O Flamengo e sua grande dificuldade em desapegar

Nos últimos anos o Flamengo tem demonstrado um apego a determinados jogadores que não se provam saudáveis às novas políticas de saneamento financeiro do clube, provocando um perfil deficitário na OLX. Quando o assunto é contratação, o Mais Querido até busca novas peças para seu elenco, mas tem uma dificuldade absurda quando o quesito é o desapego à jogadores às vezes questionáveis em seu plantel.

No mundo todo o negócio futebol funciona assim: Compra barato, vende mais caro. É óbvio, há times que compram caro e vendem mais barato, mas isto se dá porque o futebol é uma bolsa de valores. Faz-se apostas em jogadores que podem ou não corresponder.

Eu sei que, assim como eu, você também pode pensar que o Flamengo é o centro do universo e estar se lamentando pela contratação de Marcelo Cirino, mas no momento estou pensando na contratação de Fernando Torres pelo Chelsea por 58,50M de euros, que se provou um fiasco. Pode-se pensar também na contratação de Alexandre Pato pelo Corinthians por 15M de euros, vendido mais tarde por 3.

É prejuízo? Claro! No universo brasileiro ainda não estamos nessas condições, mas é imperativo que se faça apostas e que elas rendam frutos. Benfica, Sporting, Atlético de Madri, entre outros têm se especializado neste quesito e está na nossa hora também. Acontece que o Flamengo não só não se aproxima disto, como também se afasta demais ao não saber fazer uma boa análise de negócios. Vamos ver alguns.

Para ficar apenas na gestão Bandeira, em 2013 o Flamengo comprou Gabriel, Cáceres, Wallace, Paulinho, Hernane e Bruninho. Só estamos analisando negociações em definitivo. Não vamos falar de Carlos Eduardo, por exemplo, que foi um fiasco, mas era um empréstimo.

Entre Cáceres e Wallace o Flamengo lucrou. Ambos vieram de graça e renderam juntos aproximadamente 4M de reais. O paraguaio recebeu proposta para sair, quando muitos ainda questionavam sua não titularidade. Embora seja um jogador de bom nível, também era frágil e constantemente convocado. Seu contrato estava perto do fim e o clube fez bom negócio. Wallace, por outro lado, já vinha sendo hostilizado pela torcida há muito tempo e sua saída se deu mais por conta do jogador, do que pelo negócio em si. No final do ano o zagueiro já havia sido sondado e o Flamengo insistiu em segurá-lo. A venda se deu de modo interessante, mas este é só mais um caso para ilustrar o quanto o Flamengo se apega a jogadores medíocres.

O que dizer do menino Jamal, que foi contratado a peso de ouro (2,2M Euros) para fazer apenas uma ou duas boas partidas. Triste ver a quantidade de rumores de que Grêmio, Bahia, Corinthians e, pasmem, Inter, Roma, Sevilla e Shaktar Donetski teriam interesse no jogador entre 2013 e 2017. Está certo que há muitas especulações, mas é tudo mentira? Do Sevilla há até valores envolvidos e publicados em vários portais. Fato é que o menino, que fez 21 gols pelo clube em mais de quatro anos, já poderia estar respirando novos ares e ter fortalecido o caixa.

Mas as oportunidades não acabam por aí. O que dizer do Baidu antivírus que teve o contrato renovado por mais este ano? Por quê? Não seria uma contradição para uma posição que já conta com Rômulo, Cuellar e Ronaldo, que nunca tem oportunidades?

E Juan? Entendo que o jogador tem todas as honrarias pelos serviços prestados, mas deu para ver que não dura. E também pudemos ver no ano passado que sem ritmo não rende. Por que renovar?

O Flamengo não consegue desapegar de alguns jogadores e não sabe avaliar as oportunidades. Quem não lembra do assédio sobre Rafinha, Rodolfo, Paulinho? Se puxar pela memória sempre encontraremos estes casos. Claro que há casos como Kayke entre outros e avaliar aceitar proposta por Luiz Antônio antes que ele fizesse aquela besteira é muito difícil, mas há jogadores que os clubes por aí fazem propostas por burrice… ou só para lavar dinheiro.

Obs.: Muitas vezes as pessoas se confundem quando lêem as colunas e vêm comentar a nossa “análise depois que a coisa está feita” imaginando que o nosso intuito é denegrir o clube, criar crises. Não. Não é a nossa intenção. O Clube tem se modernizado e temos visto o quanto essa evolução é difícil. Ainda assim é preciso fazer reflexões sobre as coisas que não vão bem para que não ocorram novamente, ou para minimizar os prejuízos. Somos todos Rubro-negros e queremos o Flamengo no topo sempre. No campo e fora dele. Na venda de jogadores e na revelação da base. Dos títulos à venda de camisa. Até no cuspe a distância!

Anderson Alves, O otimista.

 

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