Qual o seu Flamengo?

Quantas vezes você já ouviu que “este elenco na mão de treinador x estaria voando”? Quantas vezes você já ouviu “com elenco ridiculamente inferior, Abel, Carille e Jair fazem campeonatos muito melhores”? Não. Esta coluna não é uma defesa de Zé Ricardo pela manutenção do esquema que o acorrenta há mais de ano ao 433, 4231 para alguns, mas uma reflexão sobre as propostas de jogo de cada treinador que ouvimos falar por aí e qual o modelo que queremos para o futebol do Flamengo.

Para começarmos a nossa conversa sobre o assunto, é preciso tentar conceituar, ainda que de maneira precária, alguns termos do tatiquês para melhor entendermos do que falamos. A primeira coisa que precisamos saber é que um time, durante um jogo de futebol se utiliza de quatro fases de jogo com a bola rolando. Elas formam um ciclo e como a equipe efetua cada fase depende sua apresentação na partida. Elas são: Ação defensiva~transição ofensiva~ação ofensiva~transição ofensiva.

.

Com esse conceito definido, via ótimo Caio Gondo, já podemos falar dos principais entraves do futebol jogado no Brasil. Fazendo o possível para não ficar vendo o copo meio vazio, podemos observar que o futebol praticado em terras brasílicas, no mínimo é deficitário no que tange às quatro fases. Hoje, posso afirmar que nenhum dos times em território nacional aplicam na prática todas as fases durante os jogos, ou o fazem de modo insatisfatório.

O líder do campeonato nunca propõe o jogo. Está sempre acastelado em sua defesa e saindo para o contra-ataque. A mesma proposta de jogo que Fluminense e Botafogo dos técnicos citados no primeiro parágrafo. O segundo colocado é um dos poucos times que procuram, ao máximo, propor o jogo. Contra o Flamengo, time que também propõe, utilizaram uma tática diferente. Chutaram pouco, acharam um gol e se defenderam, mas os gaúchos têm se destacado pelo toque de bola que já vinha do time com Roger e perdura, mas perde um pouco a velocidade nas transições defensivas, o que de fato não exclui o time das quatro fases, como disse acima, mas não permite que o time seja completamente eficaz. Basta ver que é um time que leva muitos gols mesmo com bons jogadores na defesa.

Isto nos levará ao próximo nível de tatiquês. Falamos aqui acima sobre Proposta de jogo, que vem a ser o que o time busca fazer durante as partidas. Por exemplo, o Barcelona de Guardiola propunha o jogo como posse da bola, cansando os adversários pacientemente até que uma brecha aparecesse para finalizar de média ou curta distância. A proposta de jogo de Corinthians, Fluminense e Botafogo é se entrincheirar na marcação em seu campo e conectar contragolpes fulminantes. A proposta da seleção brasileira é mais equilibrada, fazendo as quatro fases de modo efetivo e buscando o gol de todas as maneiras possíveis (cruzamentos, infiltração, chutes de fora etc).

Talvez se faça necessário falar, mesmo que pouco, uma definição do Modelo de jogo, que é o conjunto predominante de ideias que sobressai de um time com a bola rolando. O conceito é bastante amplo e até parecido com o da proposta, numa análise simplista, mas não querem dizer a mesma coisa. A palavra chave para decifrar o modelo é como. De que forma a proposta de jogo será alcançada é o que vai ditar o modelo e é exatamente onde queremos chegar.

Já parou para analisar o modelo de jogo que o seu time historicamente possuí? Qual a proposta de jogo nós queremos para o Flamengo? Que técnico melhor se encaixa nestes conceitos?

Nesta coluna vamos parar por aqui. Neste caso, a coluna se transforma em ensaio que nos leva a refletir sobre o tema proposto. As perguntas finais funcionam como uma provocação na prática. Vamos bater um papo sobre tática e treinadores que melhor aplicariam este modelo/proposta no nosso time do coração. Ah, e se discorda também podem falar. As críticas construtivas sempre serão bem vindas.

Referência:

GONDO, Caio. Quais as diferenças entre modelo e proposta de jogo? Disponível em: <https://medium.com/@CaioGondo/quais-as-diferen%C3%A7as-entre-modelo-e-proposta-de-jogo-bb77a6a68b69> Acesso em 18/07/2017

Anderson Alves, O otimista.

204 Comentários
Carregando comentários...