Raísa Simplicio: “Falta de conhecimento e diferença de cultura são as maiores dificuldades”

A investida do Flamengo e a possível chegada de Reinaldo Rueda ao clube reacendeu o debate sobre técnico estrangeiro no futebol brasileiro. Nos últimos anos, a vinda deles se tornou um pouco mais comum devido a escassez no cenário nacional. O grande problema é que, nem mesmo com bom currículo, a maioria deles conseguiu ter sucesso em terras canarinhas. Os motivos são diversos, passam pela dificuldade do idioma ao pouco profissionalismo que eles encontram nos clubes.

Logo de cara, Reinaldo Rueda terá uma grande desafio pela frente caso venha comandar o time Rubro-Negro. Ele chegará no meio para o final da temporada com a responsabilidade de levantar uma taça. O Flamengo briga em duas frentes, Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil, o que é considerado pouco para o investimento feito.

Mesmo com o discurso de longevidade ao treinador, o histórico da gestão Eduardo Bandeira de Mello é de pouca paciência, vide que Rueda pode ser o décimo primeiro comandante em apenas quatro anos de mandato do atual presidente.

Mas isso não é uma exclusividade da gestão Bandeira de Mello, no futebol brasileiro é comum a troca de treinadores e a falta de planejamento a longo prazo. Voltando um pouco no passado recente, o Palmeiras teve Ricardo Gareca, atual treinador da seleção peruana. Depois de contratá-lo e deixá-lo mexer no elenco, a direção Alviverde demorou apenas três meses para sacramentar a saída do comandante que perdeu oito dos treze jogos que disputou.

Na ocasião, Paulo Nobre, ex-presidente do Palmeiras afirmou que existe uma dificuldade nos treinadores estrangeiros de conhecerem os jogadores, os adversários e até mesmo o elenco que trabalha aqui no futebol brasileiro.

Por outro lado, não é apenas isso que pode prejudicar o desempenho de um treinador estrangeiro. O choque de cultura é um exemplo clássico. No ano passado, o Cruzeiro teve em seu comando o português Paulo Bento que ficou apenas 75 dias no cargo.

Ele encontrou dificuldades para lidar com o elenco, nem tanto pela língua, mas muito mais pelos costumes. E quando saiu do clube, seu empresário afirmou que ele ficou surpreso com a situação já que esperava cumprir o contrato.

Gareca com Guerrero na Seleção do Peru

No Flamengo, Rueda terá os compatriotas Gustavo Cuéllar e Orlando Berrío com quem trabalhou no Atlético Nacional. Mesmo tendo uma maior facilidade para compreender o português, a língua, de fato será um desafio, mas talvez o maior deles seja driblar a impaciência dos dirigentes brasileiros.

Raísa Simplicio (@simpraisa)

Reprodução: Goal

11 Comentários
Carregando comentários...