu preferido? Não. Preferiria Lewandowski. Merecemos um atacante assim. Mas enquanto essa hora não chega, vamos com o melhor que podemos pagar. E o melhor que podemos pagar é no mínimo o segundo melhor em atividade no Brasil. Hoje deixará o dele. Podem me cobrar!

Dados: www.footstats.net

Alea Iacta Est!

Anderson Alves, O otimista.

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