A pá de cal

Definhamos a cada dia que passa, é bem verdade. Em um país que não se acha nem se encontra, o Rio sofre mais e particularmente. Se uma Federação corrupta e anacrônica, e um símbolo do futebol mundial abandonado já eram um grande problema, tivemos ontem uma decisão que pode ser a pá de cal no futebol terminal do Rio de Janeiro.

O Estado sofre, a Cidade agoniza e nosso futebol, que já vinha doente, recebe aquele tipo de notícia que desengana o paciente. O Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, decidiu em caráter liminar, que a última coisa que mantinha o futebol carioca de pé, está proibida. No que depender dessa decisão, nós perdemos.

Minha tarefa por aqui, pelo menos por hoje, é dividir com vocês a minha decepção e a minha revolta. Uma decisão como essa prejudica o futebol e as pessoas que o amam com sinceridade e civilidade. Torcedores que brigam e se matam, não são torcedores, são bandidos!

A justiça, refletindo aquilo que vemos todos os dias, adota postura preguiçosa e demagógica. Não é preciso sair do Brasil para perceber que medidas como essa não resolvem o problema e punem torcedores que sabem torcer com paixão e conviver com respeito, basta atravessar a Dutra. Minas comemorou a volta de um clássico divido, como tem que ser.

Também podemos lembrar dos países que não resolveram seus problemas “vendendo o sofá”, mas acho que não faltam exemplos, o que falta é vontade. Resolver problemas reais e profundos demanda seriedade e MUITA vontade. Soluções simples não resolvem problemas complexos, mas tapam buraco e acalmam o ego de quem acha que matando a essência de algo belo, tudo ficará bem.

Enquanto o mundo se preocupa com o convívio, com o respeito e com a tolerância, nossa justiça entende que os problemas se resolvem através da separação. O recado nas entrelinhas de uma decisão como essa é triste, pobre e muito claro: problemas de convivência se resolvem impedindo a convivência. Acho que o mundo discorda.

Punições mais duras, cadastramento e fiscalização severa das Organizadas e torcedores e medidas que também atinjam os clubes que seguem apoiando financeiramente as TO’s dá muito trabalho. E isso não se restringe apenas aos estádios, já que grande parte dos absurdos recorrentes acontecem longe dos estádios.

Nosso maior problema é que isso dá trabalho e interessa a muita gente que odeia, não entende e não vive o futebol. Isso interessa a quem quer que o Maracanã siga como está, isso interessa a quem acredita que o futebol deva ser cada vez mais entretenimento frio e cada vez menos paixão.

O futebol carioca está nas últimas, caso essa decisão se mantenha e se sustente, no futuro, olharemos pra trás e saberemos quem e quando lançaram sobre ele a pá de cal.

Thigu Soares
Twitter: @thigusoares

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