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André Rocha: “Como o Flamengo pode esperar resultados diferentes de escolhas semelhantes?”

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

O Flamengo do empate sem gols na Arena Condá não teve desta vez os elos fracos que costumam comprometer o desempenho coletivo com falhas individuais. A escalação foi bastante coerente, considerando as últimas partidas sob o comando de Reinaldo Rueda.

O problema não foi a falta de entrega em campo ou fibra. Até porque esse time costuma se abater quando sofre um gol e não foi o caso em Chapecó, apesar das boas oportunidades da equipe catarinense no segundo tempo. Principalmente depois da entrada do equatoriano Penilla que deitou e rolou sobre Rodinei.

O velho clichê ”Queremos raça!” gritado nas arquibancadas nem sempre é a solução para todos os problemas. Muitas vezes o time não é ”sem vergonha”, ainda que não seja um exemplo de superação ou garra. O jogo é que não flui, por uma série de fatores.

Como as características dos jogadores que não combinam. Quem vê o lado direito com Rodinei e Berrío, dois velocistas sem grande leitura de jogo e senso coletivo, percebe que a presença de Everton Ribeiro como ponta articulador daria ao setor a qualidade no passe e o deslocamento para o lateral ultrapassar.

Mas para isso é necessário que Diego, o meia central do 4-2-3-1 rubro-negro, se apresente para tabelas rápidas ou infiltre no espaço certo. Como, por exemplo, Ricardo Goulart fazia com perfeição no Cruzeiro bicampeão brasileiro. Mas o camisa dez, ao menos na numeração da Copa Sul-Americana, prefere recuar para tentar organizar o jogo a usar o seu bom poder de finalização.

Mesmo com o meio-campo mais qualificado depois da efetivação de Cuéllar e Willian Arão à frente da defesa. A saída de bola ficou mais limpa e poderia encontrar Diego adiantado, perto da zona de decisão. Com essa dinâmica dos meias criativos o ataque podia, enfim, depender menos do trabalho de pivô de Paolo Guerrero.

O peruano precisa recuar sempre e aparece ou se desloca menos para buscar a finalização. Serve mais do que é abastecido. Abre na ponta e quando chega na área a jogada é previsivel. Porque os ponteiros Berrío e Everton não surpreendem, com exceção do drible do colombiano que resolveu a semifinal da Copa do Brasil.

Torneio, aliás, que há algum tempo vem norteando a montagem do time titular. Por isso Everton Ribeiro perdeu espaço. Mas Berrío não pode, por isto, ser considerado intocável, absoluto.

Uma jogada eventual que parece garantir uma sobrevida entre os que ganham mais minutos, além do fato de ter trabalhado com o treinador no Atlético Nacional. A produção, porém, não é consistente. Muitos erros técnicos ou na leitura das jogadas.

O resultado final é um time travado, com um ou outro lampejo. Porque parece pronto para os contragolpes, mas pelo peso da camisa e por conta da badalação (exagerada) do elenco, se coloca como protagonista nas partidas, se instala no campo de ataque e troca passes. Mas sem espaços não consegue acelerar. Um paradoxo.

Por isso o ataque ”arame liso”, que cerca mas sofre para furar a defesa do oponente. Sem criatividade e contundência. Exatamente pela falta de ideias. Talvez intimidadas pela necessidade de vitórias e títulos. Era assim com Zé Ricardo, segue com Rueda, que sabia que precisava dar uma resposta imediata no desempenho para obter vitórias a curto prazo.


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Mas como obter resultados diferentes com escolhas semelhantes? Com uma ou outra mudança, por necessidade ou convicção do novo treinador, a essência é a mesma, principalmente nas ações ofensivas. O fluxo de passes segue muito parecido quando se aproxima da área adversária. Ainda a bola que gira, perde tempo com Diego que sempre prende, no mínimo, um segundo a mais. Passa por Guerrero, chega a Arão até parar no flanco, mesmo que cruzando, na média, menos que nos tempos de Zé Ricardo.

Deficiências já conhecidas e não corrigidas. Hora de fugir das explicações de sempre e encontrar novas soluções a tempo de salvar o ano em que o orçamento permitiu mais investimentos no futebol. Fechar 2017 apenas com um título estadual é pouco para quem paga muito.

Fonte: Blog do André Rocha | Uol

Comentarios

comentário

  • Fernandel Walker

    Perfeita a análise! É necessário uma grande mudança, para surpreender. O Flamengo de hoje não surpreende mais ninguém, se é que algum dia surpreendeu. E chega de panelinhas!

  • Antenor Campos

    Ontém apesar do 0x0 o jogo do engenhão foi uma grande partida, disputada, corrida, chances de gol. Times aguerridos e aplicados taticamente. Pior escolha de el prof é a disputa entre Diego e ER7, mexe com as convicções do elenco. SRN

  • Vinícius Quintanilha

    Sem pontas eficientes não tem 4-3-3,4-2-3-1 ou qualquer outro esquema variante que dê certo. Berrio,Everton e Gabriel são limitadíssimos. Geovânio totalmente sem ritmo. Vinícius Jr. não passa de um novo Negueba.

    O Atlético Nacional deu certo porque tinha Moreno e Ibarguen pelas pontas (além do Copete revezando).

    • rubro negro

      temos pontas que só marcam e não fazem gol, basta um golzinho do Éverton ou uma jogada belíssima do Berrio, pronto são titulares

  • Anderson Rodrigues

    Com Zé Ricardo tínhamos Márcio Araújo de titular, Everton Ribeiro batendo cabeça com Diego, Trauco e um lateral direito (Pará ou Rodinei) que subiam e deixavam o sistema defensivo exposto, e etc…. E ESSE André Rocha VEM FALAR QUE O RUEDA FAZ A MESMA COISA? VAI ESTUDAR FUTEBOL FILHO!!!!!

    • rubro negro

      concordo com vc, ZR não!!!

    • Tulio Mêne Melo

      Concordo em tudo que vc falou.

      Porém Diego e EVERTONRIBEIRO tem que jogar juntos, encontrar a melhor forma, vc tem razão, o Everton aberto como ala, não rende, não tem velocidade e capacidade marcação.
      Porém eu mudaria o sistema de jogo. Pra colocar os dois craques do time pra jogar.
      O time não agride o adversário, falta verticalidade, falta infiltração.
      O Berrio é uma interrogação, se atrapalha muito, perdi a maioria dos lances por falta de habilidade técnica.

      Jogaria com 2 armadores…..Diego e Everton no meio campo criando as jogadas.
      Não sei se tiraria o Arao, pra manter 3 “atacantes”, que de atacante mesmo só tem o guerreiro.
      Pois Everton, Berrio, Geovânio “fora de forma”, e ViniciusJr “ainda verde”. Não fazem gols, não levam perigo para os adversários.
      É diferente de um Brunohenrique do Santos, de um DUDU do Palmeiras, de um Arthur do Gremio, de um Robinho quando quer jogar no Atlético.

  • Ednei P. de Melo

    Gosto muito do Rodinei, mas à veu ver, o Pará é titular absoluto… &;-D

  • Carlos Silva

    A realidade é uma só, o time do Flamengo não passa de propaganda enganosa, apenas isso, o time continua a não ganhar jogo difícil, aperta a marcação, endurece o jogo o time afina, o time só tem jogador com salário de craque, mas é só o salário de craque, mas futebol de quinta categoria, jogador que só toma cartão amarelo, na hora de finalizar só chuta no adversário, claro tá olhando pra baixo.
    O time é fraco e ponto final, quem acha esse time bom não enxerga nada apenas vê.

  • Tulio Mêne Melo

    Ao meu ver recuaria o Everton Pra lateral.
    Do outro lado preferiria o Para pelo poder de marcação.
    Manteria o Cuellar e Arão, porém o Arao tem jogo que é o melhor jogador do time, e a maioria some do jogo, deixando o Diego, tendo que recuar pra começar as jogadas.
    O time depende muito do segundo volante está a fim de jogo. Pra trazer a bola ao ataque, e deixar o Diego mais próximo do gol.
    No meio pra frente eu armaria o time desta forma:
    Diego e Everton Ribeiro ( armando )
    Guerreiro e Berrio ( dividindo o ataque )
    Guerreiro mais centralizado
    Berrio mais na lateral
    Enquanto do outro lado, contaria com as subidas ao ataque do Everton, que tem muito mais velocidade pra recompor a defesa.

    Diego Alves, Para, Juan, Rever, Everton, Cuellar, Arao( testaria o Mancuello ), Diego, Everton Ribeiro, Berrio, Guerreiro.

    Segundo tempo entraria com ViniciusJr e Geovânio para ir ganhando ritmo de jogo

  • Mãe Dináh

    Amigo colunista, o Rueda chegou e apenas prendeu os laterais na defesa, disseram que era um mestre pois tinha arrumado a casa. Piada. Uma partida pior que a outra, jogo que dá sono, ataque extremamente ridículo, não arma nada. Pra mim o estilo de jogo do Rueda é muito pior que o de Zé, seja qual jogador entre.

    • Tulio Mêne Melo

      Concordo com Vc,

      Diego rendimento muito abaixo, tem que voltar muito pra pegar a bola, fica distinte da área.
      Fica muito sobrecarregado, pois tem que fazer o papel do cuellar e Arão.
      O Cuellar defensivamente está bem, porém pra sair jogando em profundidade dando velocidade ( igual ao Elias ) continua decepcionando.
      O Arão, só joga quando quer, todos nós já vimos partidas excelentes, porém em 70% dos jogos ele não está concentrado, e aí começa o problema, porque ficamos sem um meia de criação, e o Diego fica sozinho, e o jogo fica previsível, facilitando a marcação.
      No ataque outro problema:
      Atacantes de lateral de campo:
      Everton- o melhor de todos atuais, porém limitado
      Positivo: puxar contra-ataque e cruzar
      Negativo: sem criatividade e pode de drible, não sabe fazer gol.
      Berrio-????
      Positivo: velocidade, puxar contra-ataque, sabe fazer gols.
      Negativo: falta habilidade, se atrapalha muito, perde muitas bolas, nunca sabemos se ele irá acertar,
      Vinicius Jr:
      Positivo: criatividade, inteligência, sabe fazer gols
      Negativo: não tem experiência, em 70% dos jogos some do jogo. Nunca sabemos quando irá jogar bem.

      • Ruan Pedro

        Comparar o Cuellar com o Elias é desconhecer a característica de ambos.

        Se você espera isso dele, lamento te informar.

  • Tulio Mêne Melo
    • rubro negro

      acho uma boa, mas esses técnicos não jogam mais no 442

      • Leo DaCosta

        Não jogam porque não é mais viável taticamente jogar 4-2-2-2 nos tempos atuais. Dois meias armadores centralizados geram desvantagem numérica nos flancos e dão liberdade para os laterais adversários. Esse esquema citado pelo amigo só funcionaria no futebol moderno com duas linhas de 4 (diego pela esquerda e ER7 pela direita), mas nós todos sabemos que o diego não tem mais saúde pra fazer o corredor e chegar inteiro pra atacar.

        • Zoro

          Concordo com você. Enquanto o 442 quadrado reinou por aqui, formamos excelentes peças ofensivas nas laterais, pois são eles principalmente que dão largura de jogo nesse esquema. Em contrapartida, hoje usamos nas beiradas da segunda linha ou do ataque muitas vezes os “antigos” segundo atacantes ou meias centrais, improvisados. Alguns jogadores até se encaixaram bem na função, como BH, Jadson, já outros, como Robinho, só por dentro ou banco.

        • Yuri Spindola

          Eu discordo, o Diego corre muito e vem sempre pegar a bola atrás, correndo muito o jogo todo, poderia revesar com o everton fechar um dos corredores e o outro no meio e o segundo atacante nesse caso o berrio fechar a outra ponte, é extremamente viável, lembrar que o corinthians campeão brasileiro do Tite, tinha jadson em uma das pontas.

  • rubro negro

    quero ver técnico fazer jogar Diego e ER juntos, foi pra isso que ER veio por 18 milhoes, aí sim poderei dizer que o técnico é bom.

    • Tulio Mêne Melo

      Pura verdade

  • Thiago

    O grande problema do flamengo é que o time nao chuta a gol… pode-se contar nos dedos de uma mão quantos chutes o time deu ontem, é sempre a mesma jogadinha batida de lançar o ponta ou o lateral ate alinha de fundo e cruzar no alto ou rasteiro pra área.

    POderia pelo menos ate a final da CB, inverter Everton e Berrio nas pontas, pros mesmos trazer a bola pro meio, arriscar mais chutes.