Lampejos: a individualidade como padrão

Ainda que não faça muito sentido, principalmente após essas últimas notícias envolvendo nosso querido Ederson, precisamos voltar a falar do nosso futebol, como um todo.

Mais do que a questão física ou emocional, me espanta perceber que em algum momento perdemos nossa coletividade. Zé Ricardo podia não ter um Flamengo voando em mãos durante o começo de 2017, mas formou um time.

Time este que jogava e se comportava de maneira coordenada. Vendíamos caro os resultados negativos. Não custa lembrar que dificilmente víamos o Flamengo perdido, dominado ou envolvido pelos seus adversários.

Mesmo com a lesão de Diego, o Flamengo se mostrava coeso, consciente e organizado. Se não houve nesse ano o brilhantismo apresentado em alguns períodos do ano passado, sobrava comportamento coletivo.

A primeira exibição muito diferente desse padrão foi aquela que desencadeou esse período de baixíssima inspiração e transpiração desordenada. O Flamengo de hoje vive de lampejos.

Podemos supor um punhado de motivos para esse comportamento, mas quase todos eles passam por Zé Ricardo. Não, a ideia não é culpa-lo. Ainda que Zé tenha sua parcela de culpa, meu objetivo não é questionar seu trabalho – que hoje em dia é bastante questionável – mas observar o conjunto de escolhas que acentuam esse comportamento.

Não é fácil fazer com que um elenco recheado de jogadores acima da média renda o esperado, mas é preciso que para isso dois grandes fatores sejam vistos com carinho: variação tática e adaptação.

Sempre que pressionado, Zé Ricardo joga pela janela suas convicções e aposta num monotemático e pouco cerebral 4-3-3. Esse tipo de comportamento ficou flagrante quando, desgastados e pressionados, abandonamos o bom futebol apresentado no ano passado para arrancar vitórias à força. Não custa lembrar que nem sempre não as arrancamos.

Além disso, em alguns momentos de suas (agora) confusas entrevistas, Zé deixa claro que os jogadores precisam se submeter ao(s) esquema(s) de sua preferência. Vejo dois erros graves nesse pensamento.

O primeiro é acreditar que ele tenha um esquema bem definido, já que parece optar por um esquema como preferência e se render a outro quando algo não vai bem.

O segundo erro – e certamente o mais grave – é crer que o material humano sempre tem que se adaptar ao esquema. Essa máxima funciona muito bem para elencos limitados. Carille, no Corinthians, não possui grandes opções (em número e qualidade), é natural que o esquema se imponha perante o elenco. Jair faz o mesmo no Botafogo. Renato Gaúcho, com elenco um pouco mais versátil já promove adaptações e varia esquemas por jogadores e vasco-versa.

Seria bom que Zé entendesse que com bons jogadores, é preciso que o esquema se flexibilize para que seja possível extrair o melhor da técnica de cada um. Sem que isso seja percebido, seguiremos vendo um Flamengo que oscila e anda sem identidade tática, na dependência de lampejos que resolvam.

Mais que isso, sem que Zé repense algumas convicções, será difícil encontrar novamente um padrão onde nossas estrelas possam render o esperado. Ainda dá, mas é preciso abrir a cabeça. A continuarmos assim, seguiremos rendendo de acordo com as individualidades e organização de nossos adversários.

SRN.
#ForçaEderson

Thigu Soares
Twitter: @thigusoares

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