Números do Flamengo: supremacia estatística, detalhes decisivos

Outra atuação limitada nos faz atirar pedras para todos os lados. Acabada a partida contra o Grêmio, decidi vir aqui criticar fortemente a necessidade que temos de levantar bolas na área. É muita repetição! Nosso desafogo deveria vir da qualidade dos pés de Diego, Éverton Ribeiro e cia., e não da cabeça oca de Damião. No entanto, os números mostram o contrário e me calaram.

Nessas 13 partidas até aqui, o Flamengo se sai como o 4º time com mais gols de cabeça no campeonato – foram 5. Nossa última vitória veio assim, por sinal. Certamente lhes assustarei dizendo que tentamos 349 cruzamentos neste pouco tempo (o 3º com mais levantamentos). Em um rápido cálculo, veremos que precisamos de mais de 70 tentativas de cruzamentos por gol – ignorando gols de rebote ou de segundo passe. Mas não estejam tão acuados, pois o Grêmio, que menos vezes alçou a pelota na área neste início de torneio, o fez em 228 oportunidades. Ou seja, a estatística de cruzamentos é geralmente alta. Lembro aqui que estes números representam todas as jogadas que se esboçaram como cruzamentos, desde lances interceptados até cruzamentos centralizados, daqueles que vem dos meteoros que Vaz lança da defesa, por exemplo.

Resolvi, então, analisar se essa concentração de jogo nas pontas impactaria no número de finalizações ao gol. E, pasmem, não. Somos o segundo time do campeonato com mais chutes a gol (192), dos quais 77 – ou 40,1% – tiveram alguma dose de sucesso. Ainda, lideramos a estatística de gols de fora da área – 4. Quem entende a complexidade do futebol praticado pelo Flamengo?

Ou seja, cruzamos, chutamos, cabeceamos… e isso justifica nossa boa colocação geral no campeonato. Onde encontrar, então, explicação para a dificuldade encontrada em vários jogos? As estatísticas apontam o Flamengo como uma das equipes mais completas do torneio, eficiente em bolas aéreas, lançamentos, chutes de longa distância, cobranças de falta, desarmes, troca de passes e muito mais.

Querem mais números? 3ª equipe com mais desarmes, 3ª com mais passes trocados, 3ª que menos erra passes, 3º time em número de viradas de jogo, 3º time com menor número de cartões recebidos…

Os dados mostram um Flamengo quase perfeito. Temos uma média estatística muito mais alta do que a de qualquer outro clube do torneio, e nossa consistência é provada em números. Isso faz do Flamengo um adversário difícil de se anular. Uma pena que a campanha de fato poderia ser melhor. Sem dúvida, nosso pecado é errar em lances-chave. Dos 9 gols sofridos, quantos não foram defensáveis? De todas as nossas jogadas ofensivas, quantas não acabaram em oportunidades claras de gol desperdiçadas? As bolas na trave de Éverton, hoje, e de Vinicius Jr., contra o Botafogo, o gol feito que Guerrero perdeu contra o CAP e outros lances mais nos mostram que toda a construção aconteceu, mas foram detalhes que nos impediram de estar alguns pontos acima, hoje.

Esses detalhes nem sempre são passíveis de correção, visto a imprevisibilidade do futebol. Porém, fica o alento: falta pouco. Torço para que Zé Ricardo consiga encontrar esta chave e que possa transformar todo o nosso volume de jogo e qualidade futebolística em gols e resultados. Afinal, toda e qualquer supremacia estatística de nada adianta se não vier acompanhada de gols e vitórias.

Fonte dos dados: Footstats.

Rodrigo Coli

Twitter: @_rodrigocoli

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