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Saudades do que nunca tive

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Ainda remoendo os acontecimentos de semana passada, minha primeira coluna após o ocorrido não poderia falar de outra coisa, não seria uma vitória sobre o limitadíssimo Atlético GO que me faria o assunto passar “impune”.

Passaram-se os dias, mas a vontade de xingar todo mundo não, o desejo de chamar todo mundo de irresponsável, o Réver fazendo acordinho com atacante do San Lorenzo pra jogo de compadres; o Arão em campo como se estivesse jogando de graça, fazendo um favor ao Flamengo; e juro, se eu falar o que eu quero a respeito do Zé Ricardo, esse texto perderia seu propósito e se tornaria algo de muito mal gosto.

Demorarei muito pra elogiar o Zé Ricardo novamente, fazia isso quando merecia e o criticava quando necessário, mas não haverá um merecimento de elogios tão breve; e novamente, vivemos uma noite histórica quarta-feira, de nove combinações possíveis, oito classificavam o Flamengo às oitavas de final da Taça Libertadores… Advinha o que aconteceu… Aconteceu outro América do México… Outro Emelec, León… Não existem diferenças entra a campanha de 2017 para a de 2002, a ridícula 2002.

Por eventos assim que a tradição do Flamengo em Libertadores começou e terminou em 1981, um ano ímpar, uma campanha fatídica, um ponto fora da curva.

Hoje eu não usarei termos como “Mais Querido” ou “Maior do Mundo”, hoje vou me referir somente ao Flamengo; o Flamengo, por tais vexames e papéis de trouxa que impõe a sua torcida, tal como Palestino, nos colocam tradicionalmente abaixo do Once Caldas; na América, somos um The Strongest, time que é muito temido em seus territórios, mas que no final, não vai passar da fase de grupos, não vai chegar para a briga…

Com todos os respeitos ao The Strongest, pois não somos maiores hoje, vamos tirar esse salto alto, parar de olhar pro próprio umbigo, vamos acabar com essa estúpida visão clubista brasileira de olhar os outros sempre de cima, ou vários 7×1 se repetiram, como aconteceu na última semana.

O Botafogo está nas oitavas de final, com uma rodada de antecedência e o Flamengo não, e sabemos o porquê, sabemos, e meus parabéns a eles, não foi covarde como o Flamengo no Nuevo Gasómetro; mas não estou aqui para enaltecer o Botafogo, foi apenas uma observação.

Desde que eu nasci, eu escuto todos ao meu redor gritar aos ventos a grandeza do Flamengo, a magia de tudo que aconteceu em 1981, o brilho que tinha Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Junior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes e Lico; o quão nostálgico que soava aos meus ouvidos tudo que se falava sobre, que faz você torcer até em VT quando algum lance aparece na televisão.

Esse time indiscutivelmente foi e sempre será um dos maiores da história do esporte, isso é indiscutível, mas no fundo sabemos o porquê de 36 anos depois ainda olharmos pra esse time com esses olhos; o Santos não olha mais para os anos 60 com tanto “desespero”; o Internacional não vislumbra os anos 70 com tamanho pesar; muito da mística de 81 se dá porque esse time foi capaz de conquistar algo que talvez não consigamos nunca mais.

E no fundo, todos pensam assim, ninguém tem a certeza de que ganharemos novamente o mundo ou até mesmo a América, podemos acreditar, ter esperanças e torcer, a base do futebol e de qualquer clube é sua torcida, seu maior patrimônio, mas sempre haverá uma dúvida se seremos realmente capazes desse feito, e esse questionamento tem de martelar a cabeça de todos nós sim! Caso contrário, outros “San Lorenzos” acontecerão mais e mais e continuaremos sendo mais um Colo-Colo, apesar de hoje soar muito injusto com o Colo-Colo essa comparação.

Nick Marques

Hoje não tenho tanto a agradecer, obrigado a todos que disponibilizaram tempo pra ler…

Siga também no Twitter: @TheNickMarques

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