O zagueiro rápido do Flamengo tem que ser fabricado

Atualmente existe grande debate sobre a nossa defesa e muitos acenam com a nossa carência de um zagueiro rápido. Esta peça, fundamental para alguns, está e sempre esteve em falta no mercado e, se forçarmos com muita benevolência o nosso critério, há menos que cinco no Brasil. No Flamengo, no meu entendimento, não há nenhum.

Recentemente, um comentarista disse que um dos erros estratégicos do Flamengo foi não contratar um zagueiro rápido. A afirmativa me parece rasa. Uma coisa que temos que ter bem clara é que o problema de gols sofridos pelo Flamengo não passa pelo zagueiro rápido, seja lá o que você entender como tal. Os erros nos últimos gols que o time levou são de treinamento.

O nosso goleiro é jovem e passou 2016 todo no banco depois da conquista da Copinha. São 16 jogos no ano, 13 desde que assumiu a titularidade. Analisando friamente as jogadas dos gols, a minha impressão é que dava para Thiago ter se adiantado em todas e abafado os chutes. É interessante observar como Muralha tomava gols de cabeça defensáveis e Thiago toma esses gols de infiltração. Vem aí Diego Alves e para o Brasileiro e a Sulamericana nossos problemas serão resolvidos no quesito, mas cabe um puxão de orelha no treinamento, tanto dos goleiros, quanto da defesa. Há indefinição sobre quem deve interceptar a bola infiltrada.

O conceito de zagueiro rápido é complexo e abrange diversos atributos. Para a maioria dos entendidos do assunto, é um zagueiro capaz de se recuperar e reagir bem às investidas dos atacantes adversários, que corra pequenas ou médias distâncias de forma efetiva para disputar com os corredores dos outros times e que saiba minimamente o que fazer com a bola nos pés (Sim. Não adianta ter a bola e não saber o que fazer com ela).

Quem é assim no futebol atual? Marquinhos do PSG, Leonardo Bonucci da Juventus são alguns exemplos dos que mais se aproximam do conceito. Fato é que o artigo é tão escasso que Guardiola por mais de uma vez recuou volantes para fazerem o serviço com Mascherano, Alaba, Touré, Alonso, portanto não é um problema regional.

O Flamengo possui cinco nomes para as vagas. Réver e Rodolpho são os titulares, embora o novo contratado esteja no DM, Juan e Vaz são os reservas imediatos e o jovem Léo Duarte está no fim da fila. Todos pesados e lentos, apesar de possuírem alguma técnica. Não seria interessante, como já há a tendência mundial de procura dessas peças, até mesmo como uma possível peça de exportação, promover treinamentos na base para criar estes jovens valores no clube?

Vamos ser sinceros, o último zagueiro da base bem utilizado foi Samir, que foi para a Udinese ser lateral esquerdo, antes teve Welinton, execrado pela torcida. Já que não temos formado zagueiros para o time principal com tanta eficiência, por que não investir em treinamentos modernos que municiem nossa base com esse tipo de jogador? Uma vez, Muricy falou sobre Léo Duarte como um zagueiro rápido e que iria receber chances no time principal. Não foi possível devido à debandada dos zagueiros naquele momento e a saída abrupta do treinador, mas humildemente discordo do multicampeão.

Acredito que tanto Léo Duarte como Denner podem vir a ser este zagueiro rápido que falam por aí. Mas o treinamento de cada tipo de zagueiro não é o mesmo. Precisa promover a explosão para que o zagueiro possa se recuperar rapidamente no um contra um, precisa estimular a visão tática do jogo para que o zagueiro saiba para onde a bola vai a seguir e possa fazer, ele mesmo a cobertura, precisa criar o hábito deste jogador de saber dar um passe, mesmo quando sob pressão, para que um passe errado não nos acometa de contragolpe e perigo.

O outro, aquele Zagueirão, pode continuar trabalhando o cabeceio para cortar escanteios e lançamentos e fazer as faltas no início das jogadas, mas cada vez mais precisamos formar este jogador moderno, que possa auxiliar o time em todos os momentos e não apenas ficar dando chutão para frente.

E você? Acha que o infame zagueiro rápido é o que está fazendo falta ao Flamengo? Concorda que ele deve vir da base ou tem uma solução diferente?

Referência:

ROCHA, André. Zagueiro técnico e veloz: raridade que vale ouro no mercado. Disponível em: < http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/tag/zagueiro/> Acesso em 26/07/2017

Anderson Alves, O otimista.

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