Agressões a mulheres, crianças e jornalistas: a terrível noite em São Januário

Flamengo e Vasco é sinônimo de um dos maiores clássicos do Rio de Janeiro e também do Brasil. Cercado de provocações de ambos os lados, o “Clássico dos Milhões” deste final de semana chegou a níveis extremos: selvageria, brutalidade, falta de humanidade e ódio desproporcional.

São muitos os adjetivos que podem ser usados para contar o cenário de guerra que se transformou um dos palcos históricos do futebol carioca. Os brutamontes não pouparam ninguém. Mulheres, crianças e até jornalistas foram alvos de uma fúria implacável, que resultou na morte de um torcedor nos arredores do estádio.

Antes da bola rolar, o clima já estava tenso. Para ter acesso às cabines, os membros da imprensa precisavam passar entre a torcida. Em vários momentos, seguranças avisaram “passa rápido, que isso aqui é tipo a Faixa de Gaza”.

Dentro de campo, o embate era duro. O Vasco abusava das faltas e os jogadores pareciam absorver a energia que vinha das arquibancadas. Pelo lado rubro-negro, os jogadores tentavam não cair na pilha, para não piorar o cenário.

O gol de Éverton e um tento cruzmaltino anulado foram as fagulhas necessárias para alimentar o barril de pólvora que eram os torcedores. Objetos eram atirados ao gramado e alguns adeptos começaram a tentar invadir o campo. Com o apito final do árbitro Anderson Daronco, o barril explodiu, e a guerra começou.

Policiais mulheres agredidas

Bombas foram lançadas entre os próprios torcedores do Vasco
Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

Para conter o caos, a Polícia Militar tentou de tudo. Partiu para o confronto físico, usaram spray de pimenta e balas de borracha. Mas, nem mesmo os mais de 200 militares presentes dentro do estádio conseguiram conter os sucessivos rojões, bombas e objetos arremessados contra todos que estavam em São Januário. O ódio atingiu tal ponto que já não se tinha um inimigo, o negócio era brigar.

Com este contexto, a covardia aflorou. Duas policiais foram agredidas por seis homens. A violência só não foi pior porque ambas usaram o gás de pimenta para se afastar.

Jornalistas precisaram entrar em luta corporal para se salvar

Até quem estava apenas realizando o seu trabalho precisou entrar em confronto para salvar a própria pele. Não foram poucos os casos de repórteres sendo alvo da violência.

Buscando fugir do caos que estava na arquibancada, alguns torcedores foram em direção às cabines de imprensa, e passaram a intimidar, ofender e agredir os trabalhadores.

Um cinegrafista da Rede Bandeirantes de Televisão teve a mão machucada depois que um vândalo com um vergalhão invadiu o espaço destinado a emissora. O brutamonte só foi parado depois que um repórter da Rede Record entrou em luta corporal e conseguir desarmá-lo.

Um membro do globoesporte.com também foi alvo de intimidação. Ao entrevistar uma vítima da selvageria, outro “torcedor” com a camisa da “Força Jovem”, uma das organizadas mais famosas do Vasco, o interpelou, ameaçando quebrar seus equipamentos. O motivo, segundo ele, seria que a imprensa só falava mal do clube.

Eurico Miranda aumenta a polêmica

Buscando redimir a história e a imagem do Clube de Regatas

Torcida do Vasco tentou quebrar a placa de acrílico que sapara a arquibancada do gramado.
Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images

Vasco da Gama, o presidente Eurico Miranda convocou uma entrevista coletiva para pedir desculpas em nome da instituição. Porém, apesar de ter começado bem, o mandatário voltou a citar os problemas políticos do cruzmaltino. Por várias vezes citou que os conflitos vistos em São Januário foram organizados e arquitetados pela oposição. Contudo, não soube apontas provas ou nomes de quem supostamente teria articulado e atiçado a violência. A situação interna vascaína não é nada fácil. É ano eleitoral e o clube está rachado, segundo pessoas que vivem o dia a dia do clube.

Dentro de campo o Flamengo venceu por 1 a 0, gol de Éverton Cardoso. Com a vitória, foi a 23 pontos e pode terminar a 12ª rodada do Campeonato Brasileiro na vice-liderança. O Mais Querido fica à espera do confronto entre Grêmio e Avaí. Uma vitória ou empate do tricolor gaúcho deixa o rubro-negro na terceira colocação, a 9 pontos do líder Corinthians

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