A dor da derrota

A tragédia que se abateu sobre Lisboa, em decorrência de um devastador terremoto, em meados do século XVIII, causou imensuráveis dor e destruição. Atônito com aquele cenário apocalíptico, o rei Dom José interpelou seu conselheiro, Marquês de Alorna (Pedro Miguel de Almeida):

– O que devemos fazer?

– Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos.

Resposta dura. Quase fria. Todavia, necessária.

Nossa derrota, na final da Copa do Brasil, deve ser sentida, pranteada, assimilada e, depois, posta junto à outras tristes recordações.

A permanência da dor, contudo, deve ser breve.

Seguir é preciso. Refletir, também.

Há evidente erro de planejamento e avaliação do elenco. Seja nas contratações ou na manutenção.

Também é flagrante que não formamos um time que se aproxime ao aceitável, dados os investimentos e condições de trabalho disponibilizados aos atletas, comissão técnica e demais departamentos afetos ao futebol. Ainda, exceção feita à mudança de uma ou outra peça introduzida por Rueda, a equipe parece ser aquela comandada pelo seu antecessor: um agrupamento de atletas que se mostra inócuo.

Me causa espécie que alguém se sinta resignado com a nossa melancólica campanha em 2017. E não são poucos os que acreditam que há razões para sermos mais complacentes com a equipe e com o departamento de futebol.

Esse discurso conformista flerta com um perigoso e inaceitável culto à mediocridade.

Somos o Flamengo.  Eis a medida que deve nos orientar. Qualquer anseio que se afaste à essa compreensão é atentatório à nossa dimensão.

Aos funerais; e aos curativos.

Que o futuro nos seja leve.

SRN!

Yuri Fialho

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