Esquema ou jogadores inteligentes? Qual é o mais importante?

Esquema tático virou, nos últimos tempos, uma fixação para muitos rubro negros nos bate papos de botequim, nas resenhas do churrasco e conversas, até mesmo, entre adversários. É bom. No Brasil se fala muito pouco de tática e isso ajuda a criar treinadores ruins que, muitas vezes enganam a torcida a ou b. Durante muito tempo em terras brasílicas o futebol foi jogado de qualquer forma, com o treinador dando liberdade para quem era diferente e obrigando o cabeça de área a ser ainda mais cabeça de área (no sentido em que fosse aquele cara que bate até na mãe se passar do lado). Em comparação, aquele paisinho pequenino ali próximo da gauchada tem revelado ótimos treinadores e isto se deve ao fato de se falar muito de tática e futebol no país.

O grande problema é que se fala muito de forma superficial por aqui. Se pensa por aí que jogar no 433 é ganhar um jogador no ataque, mas será que é isso mesmo? Jogar no 352 é ser retranqueiro, mesmo? O 442 é um esquema para quem quer o time mais equilibrado, podendo jogar no contra-ataque… Ouvimos muitas coisas por aí que não funcionam muito bem assim. Isto precisa mudar.

Para começo de conversa, o esquema tático muda muito durante os jogos. Hoje em dia está na moda atacar de uma forma e se defender de outra, principalmente por aqui. Este conceito não é bem o ideal.

Hoje estamos vivendo uma evolução, por assim dizer, do Futebol Total criado por Jack Reynolds. De forma rasa, este modelo de futebol visava a mudança contínua de posições entre jogadores, produzindo assim jogadores inteligentes que podiam atuar na posição que ficasse vaga a qualquer momento. Rinus Michels, Johan Cruijff e Frank Rijkaard são representantes deste conceito em maior ou menor escala. Todos holandeses. Partindo deste princípio é possível compreender a necessidade de, no futebol atual, os jogadores saberem fazer mais de uma função e isso contar muito quando se contrata este ou aquele jogador.

Antes de falar do esquema propriamente dito é preciso constatar como esta evolução influiu no futebol moderno. Qual é a implicação nele? Para não prolongar muito este texto e fazer dele uma aulinha de história do futebol, vamos assumir que hoje em dia TODOS os jogadores auxiliam no momento defensivo, de preferência assim que se perde a bola. Assim, no fundo, mais importante que o esquema tático em si, é implantar na cabeça dos jogadores, e jogadores brasileiros, que eles têm que ajudar a marcar, fechar espaços, fazer pressão. Mesmo os atacantes.

Claro que se o atacante está correndo atrás da bola para recuperar a posse, este movimento vai ter implicações em todo o time. “Se tu voltar para marcar um pouquinho, não vai ter força para chegar na frente” (Tite). Essa frase do melhor técnico brasileiro do momento é extremamente coerente. Sempre que se pensa em marcação alta e por pressão, se imagina um time que não suporta os 90 minutos e entrega o resultado por cansaço. Mas não é o que faz o time de Tite. Se o centro avante marca lá em cima, o meia também, os volantes se aproximam mais, os zagueiros sobem a marcação e, pasmem, o goleiro vira líbero. Era assim que jogava a Alemanha campeã mundial do baile em 7×1.

Eles jogavam no 433? 442? Qual esquema? Nesse momento pouco importa. Se os jogadores possuírem essa obediência, que não é tática, e, de preferência, inteligência, o esquema será só um detalhe.

“Anderson você me enganou. Pensei que ias falar de esquema tático”! Vou sim. No próximo texto prometo falar sobre os números, mas tem certeza que não falamos agora?

 

Anderson Alves, O otimista.

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