Coluna do Torcedor: “Os problemas de planejamento do Flamengo”

Ao entrarmos no site oficial do Flamengo, veremos que eles computam 34 atletas no elenco do clube. São quatro goleiros, cinco zagueiros, quatro laterais, cinco volantes, sete meias e nove atacantes.

Pelos números, podemos comprovar que é um elenco inchado, apesar do Mengão disputar / ter disputado várias competições (Carioca, Primeira Liga, Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileiro), muitas de forma concomitante.

Entretanto, mesmo com o excesso de atletas, há erros de planejamento na montagem do plantel. Dois são os mais crassos e que explicam, em partes, o fato do time não ter conseguido engrenar e melhorar o futebol praticado dentro de campo.

O primeiro destes erros está no gol. Muralha foi contratado depois de uma excelente temporada 2015 pelo Figueirense. Ao longo de 2016, aproveitou a má fase de Paulo Victor e assumiu a titularidade. Foi peça fundamental em diversas vitórias, e, como prêmio, foi convocado por Tite para a Seleção Brasileira. Contudo, no final do ano, começou a falhar. Mesmo não estando em grande fase, Rodrigo Caetano e os dirigentes do Departamento de Futebol resolveram não contratar outro arqueiro. Resultado? Muralha piorou e tivemos que recorrer a um goleiro totalmente inexperiente, que, claramente, está sentindo o momento, uma vez que em todo jogo está em evidência. Para compensar o erro, estão tentando trazer Diego Alves. Mas, esta procura deveria ter acontecido no início do ano.

Rodrigo Caetano não planejou bem o elenco do Fla (Foto: Reprodução/L!TV)

Parecido com o caso do Fla, foi o Palmeiras ano passado. Sem planejar um reserva para Fernando Prass, o mesmo machucou. Sem reservas à altura, a diretoria recorreu a Jaílson. Por sorte, o jogador, de 35 anos, e que até então, nunca tinha brilhado em nenhum clube grande, foi peça fundamental no título brasileiro.

É incrível como no Brasil o jogador debaixo da trave precisa ser titular em todos os jogos. Tinha que ser que nem na Europa, onde um atua nos jogos da liga e outro nas copas. Isso facilitaria ter dois bons jogadores, sem ter o estigma de que o reserva sempre será reserva.

Outro erro foi na volância. Apesar de cinco atletas para a posição, onde Zé Ricardo costuma utilizar dois, não foi pensado em uma pessoa para fazer a função de Willian Arão. Um dos pilares da equipe terceira colocada no BR-17 do ano passado, o volante entrou numa fase tenebrosa, indo, depois de muitas críticas para o banco de reservas. No lugar, entrou Cuéllar, que vem atuando muito bem. Mas, por que há erro de planejamento neste caso? Nenhum dos jogadores disponíveis faz o papel do camisa 5.

Arão pode ser considerado aqueles volantes modernos, que marcam e atacam bem, o tal “box-to-box”. E de fato, sabe sair jogando, e tem a infiltração surpresa como uma de suas qualidades. Tanto que marcou sete gols e distribuiu oito assistências em 62 jogos, no ano passado. E, no elenco, nenhum jogador tem esta característica. Com Cuéllar, Márcio Araújo se aventura no ataque, e é um horror! O próprio colombiano

Arão vem devendo em 2017, e falta de reserva pode explicar momento do Flamengo

também não tem muita força ofensiva. Com isso, Diego precisa voltar para armar do círculo central. Infelizmente, nosso craque já não tem a explosão de outrora para sempre carregar a bola até próximo ao gol. Assim, o time perde em criatividade e chegada do meia na área, uma de suas características, e onde ele fez a maior parte dos seus gols com o manto sagrado.

Éverton Ribeiro chega para tentar amenizar esta deficiência. Como tem bastante técnica e visão de jogo, pode fazer o papel de Diego, e este, recua para fazer função de Arão. Cuéllar faz a do Márcio Araújo, que por fim, não faz nada….. mentira, para não ser injusto, pelo menos corre e é dedicado, além de roubar uma bolas.

Mancu não tem pique para aguentar o tranco, Rômulo também, e Ronaldo, só Jesus sabe os motivos dele não ser nem relacionado para as partidas. Com um reserva para Arão, Zé Ricardo poderia até manter a teimosia de ficar com Márcio Araújo no time. O camisa 8 ia continuar correndo, roubando bolas, dando passes laterais e não prejudicaria o conjunto quando passasse do meio de campo.

Em relação aos excessos, não faz sentido manter Damião no elenco. Entre um caneludo e outro, deixa o Vizeu, que é da base e tem muito a evoluir. Por fim, não traria Geuvânio. Muito caro e há jogadores que podem fazer sua função tática e técnica, como Berrío, Éderson e Vinícius Júnior, que precisa jogar mais para poder devolver tecnicamente ao clube.

Graças a esta diretoria, o Flamengo tem dinheiro para investir em jogadores de peso, mas, seria muito melhor saber fazer o investimento, e deixando espaço para jogadores da base. Não adianta querer investir em formação, se os jovens não vão ter espaço. E pior, sendo reserva de jogadores tecnicamente piores, mais caros e totalmente desnecessários.

Matheus Brum

Jornalista

Twitter: @matheustbrum


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