Márcio Araújo fecha com clube da NFL e muda de esporte

Ouvimos falar por aí que Márcio Araújo é peça fundamental para o esquema de jogo praticado no Flamengo. Que sua aplicação e inteligência ao realizar “perfeitamente” sua função tática em campo o fazem um excelente volante, sendo essencial para o funcionamento defensivo do time.

Entretanto, apesar de apresentar um futebol bastante razoável em alguns momentos e ter iniciado bem a temporada de 2017, inclusive roubando a vaga do badalado Rômulo no time titular, o “10 que veste a 8” apresenta, desde sempre, extrema dificuldade em lidar com seu principal material de trabalho: a bola. Dificuldade esta, admitida até por seus mais ferrenhos defensores.

Ora, se um jogador tem dificuldade de utilizar o mais importante instrumento de sua profissão, como pode ser considerado essencial? Alguns dirão: “Mas o futebol é praticado em dois momentos, o defensivo e o ofensivo”. Concordo. Mas façamos um paralelo a outro esporte infinitamente superior ao futebol no quesito tático, o futebol americano.

Na NFL (National Football League), a partida é efetivamente jogada em dois momentos, uma em que a equipa ataca e outra em que se defende. Diferentemente do nosso futebol, os clubes possuem dois times completamente distintos para atuar em cada momento, e que se alternam sempre que há mudança na posse de bola. “Ainda não entendi o que você quer dizer com essa analogia”, indagarão alguns. Explico. No futebol americano, um jogador pode saber só defender ou só atacar, afinal, com exceção de raros casos, um mesmo jogador não participa dos dois momentos.

A função de um jogador de defesa é unicamente defender. Contudo no soccer, nome dado pelos americanos ao verdadeiro futebol, o mesmo jogador que ataca é o que defende.

Não há possibilidade de troca dos 11 jogadores de acordo com o momento da partida. É necessário, portanto, ter o mínimo de intimidade com a pelota para que um jogador seja, de fato, considerado essencial para um time. O que quero dizer com isso tudo? Márcio Araújo só seria essencial em um time se o esporte por ele praticado fosse o futebol americano. Se um jogador pudesse se dar ao luxo de ser bom em apenas um quesito. E sabemos que não é assim que funciona.

Ver um jogador apresentar incapacidade ao dar um passe, chutar a gol, fazer um lançamento ou até mesmo, vê-lo se eximir de participar do jogo quando seu time tem a bola é de extrema irritabilidade. O atual dono da camisa 8 do Mais Querido não pode, e não deve ser essencial a time algum. Pode sim, ser útil no elenco para determinados jogos em que o time necessita de maior capacidade defensiva.

Mas titular absoluto de um time que tem jogadores que sabem utilizar com muito mais qualidade o material de trabalho? Isso não. Há de se ter esperança de ver no futuro, mesmo que distante, um futebol brasileiro com menos “cumprimento de função” e mais qualidade. Menos transpiração e mais inspiração. Menos Márcio Araújo’s e mais Andrade’s e Adílio’s.

Bruno Pet
@brunopet365

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