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55 mil pra quê?

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Salve, salve, Nação Mais Linda do Mundo!

Essa semana a Nação teve a grande notícia de que o Flamengo assinou uma carta de intenção de compra de um terreno próximo à Av. Brasil, onde seria posteriormente erguido seu tão sonhado estádio próprio. Em entrevista recente à TV Coluna do Flamengo – assista aqui – Alexandre Wrobel, Vice-Presidente de patrimônio do clube, informou que o aparelho seria para 55 mil pessoas.

Aí eu lhes pergunto: Pra quê? Isso mesmo, pra quê? Por qual motivo seria construído um estádio desse porte se nossas médias de público são irrisórias e vêm caindo assustadoramente ao longo dos anos. Afora isso, ainda podemos observar alguns torcedores megalômanos que não aceitam estádio para menos de 80.000 pessoas. Pasmem! Um absurdo! Onde vivem? Em Marte?

Para termos uma ideia, se traçarmos um comparativo de 2015 a 2017, observamos queda significativa da média de público no Campeonato Brasileiro. Eis os números:
2015 – 30.962;
2016 – 24.542; e
2017 – 14.574.
Uma vergonha. Uma média absolutamente baixa em se tratando da maior torcida do Brasil.

Sendo assim, não se justificaria um investimento dessa monta para a construção de um estádio próprio se alguns fatores não forem observados (e já adianto aqui que CONCORDO INTEGRALMENTE com o estudo de viabilidade para esses 55 mil torcedores). O principal fator seria a precificação. Vocês viram quantas pessoas foram ontem à Ilha do Urubu para ver o jogo contra o Sport? Foram exatos 7.220 pagantes! Pífio! Horrível! Ridículo!!! Alguma coisa está errada. Como o Flamengo não consegue levar um público decente a seu estádio?

Alguns setores da Ilha do Urubu não ficaram cheios (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Se com um estádio acanhado para os padrões rubro-negros, como o da Ilha do Governador, onde comporta-se menos de 17.000 pessoas pagantes (devemos separar os visitantes e as gratuidades) o Flamengo não consegue lotar, imaginem se o novo estádio comportar 55 mil pessoas! Como ficaríamos? O Rio de Janeiro não precisa de mais um “Vazião”, já temos um na Rua José dos Reis nº 425 no Engenho de Dentro.

Se uma precificação correta não for observada, nosso novo estádio será motivo de chacota (e com razão) por parte da arco-íris. E outra, se só conseguimos encher estádio quando temos jogos mais importantes, pra que arcar com essa altíssima despesa? Que joguemos em outro estádio, que continuemos a utilizar o Maracanã, que já está pronto. Simples assim.

Algo tem que ser mudado, aliás muito deve ser mudado principalmente quanto aos preços praticados e ao programa de sócio-torcedor. Poderiam começar a acertar os preços destes ingressos e mudar a política de preços sobre eles. Como todos já perceberam, a tática de subir os preços para forçar a torcida a aderir ao programa de Sócio-Torcedor tem muitos pontos conflitantes.

Isso é comprovado pelos públicos sofríveis que temos visto em nosso novo estádio. O marketing do Flamengo deveria trabalhar para criar uma cultura onde os torcedores compareçam ao estádio sem que a importância dos jogos sejam fatores tão preponderantes para que um bom público esteja presente.

O sistema de carnê é uma aposta válida. Já que a fórmula atual do Campeonato Brasileiro permite sabermos a quantidade de jogos previamente, isso facilitaria a venda antecipada com descontos e garantiria uma taxa de ocupação média mais elevada. Isso é fácil de ser alcançado e uma campanha agressiva de marketing faria com que o clube pudesse basear-se mais precisamente quando planejar essa dotação em seus orçamentos. Ah, mas o brasileiro não tem cultura para carnê. Ótimo! Que o Flamengo trabalhe para que essa cultura mude!

Outra mudança que sugiro é no programa Nação Rubro-Negra. Deveria ser criado um sistema de pontuação. Definiriam-se critérios para pontos de assiduidade nas partidas e pontos mensais de acordo com o valor dos planos de sócios onde: quanto maior for a contribuição do ST, mais pontos mensais ele teria acrescido a seu “scout”, lembrando que a assiduidade deve ser mais importante do que o valor mensal de contribuição do associado. A priorização seria escalonada com base numa pontuação decrescente, onde quem possuir mais pontos acumulados tem direito anterior de compra aos de pontuação inferior. Justo e simples.

Além disso, quanto aos ST’s membos do programa que residem fora do estado do Rio de Janeiro, dar-se-ia prioridade de compra antes dos ST’s do RJ quando o Flamengo fosse jogar em suas praças. A meu ver, essa política de prioridade fará com que os sócios off-rio tenham alguma contrapartida e sintam-se mais abraçados com essa atitude do clube. Isso fatalmente traria mais ST’s de fora ao programa, pois eles sentir-se-iam prestigiados com essa priorização além de só estarem ajudando o clube a crescer.

Podemos dar ainda mais soluções do que essas duas opções de mudanças; eu destinaria um setor aos torcedores de baixa renda e pleiteio que poderia ser criado um setor prioritário ao público comum, onde as vendas seriam realizadas até uma certa data e, posteriormente, seriam ofertados os ingressos aos ST’s. Isso é perfeitamente factível. Basta boa vontade política da diretoria e uma certa compreensão do departamento de marketing do Flamengo. São ideias que devem ser estudadas.


Veja mais:


Vamos ver o que a diretoria fará em relação aos torcedores do Mengão quanto à politica adotada aos ingressos no novo estádio. Com mudanças simples, podemos agradar a todos. Isso é muito fácil. Diria que é uma molezinha. Basta mensurarmos pela taxa de ocupação do estádio. Quanto mais público médio, mais a diretoria está acertando na precificação. Uma coisa é certa: o poder de compra do brasileiro DEVE ser levado em consideração. Isso é fundamental! Vai pra cima deles Mengo!!!

O Flamengo simplesmente é!!!
Saudações Rubro-Negras a todos!

Fabio Monken
Twitter: @fabio_monken

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