Página inicial Notícias Times históricos: Flamengo de 1981

Times históricos: Flamengo de 1981

318
2
COMPARTILHAR

Talvez o melhor time do Flamengo de todos os tempos. Muito provavelmente um dos maiores que jogaram no futebol brasileiro. Mas, mais do que isso, esse foi o time que conquistou o mais importante título da história do Flamengo e que iniciou a era vitoriosa do time carioca, que venceu tudo, um ano depois de conquistar o Brasileiro.

Com a conquista do Brasileiro de 1980, o time jogaria a Libertadores de 1981. No elenco, só jogadores de peso, muita qualidade, que seria parte ou até mesmo base da seleção brasileira de 1982, que encantou o mundo todo.

No gol, o Flamengo tinha Raul, já experiente após passagem de sucesso pelo Cruzeiro e na meta flamenguista desde 1978. Na lateral direita vinha Leandro, com muita qualidade e muita força na marcação. Junto com Carlos Alberto Torres é, talvez, o maior lateral direito que passou pelo futebol brasileiro.
Na zaga, Marinho e Mozer davam muita segurança e qualidade ao time. Marinho vinha com a raça, enquanto Mozer com uma técnica invejável, com habilidade e precisão nos passes. Já na lateral esquerda, um técnico e ofensivo Júnior, que tinha habilidade, que o levou a ser meia no final de sua carreira.
Júnior contra o Atlético-MG, pela Libertadores – J. B. SCALCO
Com volante, segurando o piano, mas sem ser burucutu, estava Andrade, que ainda saia bem para o jogo, para fazer a ligação com um meio de campo invejável. Na meia, estavam os maiores craques desse time já recheado deles. Adílio era habilidoso e com bom drible, além de fôlego e força acima da média. Contudo, seu companheiro era ninguém mais que Zico, grande craque do time. Exímio cobrador de faltas, técnico e habilidoso, era o típico camisa 10, que seria na Copa do Mundo de 1982.
Na frente, Lico e Tita eram os pontas de extrema qualidade, especialmente Tita, que foi deslocado para a posição por conta de Zico. Ou seja, perdeu sua posição, mas não um lugar no time. Por fim, como centroavante, estava Nunes, o matador da equipe, conhecido como “Artilheiro das Decisões”, por marcar sem gols em jogos decisivos.
Zico, craque do time, na final contra o Cobreloa, no Chile – RODOLPHO MACHADO
Os comandantes daquele time foram dois. No começo do ano de 1981, Claudio Coutinho, que montou esse esquadrão, foi o treinador. Antes da Libertadores, deixou a equipe por desentendimento com a diretoria do clube. Morreu no fim daquele ano, ao realizar um mergulho próximo do Rio. Modesto Bría e Dino Sani foram os interinos, até a chegada de Paulo César Carpegiani, ex-jogador do clube, que encerrara sua carreira no ano anterior, com o título brasileiro, por problemas no joelho. Em seu primeiro trabalho, deu o Carioca, a Libertadores e o Mundial ao Flamengo, logo no primeiro ano. Venceria ainda o Brasileiro no ano seguinte.
Em janeiro, após alguns amistosos, o Flamengo iniciou a disputa do Campeonato Brasileiro. Em um desses jogos, fez 8 x 0 no Fortaleza, no Maracanã, com cinco gols de Nunes. Ao final da primeira fase, em nove jogos, venceu cinco, empatou três e perdeu uma (0 x 3 para o Paysandu, em Belém), classificando-se em segundo no grupo D, com dez equipes, atrás apenas do Santos.
Time no segundo jogo da final da Libertadores – Leandro, Raul, Mozer, Figueiredo, Andrade e Júnior; Lico, Adílio, Nunes, Zico e Tita – RODOLPHO MACHADO
Na segunda fase, caiu em um grupo duro, com Atlético-MG, Colorado-PR e Uberaba-MG. Com três vitórias, dois empates e uma derrota, com nove gols pró e nove contra, passou em primeiro, um ponto à frente do Atlético-MG, classificando-se para as oitavas de final. A derrota foi um 0 x 4 para o Colorado no Couto Pereira.
Nas oitavas de final, o rival seria o Bahia. Após empate sem gols na Fonte Nova, o Flamengo derrotou o rival por 2 x 0 no Maracanã, com dois gols de Nunes.
Nunes comemora gol contra o Liverpool, na final em Tóquio – MARCELO REZENDE
Nas quartas, o adversário seria o grande rival, Botafogo. No primeiro jogo, ficou no 0 x 0 no Maracanã. Na partida de volta, foi derrotado pelo rival por 1 x 3 e eliminado do torneio.
Nesse começo de ano, o time ainda tinha o grande zagueiro Luis Pereira, ex-Palmeiras, após retornar do Atlético de Madri-ESP.
A partir daí, vieram amistosos que iriam preparar o time para os torneios que viriam: Carioca e Libertadores.
Marinho, zagueiro do Flamengo em 1981 – IGNACIO FERREIRA
O primeiro torneio foi o Campeonato Carioca. Na Taça Guanabara, o primeiro turno, em 12 equipes, o Flamengo venceu sete, empatou três e perdeu apenas uma das onze partidas. Com 26 gols, teve disparado o melhor ataque, com goleada de 7 x 0 sobre o Americano, novamente com três gols de Nunes.
Em torneio amistoso na cidade de Nápoles neste período, goleadas de 5 x 1 sobre o Avellino e 5 x 0 sobre o Napoli.
Ainda no fim do Carioca, o time estreou na Libertadores contra o Atlético-MG, com empate em 2 x 2 no Mineirão, com gols de Nunes e Marinho.
Mozer em jogo contra o Cerro Porteño-PAR – Revista Placar
Entre o fim do primeiro e início do segundo turno do Carioca, o time estreou em casa na Libertadores com goleada de 5 x 2 sobre o Cerro Porteño-PAR, no Maracanã, com dois de Zico, dois de Nunes e um de Baroninho.
Flamengo campeão da Taça Guanabara de 1981 – Carlos Alberto, Raul, Rondinelli, Figueiredo, Leandro, Mozer, Marinho, Júnior e Cantarele; Peu, Anselmo, Tita, Adílio, Ronaldo Marques, Zico e Baroninho – RODOLPHO MACHADO
No segundo turno do Carioca, o Fla repetiu a campanha do primeiro. Sete vitórias, três empates e uma derrota. Contudo, dessa vez, ficou atrás do Vasco que venceu e empatou uma a mais, conquistando a Taça Ney Cidade Palmeiro.
Já na Libertadores, o Flamengo empatou com o Olimpia-PAR no Maracanã por 1 x 1, empatou com o Atlético-MG, também no Maracanã, por 2 x 2, gols de Nunes e Tita, e venceu Cerro Porteño, no Paraguai, por 4 x 2, com três de Zico e empatou sem gols com o Atlético-MG.
Jogo contra o Olimpia, no Maracanã – IGNACIO FERREIRA
O resultado deixou Flamengo e Galo empatados em primeiro lugar na chave, com oito pontos. A decisão seria em um jogo-extra, no Serra Dourada. Mas controversa atuação de José Roberto Wright, o jogo foi encerrado aos 37 do primeiro tempo, com três expulsões pelo lado do Atlético-MG, além de duas lesões, deixando o clube sem o número mínimo de jogadores para a partida.
Tudo isso aconteceu enquanto o segundo turno do Carioca ainda era jogado. Entre o fim do segundo turno e início do terceiro, o Flamengo estreou na fase semifinal contra o Deportivo Cal-COL, em Cali, vencendo por 1 x 0, com gol de Nunes.
O polêmico jogo do Flamengo contra o Atlético-MG, em Goiânia – AUREMAR DE CASTRO
No terceiro turno (a Taça Sylvio Corrêa Pacheco), o Flamengo foi campeão sem ter que jogar a última partida. Em dez jogos, foram oito vitórias e dois empates, com 34 gols pró e cinco contra. O jogo final, contra o vice-campeão Vasco, não aconteceu pois ambos decidiriam a finalíssima do torneio. Foi nesse terceiro turno que o Flamengo fez a histórica goleada de 6 x 0 no Botafogo, devolvendo o placar de 1972. Apoiados pela torcida, que queria a goleada, Zico (2), Nunes, Adílio, Lico e Andrade fizeram os gols naquele histórico 8 de novembro.
Mas antes da decisão, o clube ainda estava na Libertadores. Na segunda partida semifinal, contra o Jorge Wilstermann, em Cochabamba, vitória dos cariocas por 2 x 1, gols de Baroninho e Adílio.
Nunca, Adílio e Júnior, alguns dos craques do Flamengo de 1981 – IGNACIO FERREIRA
Em casa, o Fla chegou à final com 100% de aproveitamento. 3 x 0 no Deportivo Cali, no Maracanã, com gols de Zico (2) e Chiquinho; e 4 x 1 no Jorge Wilstermann, no mesmo estádio, com gols de Nunes, Adílio, Anselmo e Chiquinho.
Ainda durante a disputa do terceiro turno, o Flamengo jogou a primeira partida da final da Libertadores, no Maracanã, contra o Cobreloa-CHI, com vitória por 2 x 1, com dois gols de Zico.
Zico foi o herói no Maracanã, contra o Cobreloa – RICARDO CHAVES
Ainda durante a disputa do terceiro turno, aconteceram os jogos dois e três. No segundo jogo, derrota por 0 x 1 em Santiago-CHI. Na partida desempate, em Montevidéu-URU, o Flamengo venceu por 2 x 0, com dois gols de Zico.
Leandro, Zico e Júnior, entrando com a bandeira do Uruguai no 3° jogo da final da Libertadores – RODOLPHO MACHADO
Seis dias após a final da Libertadores, o clube começava a decidir o título carioca. Na partida de ida, no Maracanã, derrota para o Vasco por 0 x 2, com dois de Roberto Dinamite. No jogo dois, novamente no Maracanã, vitória do Vasco por 1 x 0, novamente gol de Dinamite. Contudo, as regras daquele ano previam que o Vasco, para ser campeão, deveria vencer as três partidas seguidas contra o Flamengo para ser campeão. O Fla, por ser campeão de dois dos três turnos, precisava vencer apenas uma. No terceiro jogo, Adílio e Nunes fizeram 2 x 0 no primeiro tempo. Ticão descontou no fim, mas o título foi para o Fla.
Final do Carioca de 1981, contra o Vasco de Dinamite – RODOLPHO MACHADO
Restava apenas um jogo, no dia 13 de dezembro, 20 dias após o título da Libertadores e sete dias após o título carioca. O rival seria o Liverpool, que não viu a cor da bola e, em Tóquio, foi derrotado por 3 x 0, com gols de Nunes (2) e Adílio.
Nunes e Júnior comemoram o título mundial contra o Liverpool – MARCELO REZENDE
Assim, em um espaço de 20 dias, o Flamengo conquistou três título naquele ano de 1981, que ficou na história dos torcedores.
FLAMENGO CAMPEÃO CARIOCA DE 1981 – Em pé: Raul, Mozer, Marinho, Nei Dias, Júnior e Andrade; Agachados: Lico, Leandro, Nunes, Zico e Adílio – Revista Placar

Fonte: Revista Placar

Comente pelo Facebook

  • Almir Ribeiro

    Nostalgia total. Eita time bom. Uma época que se jogava o futebol arte, de jogadas “mágicas”, aonde a “magia” do velho Maraca era o nosso combustível. Vi muitas vezes as arquibancadas em vermelho e preto, bandeiras tremulando e fogos, “um espetáculo”. Uma reportagem dessas, nos reporta há um tempo glorioso…saudades do bom e velho futebol arte e do bom e velho Maraca. SRN.

  • – Ryan –

    Definitivamente eu nasci na época errada…deve ter sido um grande privilegio pra quem viveu essa época romântica do futebol, com arte, com geral, povo em pé, com povão no estádio, gosto mto de ler, e tudo q leio sobre anos 80, não só do futebol, me faz pensar que foi uma das décadas mais legais de se viver.