Coluna do Torcedor: “Quanto vale um árbitro?”

Você sabe quanto vale um árbitro de futebol? Tem alguma espécie de plano de carreira? INSS pago? imposto de renda? Quanto recebem os nossos vizinhos sulamericanos? E na Europa? Todas essas questões são boas para esclarecer o tema mais quente dos últimos tempos no futebol brasileiro.

Não é pretensão desta coluna anunciar todos os dados referentes à questão. Para este fim, deixaremos seis links de reportagens bastante elucidativas no quesito ao fim da coluna. Também não discutiremos os erros e acertos para quaisquer equipes, mesmo a nossa.

Num país onde se pleiteia um monte de assuntos no futebol, o mais importante parece ser arbitragem. Por qual o motivo? Há algum tempo o futebol brasileiro é “profissional”. A comissão técnica o é, os jogadores são, até mesmo foi criado um cargo de gerente de futebol que é remunerado como nunca antes fora. Bem ou mal os campos são padronizados, a televisão já é há bastante tempo, inclusive paga a maior fatia da arrecadação da maioria dos clubes (Não a nossa, graças ao Bandeira). Foi criado um tribunal de pessoas que recebem muito bem para julgar as faltas e penalizar os clubes por qualquer desvio. Tudo bem que não funcione assim.

Ainda assim, nesse “mar de profissionalismo”, existe uma peça fundamental que não é profissional. O juiz de futebol brasileiro trabalha como um freelancer, é uma espécie de biscate que a pessoa faz para receber algum trocado. Tá certo que é muito mais do que os brasileiros regularmente ganham, mas este agente especial lida com o resultado que vale milhões. Como não tem direitos, tem que fazer uma poupança para quando for se aposentar, ou durante as férias, ou se por acaso se acidentar. Não tem nenhum direito garantido. É isto que precisa acabar.

Para começo de conversa precisamos pontuar que há mais de um nível de arbitragem no Brasil, onde o nível máximo é Árbitro FIFA, galgando o topo de sete níveis. Os assistentes e o quarto árbitro recebem um valor menor do que o apitador e passam pelo mesmo número de níveis.

Para arredondar a história, é preciso dizer que os árbitros profissionais recebem uma cota por jogo no mundo todo. Aqui no Brasil também é assim. Com uma pequena diferença. O valor praticado no País é menor do que o dos grandes centros do futebol. Até aí tudo bem. O valor é igual ao da Federação Argentina. Começou a desandar. Tem uma grande diferença de que nestes centros o árbitro recebe um salário e na Argentina, menor valor e economia analisada, se paga o valor fixo de 18 mil por mês. Estamos atrás da Argentina no que diz respeito ao profissionalismo da arbitragem. Único país em que não se pratica o salário mensal da arbitragem, a Inglaterra em compensação paga um cachê de 100.000 Euros por jogo, embora pague um bônus anual que varia de 148 a 163 mil em reais.

Tudo isso para chegar a que conclusão? De que os árbitros no Brasil são semiprofissionais porque não se provê o direito suficiente para eles. A Argentina, que paga salários de jogadores até três vezes menor do que no Brasil, já chegou a esta conclusão. Só o Brasil está neste atraso. Não que não seja um salário digno, mas eles são responsáveis por um espetáculo de mais de 2 bilhões, talvez. Os clubes de futebol pagam salário a jogadores medíocres de 250, 300 mil. Não é possível que o mediador do espetáculo ganhe no Ápice talvez 20 mil por mês sem direito a um plano de saúde sequer.

Este é só mais um dos Passos que o futebol brasileiro precisa galgar para se tornar profissional. Contrato de exclusividade e remunerações mensais para o quadro de árbitros. Que teriam direito a férias e pré-temporada assim como os jogadores. E talvez nem precisasse aumentar os valores dos salários mas apenas garantir que esses funcionários teriam direitos a receber. É imprescindível uma revolução na arbitragem. Não adianta nada mudar o diretor e não mudar os costumes.

Não se trata aqui de nós lutarmos pelo direitos da arbitragem, se trata de lutarmos por um futebol melhor. De minimização de erros devido à treinamento e condicionamento de profissionais imparciais que gerem um dos maiores espetáculos da terra. Numa empresa, por mais que o salário de um gerente não supere o valor de um produto tal, este é bem remunerado em relação ao que ele cuida, tem direitos garantidos e é cobrado de forma sumária quando algo vai mal. Pensando deste jeito, no atual sistema de arbitragem no Brasil, o Juiz até pode ser responsabilizado pelos erros cometidos, mas o máximo que vai acontecer é deixar a escala. Nem se pode demitir um mal funcionário.

Links analisados:

Quanto ganha um árbitro de futebol

O custo de um árbitro nos jogos das principais ligas nacionais

As profissões dos principais árbitros

Brasileiro tem o pior salário entre juízes das grandes ligas do mundo

Árbitro leva até 100 mil no brasileiro

Quanto ganha um árbitro de futebol

Obs: Atentem-se para as datas das publicações

E você? O que acha do tema? Participe. Deixe sua opinião.

Anderson Alves, O otimista.


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